O Brasil quer expelir Bolsonaro

"Parece claro que forças importantes do mundo político se movimentam para encontrar o caminho mais curto para afastar Jair Bolsonaro do comando do Estado", escreve Paulo Moreira Leite, articulista do 247. "O descontentamento cresce nas camadas inferiores da pirâmide social, onde a aprovação ao governo caiu 15% em três meses. Também aparece no patamar superior, como mostra a recepção de gala ao vice Mourão". Para PML, com a viagem a Washington, Bolsonaro chegou ao fim da história: "entregou tudo, não levou nada e bateu palmas"

O Brasil quer expelir Bolsonaro
O Brasil quer expelir Bolsonaro (Foto: Agência Brasil/PR)

As razões são diferentes e, em muitos casos, opostas. Parece claro, no entanto, que forças importantes do mundo político brasileiro se movimentam numa mesma direção -- encontrar o caminho mais curto para expelir Jair Bolsonaro do comando do Estado.

Após três meses no Planalto, não há dúvida de que o governo Bolsonaro se mostrou incompatível com qualquer  esforço racional para retirar o país de uma catástrofe que se agrava de forma ininterrupta desde 2015.

Há descontentamento no patamar inferior da pirâmide, como diz a queda de 15% no índice de aprovação presidencial. Também há descontentamento no patamar superior -- como mostra a recepção na FIESP, seguida de jantar, ao vice Hamilton Mourão.

Ao driblar a reforma da previdência com um "programa de reestruturação de carreira" que vai deixar tudo como está, os comandantes militares mostraram que o poder é de quem tem a Força. Eles.

Visto como referência econômica do  governo, o ministro Paulo Guedes não passa de um maluco do Estado mínimo.

Fonte de ideias e argumentos do núcleo civil do governo, o astrólogo Olavo de Carvalho não possui uma coisa nem outra.

Chefe da Casa Civil, o ministro Onyx Lorenzoni fala em banho de sangue.  

Num governo que procura comunistas embaixo da cama -- 40 anos depois da ascensão de Deng Xiaoping no comando do comunismo chinês -- os tuítes, pronunciamentos e entrevistas de personalidades do governo mostram que a luta ideológica é apenas um discurso monótono, fora do tempo, que não seduz esta pátria de famintos.

Na prática, ou é um autoengano ignorante. Ou lorota de conveniência. O efeito é ruinoso e desagregador em qualquer caso.

As ações de governo se concentram numa esfera mais primitiva, típica de períodos menos civilizados da evolução -- o rancor excessivo, o ressentimento sem controle, a impossibilidade de reconhecer a realidade,  a incapacidade de separar fatos, fantasias e pesadelos.

Nestes movimentos, é fácil enxergar traços paranoicos que marcaram tantas tiranias ao longo da História, como vários imperadores romanos, no início dos tempos, ou Adolf Hitler e Josef Stalin, em épocas mais atuais. 

Os próprios filhos de Bolsonaro agem contra os interesses do governo do pai -- mais grave ainda, são autorizados e até estimulados por ele.

Numa trama de tragédia clássica, o Planalto acaba de provocar, de vontade própria, a ruptura do presidente da Câmara Rodrigo Maia, o mais leal e  sofisticado aliado que poderia ter aparecido no caminho de quem quer  aprovar um projeto impopular por vocação. Ardiloso, Maia faz cara de quem perdeu mas o derrotado é Bolsonaro.

Está claro que será difícil aprovar uma proposta que prejudica 100% dos brasileiros que precisam de um sistema público de previdência. 

Viagem que irá se projetar como um trauma histórico sobre o país, a visita a Donald Trump e Steve Bannon mostrou um presidente incapaz de distinguir interesses e diferenças entre Brasil e Estados Unidos -- função elementar de qualquer atividade diplomática -- e muito menos estabelecer qualquer limite diante das iniciativas norte-americanas, inclusive uma visita à CIA.  

Entregou tudo, não levou nada e bateu palmas.

Missão cumprida.

Fim da história.

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