O cálculo da morte

Verdadeira Lástima social é, sem dúvida, a melhor estratégia do Bolsonaro para tentar um novo golpe e articular uma contra ofensiva aos muitos pedidos de impedimento do seu mandato, que com a CPI e protestos tem dado maior embasamento para sua condição. Neste momento todo cuidado parece ser pouco.

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Nesta semana o presidente Jair Bolsonaro solicitou parecer técnico junto ao Ministério da Saúde, para indicar a possibilidade da abolição do uso de máscaras, por pessoas que já tenham se vacinado e por quem se declare curado pela Covid-19.

O propósito deste estudo é viabilizar a edição de um decreto-lei regulamentando o desuso da máscara e assim, segundo Bolsonaro, livrar o povo da “mordaça” imposta pela pandemia.   (grifo meu)  Mas por que recomendar a abolição da máscara, justamente em um período em que a pandemia está em franca ascensão e o número de doentes cresce indicando a elevação do plator de infectados para um número ainda maior de vítimas? O cálculo parece ser simples e ao mesmo tempo macabro: elevar o índice de brasileiros contaminados e por consequência o de mortos pela COVID, para dar a falsa ideia de que a vacinação é tão inócua quanto qualquer outro tratamento medicamentoso e ainda tentar confundir a opinião pública. Nesta manobra aterrorizante, está em perspectiva o descrédito da CPI em curso no Senado Federal e ao mesmo tempo, ainda insistir na fantasia funesta do tratamento precoce como medida eficaz de se combater a doença.  

Pode parecer uma teoria tola ou até inverossímil, mas há razoabilidade nesta premissa a qual explico: como o calendário da vacinação está sendo lento demais, o ritmo da imunização permite a circulação de novas cepas aumentando com grande velocidade a contaminação, mesmo que pessoas sejam vacinadas, porque a porcentagem mínima para garantir uma eficácia imunizante precisaria alcançar 75% dos brasileiros, somente assim, se poderia justificar tal medida. O que se alcançou até o momento foi 15%, ou seja, há um enorme déficit para uma margem de segurança. Isso também se justifica pela falta de coordenação nacional no combate a pandemia, atrasos e procrastinações de toda sorte para a compra de vacinas, pelo governo federal.

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 Por isso é que me permito especular esse cálculo de morte na qual o presidente parece querer privilegiar-se; causar comoção com o aumento de casos mesmo com a vacinação, o que causaria uma repercussão desfavorável e a imputação de responsabilidade destas medidas aos governadores, porque se constituem em seus principais desafetos e são os principais incentivadores da imunização.  

Crise econômica natural, como consequência, para poder apresentar projetos de auxílio social para o próximo ano e assim assumir a alcunha justificável de Messias. A política do quanto pior melhor, retórica permanente de seu governo para tentar instalar um controle social e político mais rigoroso e sem direitos. Verdadeira Lástima social é, sem dúvida, a melhor estratégia do Bolsonaro para tentar um novo golpe e articular uma contra ofensiva aos muitos pedidos de impedimento do seu mandato, que com a CPI e protestos tem dado maior embasamento para sua condição. Neste momento todo cuidado parece ser pouco.

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