O capital e a obesidade

Qual a relação que existiria entre o sistema capitalista e a obesidade, uma das maiores causas de morte e problemas que afetam a população humana nos dias atuais? Podemos começar pelo aquecimento global, fruto da produção excessiva e do consumo dos bens naturais (renováveis e não renováveis), que visam a produção e a venda para atender ao mercado consumidor

Qual a relação que existiria entre o sistema capitalista e a obesidade, uma das maiores causas de morte e problemas que afetam a população humana nos dias atuais?

Podemos começar pelo aquecimento global, fruto da produção excessiva e do consumo dos bens naturais (renováveis e não renováveis), que visam a produção e a venda – leia-se consumismo – para atender ao mercado consumidor. E com isso, seus efeitos prejudiciais, como aumento da camada de estufa (discutiremos mais adiante) e até mesmo alimentação nada saudável, à base de fast foods – cujas propagandas bombardeiam a população com seus slogans atrativos.

Paralelamente, a ciência descobriu que há vários genes que desempenham papel na obesidade humana (entre 40 e 75% dos casos), sendo raro os casos de obesidades causados por um único gene.

O uso indiscriminado de antibióticos, muito comum na cadeia produtiva de abatedouros para a geração cada vez mais rápida de "carne para geração de lucro" (ignorando que são seres senscientes), pode também ser um indicador da obesidade humana. No caso dos animais de abate, esses são engordados com o uso de antibióticos – que afetam e transformam os microrganismos intestinais como fungos, bactérias e protozoários – o que influencia o ganho de peso. Sendo mamíferos, com a fisiologia tão próxima com a nossa, há grande chance de que nosso corpo reaja de maneira similar quando bombardeado por essas substâncias químicas.

Sabe-se, por exemplo, que bebês tratados com antibióticos nos primeiros 6 meses de vida, apresentam um aumento de sobrepeso na infância.

Não podemos deixar de lado também o acréscimo de adoçantes e aditivos alimentares/emulsificantes nos alimentos, que são associados à menor diversidade bacteriana no intestino dos animais e pessoas.

E onde entra o aquecimento global nisso tudo? Além dos fatores que envolvem a emissão cada vez maior de dióxido de carbono e metano (como queimadas, desmatamento para a agropecuária, emissão de poluentes de fábricas e automóveis), percebe-se que animais selvagens, como a marmota-de-barriga-amarela, estão tendo seu ciclo de vida alterados significativamente por conta das mudanças climáticas. Estudos mostram que populações desses mamíferos, que apresentam o comportamento de hibernação, estão acordando um mês antes do período normal de 8 meses, o que as permite comer mais e, consequentemente, apresentarem maiores índices de obesidade.

Traçando um paralelo conosco, é fácil perceber que, apesar de não hibernarmos, temos nosso sono prejudicado...principalmente pelo excesso de trabalho. Nossa rotina caótica para atender aos interesses do capital (trabalha-se para pagar contas e gerar lucro para os verdadeiros donos dos meios de produção – burgueses!), faz com que nos privemos do sono; sono essencial para a manutenção do equilíbrio corporal (homeostasia) e saúde física/mental. Associa-se a isso barulhos e poluição luminosa, teremos um resultado extraordinário: aumento do índice de massa corpórea (IMC).

Escrevendo esse artigo, deparei-me com uma interessante – e preocupante – entrevista com o professor de Stanford, Jeffrey Pfeffer, que dizia em alto e bom tom: o atual sistema de trabalho é desumano, adoece e está matando as pessoas.

Há ainda outro fator a ser considerado no comportamento (e sobrevivência da espécie humana – e também dos demais animais): Bisfenol-A (BPA), encontrado em enlatados, papel térmico e plásticos, quando em contato com o organismo animal, promove alterações no sistema endócrino e reprodutor até alguns tipos de câncer. No caso de mulheres obesas, estudos indicam maior dificuldade na concepção de filhos. Homens não estão isentos: o mesmo produto químico reduz significativamente os níveis de testosterona, reduzindo não apenas o comportamento sexual, mas também os níveis de espermatozoides.

Associe tudo isso ao sedentarismo, e veremos os efeitos em grande escala.

Percebe-se, no entanto, que são pesquisas científicas com conflitos de interesse com o grande mercado do capital. Quando tais fatos aparecem, procuram desmerecer e/ou negar – assim como bolsominions fazem quando seu Mi(n)to é pego em casos de corrupção e atos lesa-pátria. Tal influência se dá pelas por grandes multinacionais, que pressionam órgãos fiscalizadores, como o FDA dos Estados Unidos e Autoridade Europeia de Segurança Alimentar.

(Em tempo: recomendo aqui a leitura de outro post que escrevi chamado "Os casos envolvendo a Monsanto em outras corporações")

Vejam, no entanto, que isso é do interesse do capital. Afinal, gerar população obesa desencadeará mais doentes, e com isso, a indústria farmacêutica lucrará constantemente. O próprio "casamento dos infernos" entre a Bayer e Monsanto (veja no post "A doença e o remédio") é uma escancarada demonstração do lobby dessas corporações: deixemos doentes, e vendemos o remédio. (Lembro aqui a proposta do ministro (?) Sérgio Moro, da Justiça, em querer reduzir os impostos justamente dos cigarros: mais doentes, mais remédios vendidos).

Tudo sendo muito bem arquitetado pela bancada ruralista e seus cúmplices, justamente de um governo que se dizia a favor do povo e da família. A pergunta que devemos fazer é: aceitaremos isso passivamente, ou reagiremos?

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