O castelo de cartas começa a des(Moro)nar

A saída ido ministro demonstra que a casinha do governo Bolsonaro ficou pequena demais para ambos, já que o presidente o considera uma ameaça real às suas pretensões de reeleição presidencial, em 2022

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Publicado originalmente no Pensar Piauí

A demissão sumária do diretor-geral da Polícia Federal (PF), Maurício Valeixo, considerado braço direito do ministro da Segurança e Segurança Pública, Sérgio Moro, contra sua vontade, evidenciou que o ex-juiz federal há muito não tem mais o mesmo prestígio, afinamento e alinhamento com o presidente Jair Bolsonaro. Mais popular do que o presidente, Moro ainda é visto como versão tupiniquim do Superman, por uma parcela expressiva da população – de extrema-direita –, que não chega a 30% e por acaso é a mesma que apoia Jair.

A saída iminente do ministro, portanto, demonstra que a casinha do governo Bolsonaro ficou pequena demais para ambos, já que o presidente o considera uma ameaça real às suas pretensões de reeleição presidencial, em 2022. Esse projeto particular, aliás, também motivou a demissão do ministro da Saúde, Luiz Eduardo Mandetta, cuja aprovação ultrapassava os 70% no combate à pandemia da COVID-19. Quase anônimo, Mandetta se transformou em estrela, herói nacional, por sua postura durante a crise, o que custou-lhe a cabeça.

No caso do ex-juiz, além dos ciúmes do presidente, que não tolera a ideia de ver alguém que não seja ele o vitorioso à Presidência da República nas próximas eleições presidenciais, há agravantes importantes, como as investigações, conduzidas pela PF, sobre as redes nacionais de fake news e manifestações do domingo (19-4). Tais atos, que tiveram a participação pessoal do presidente Jair Bolsonaro, em frente ao Quartel General do Exército Brasileiro, o “Forte Apache”, em Brasília (DF), ocorreram nas capitais estaduais e cidades de médio porte.

Crimes de responsabilidade

E por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), através do ministro Alexandre de Moraes, foi aberto inquérito para apurar a organização dessas carreatas e aglomerações, em pleno cenário de contágio generalizado do Sars-Cov-2, o novo coronavírus, desrespeitando as recomendações do Ministério da Saúde. E contrariando as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS) e de todos os epidemiologistas e cientistas de diversas áreas, em todo o mundo, algo que configura graves crimes de responsabilidade.

Os atos contra a democracia no País, no caso, aconteceram, de maneira surpreendente, no final de semana passado, e claramente se trataram de algo profundo, repulsivo, ilegal, inconstitucional, portanto, criminoso, porque objetivam atacar a democracia, o estado democrático de direito. Foi a gota d’água clamar para fechar o Congresso e STF e apologizar o AI-5 – momento mais tenebroso da ditadura militar –, com a participação direta do presidente da República, também suspeito de participação na organização e convocação do movimento.

O pé-na-bunda de Valeixo e a iminente queda de Moro são, portanto, indícios de que há desespero no Palácio do Planalto quanto às investigações da PF, no que se refere ao financiamento, público e privado, e a convocação massiva, nas redes sociais, encabeçadas por deputados federais bolsonaristas. Há igualmente fortes indícios da atuação dos filhos do presidente e “gabinete do ódio”, instalado, como se sabe, no 3º andar do Planalto. A virtual queda de Moro desmonta de vez o emblema do combate à corrupção, que cai por terra. 

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