O “centrão” como fiel da balança

Foi o “Centrão” que tomou do PSDB o papel de fiador do governo Temer e, obviamente, vai cobrar caro por isso. Provavelmente, reivindicar ministérios que estão com os tucanos. A maioria dos discursos dos que votaram a favor de Temer, justificaram seu voto pela necessidade de estabilidade política para a retomada da economia

Plenário da Câmara dos Deputados em Brasília 17/04/2016 REUTERS/Ueslei Marcelino
Plenário da Câmara dos Deputados em Brasília 17/04/2016 REUTERS/Ueslei Marcelino (Foto: Daniel Samam)
Siga o Brasil 247 no Google News Assine a Newsletter 247

A apreciação da primeira denúncia contra Temer pela Câmara dos deputados na última quarta-feira (2) só escancarou o que já sabíamos acerca desse sistema político: os partidos vêm perdendo seu valor como representações políticas. Basta ver como se deram as negociações do Palácio do Planalto para garantir sobrevida a Temer. Não foi com os líderes dos partidos, mas através das bancadas temáticas: a do boi e do agronegócio, a religiosa, a da bala, a dos planos de saúde, a dos investigados na Lava Jato, etc.

Sempre que o Executivo joga peso para aprovar ou derrotar uma matéria no parlamento, as bancadas partidárias não são mais levadas em conta, salvo raríssimas exceções. A barganha se dá no varejo. É voto a voto. E nisso, com os adeptos do fisiologismo não tem concorrência.

Vejam, o grande vencedor do arquivamento da denúncia não foi Temer e nenhum partido, mas o baixo clero. O tal “Centrão”, que reúne deputadas e deputados que não tem fidelidade partidária alguma. Se posicionam sempre ao centro, apoiando o governo, mas sempre exigem recompensas em troca.

Foi o “Centrão” que tomou do PSDB o papel de fiador do governo Temer e, obviamente, vai cobrar caro por isso. Provavelmente, reivindicar ministérios que estão com os tucanos. A maioria dos discursos dos que votaram a favor de Temer, justificaram seu voto pela necessidade de estabilidade política para a retomada da economia.

De todo modo, é preciso reconhecer que Temer soube dar a cada aliado o que este esperava do governo: uns querem apenas dinheiro, outros querem poder, outros querem e precisam de proteção. O resultado da sessão da última quarta certificou que Temer conhece como poucos o Congresso e sua dinâmica. Desde a delação da JBS, Temer usou todas as armas que tinha à disposição: distribuiu cargos, abriu os cofres públicos para liberar emendas parlamentares para as bases políticas dos deputados aliados e recebeu no gabinete presidencial todos os deputados da base aliada que quisessem fazer pedidos.

Ao longo do ano, Temer enfrentará outras votações decisivas, visando a própria sobrevivência e de seu governo. Outras denúncias virão do procurador-geral da república Rodrigo Janot e, a cada uma delas, o “Centrão” será acionado a dar seus votos para salvar Temer. Cobrarão em troca, como de praxe. Não restará a Temer abrir os cofres públicos novamente.

O conhecimento liberta. Saiba mais

A você que chegou até aqui, agradecemos muito por valorizar nosso conteúdo. Ao contrário da mídia corporativa, o Brasil 247 e a TV 247 se financiam por meio da sua própria comunidade de leitores e telespectadores. Você pode apoiar a TV 247 e o site Brasil 247 de diversas formas. Veja como em brasil247.com/apoio

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247