O CEO da Tesla e o golpe na Bolívia

Pela segurança da afirmação do CEO da Tesla, empresa da chamada nova economia, podemos deduzir que a lógica imperialista não mudou nada em relação ao passado

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O direito dos povos administrarem seu próprio destino é uma luta que vem de muito tempo.  Guerras, mortes e sofrimentos marcaram gerações nos diferentes continentes e, ainda hoje, em pleno século XXI, muitas nações tentam conquistar o legítimo direito de serem donas de seu destino.

A América Latina sempre esteve na mira de impérios e vítima de suas garras afiadas.  Sedentos e insaciáveis, os invasores abrem nossas veias e saqueiam todo tipo de riqueza, deixando um rastro de sangue e destruição.  Primeiro os espanhóis e portugueses, depois os ingleses, e hoje os norte-americanos.  Mudam os algozes, mas a prática é a mesma: manter controle sobre as riquezas destes países, custe o que custar.

Nos anos 60 e 70 não havia grandes preocupações em esconder os objetivos, as ações eram truculentas com o uso das forças armadas mesmo.  Atualmente, utiliza-se uma narrativa soft para legitimar as invasões: o discurso do combate à corrupção e a defesa da democracia, através do aparelhamento do judiciário, apoiado pela mídia e outros aliados internos.  

Apesar das aparências supostamente nobres, sempre se soube que, por trás, estavam os interesses econômicos e muitas empresas destes impérios financiaram e financiam as ações golpistas e de saques aos patrimônios de diferentes países-vítima. É vasto o número de empresas envolvidas, direta ou indiretamente, em golpes de estado nas Américas Central e do Sul durante o século XX.  Mas, em geral, eram empresas ligadas a atividades tradicionais da velha economia, como petróleo, mineração, agrária.  Seria algo do passado, incompatível com as empresas apoiadas no conhecimento.  Evidentemente, nem todo mundo cai nessa conversa, mas ouvi de muita gente essa tese.  Vi colegas acadêmicos, sempre dispostos a acreditar nas boas intenções dos gênios do Vale do Silício, pondo em dúvida denúncias neste sentido contra tais empresas.

Eis que num momento de sinceridade, um diretor de uma dessas companhias ditas limpinhas, a Tesla, dispara: “Vamos dar golpe em quem quisermos”.  O nome do rapaz é Elon Musk, magnata e CEO da Tesla, empresa fabricante de carros elétricos, com grandes interesses em lítio, matéria-prima da bateria usada em seus veículos, cujas maiores reservas conhecidas estão na Bolívia. Este país foi vítima de um golpe de estado, apoiado patrocinado pelos EUA.  O rapaz, um dos donos do mundo, que se acha acima de todos e, por ser bilionário pode dizer e fazer qualquer coisa.

Pela segurança da afirmação do CEO da Tesla, empresa da chamada nova economia, podemos deduzir que a lógica imperialista não mudou nada em relação ao passado.  Não importa se a empresa planta banana, explora petróleo ou produz automóveis elétricos, os interesses destas corporações estão acima de quaisquer valores.  Se, na sua concepção, for preciso poluir o meio ambiente, destruir a democracia ou exterminar populações inteiras, que seja feito.  O que interessa são os lucros e o domínio do império americano.  Para isto sempre vão contar com o apoio de certas elites locais.

Tristes trópicos.

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