O começo do governo Dória

A artificialidade física é condizente com sua artificialidade administrativa montada apenas em discurso mas, na prática, completamente vazia. Está quase todo dia desdizendo o que disse no dia anterior

Prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), durante entrevista à Reuters 04/04/2017 2017. REUTERS/Nacho Doce
Prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), durante entrevista à Reuters 04/04/2017 2017. REUTERS/Nacho Doce (Foto: Abrahão Pedro)
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O prefeito de São Paulo, João Dória, vem fazendo uma auto proclamação de grande gestor, tecendo elogios a si próprio, mais e mais a cada dia. Não se aguenta por ser prefeito e por estar sendo aprovado por parte da população que ainda nada viu de sua gestão e pelo jeito, não pretende enxergar os fracassos.

A artificialidade física é condizente com sua artificialidade administrativa montada apenas em discurso mas, na prática, completamente vazia. Está quase todo dia desdizendo o que disse no dia anterior. Nos primeiros dias da administração declarou guerra aos grafites e às pichações e em seguida desistiu de guerrear contra os grafites depois de mandar pintar tudo de cinza com uma tinta tão porcaria que depois da primeira chuva os grafites renasceram !

Não teve coragem de enfrentar a CUT proibindo o 1º de maio na Paulista e então recorreu à Justiça. Jogou na Justiça a culpa pela proibição que, dias depois, cassou a liminar que havia conseguido. E o prefeito não soube fazer valer sua autoridade e a manifestação política ocorreu na Paulista, sim.

Diz que tem dinheiro o que, diga-se de passagem, não é sinônimo de bom gestor: Jucá, Renan, Cunha e outros, também tem dinheiro ! Mas, se tem mesmo, ele na condição atual de homem público, precisa explicar de onde veio esse dinheiro e não adianta dizer que está tudo nas declarações de renda e bens porque os ilustres acima também fazem tais declarações. Ele precisa explicar quais negócios faz para ter dinheiro, se é que tem mesmo. É diferente ! Não sei se consegue !

Quais os objetivos sociais de suas empresas? Produzem algo ou fazem apenas lobby? Faço votos que o prefeito aprenda rapidamente que a gestão da coisa pública é muito diferente da coisa privada. O prefeito não deu certo nem em termos de ficção quando tentou substituir Roberto Justus num programa de TV. Foi um fiasco que teve que sair do ar ! Sustenta outro programa na TV aberta com índice de audiência "traço". Só pose não administra nem faz gestão positiva de nada!

Nas atitudes que não são ensaiadas, que são de improviso, o prefeito mostra verdadeiramente que é, como pudemos ver seu destempero e desequilíbrio, inclusive com falta de educação, quando recebeu flores da ciclista e as atirou ao chão ao invés de, se não as queria, esperar para jogá-las num lixo adequado. Saiu do sério por uma simples atitude de uma cidadã ! Onde está o exemplo do grande gari para uma cidade limpa ? Ainda, a humilhação a que submeteu uma secretária, demitindo-a publicamente, pelas redes sociais, numa clara demonstração da mais absoluta desconsideração com as pessoas que servem seu governo aliás, convidadas por ele. Recentemente a ex-secretária fez crítica virulenta à atuação da GCM, filmada na agressão a um morador de rua indefeso e desesperado ! Chamou de vagabundos as pessoas que legitimamente exerciam seu direito constitucional de protestar contra reformas do governo federal que afetam diretamente os direitos dos cidadãos.

O açodamento faz com que tome atitudes enganadas como o aumento das velocidades das marginais, sem qualquer estudo técnico, nos primeiros dias de gestão, apenas para fazer a crítica destrutiva à gestão anterior. A gestão anterior havia tomado a decisão em cima de estudos e a atitude praticamente zerou os acidentes nas marginais. Com o aumento das velocidades, os acidentes e sobretudo as mortes voltaram. Mas, o prefeito não se dá por abatido. Justifica dizendo que as mortes não foram em função das velocidades. Ora, as velocidades diminuíram, os acidentes acabaram, aumentaram as velocidades e voltaram os acidentes. Qual a causa dos acidentes então? Será que é a homilia do bispo?

Além do que, o prefeito não deve conhecer o efeito funil que, com o aumento da velocidade máxima permitida, reduziu-se a velocidade média real desenvolvida pelos motoristas nas marginais, em virtude do aumento dos acidentes provocar congestionamentos enormes. Alega que havia uma indústria de multas ! Ora, se não quer multar, basta não multar, não é necessário fazer com que as pessoas morram!

Só para ilustrar com um caso real: Para levar minha neta pra escola demorava 20 minutos. Com os aumentos das velocidades nominais, passei a demorar 35 minutos e ontem, 02/05, demorei uma hora e trinta minutos em função de um acidente com um motoqueiro na ponte do Morumbi. Os aumentos das velocidades nas marginais, além de matar e aleijar, travam o trânsito de uma cidade que não pode parar.

O Corujão da Saúde, um engodo para a população de São Paulo, realmente acabou com a fila que existia para exames mas, boa parte dos exames agendados, por isso ou por aquilo, não foram realizados e então os pacientes passaram para outra fila e os que fizeram os exames, entraram numa fila maior e mais demorada que é a das cirurgias. Afora isso, na área da saúde, nesse início de gestão, os hospitais municipais estão em situação lamentável, de recursos insuficientes e a entrega obrigatória dos remédios da rede pública praticamente acabou!

Os serviços de zeladoria praticamente inexistem. Seria essa estória de privatização de praças, parques e outros equipamentos, tradição do partido do prefeito qual seja, entregar o patrimônio público, a preços de bananas, como fez FHC quando presidia o país?

Reconhecimento positivo da administração só mesmo dos atores pagos que gravam testemunhos que o prefeito tem distribuído nas redes sociais! Quem dá uma volta pela periferia ouve barbaridades da população!

Faço votos que o prefeito encontre o verdadeiro eixo e possa realmente fazer uma boa gestão para nossa cidade. São Paulo não merece o que vem acontecendo !

Devo dizer ainda que estaremos sempre muito atentos para que possamos fazer a verdadeira e pertinente crítica, sempre construtiva, diferentemente do prefeito que, na busca de notoriedade, trata seus adversários políticos sempre com a crítica destrutiva, inclusive com falta de educação, não condizente com o cargo que ocupa!

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