O complexo de inferioridade da Lava Jato

Resta saber por que o republicanismo do MP, da PF e dos comandados do juiz Moro não alcança FHC, Aécio, Alckmin, Perrella e congêneres. O jeito desrespeitoso como tratam o maior líder popular da história do Brasil, e que é visto pela maioria dos brasileiros como o melhor presidente de todos os tempos, revela um corrosivo sentimento de inveja do sucesso de Lula

05/03/2016- São Bernardo do Campo- SP, Brasil- Ex- presidente Lula cumprimenta manifestantes, concentrados em frente ao prédio onde mora em São Bernardo do Campo. Foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula
05/03/2016- São Bernardo do Campo- SP, Brasil- Ex- presidente Lula cumprimenta manifestantes, concentrados em frente ao prédio onde mora em São Bernardo do Campo. Foto: Ricardo Stuckert/ Instituto Lula (Foto: Bepe Damasco)
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No dia em que Lula foi sequestrado pelo juiz Moro para atender ao clamor golpista da mídia, delegados e procuradores da Lava Jato, como sempre fazem a cada fase da Operação Lava Jato, concederam entrevista coletiva. Com uma narrativa peculiar, através da qual partem de uma moldura pré-definida para, na sequência, enquadrarem ilações, conjecturas e suspeitas como se fossem provas, os membros da tal força tarefa subiram no pedestal midiático durante horas.

Dessa vez chamou a atenção o tom jocoso e debochado com que se referiam a um ex-presidente da República. O procurador Carlos Fernando, por exemplo, tratou um estadista reconhecido no mundo inteiro como "senhor Luis Inácio". Na mesma linha seguiu o delegado da PF, Igor de Paula. Ambos aproveitaram os holofotes generosos de seus aliados midiáticos para baterem insistentemente na tecla de que existem indícios de provas de irregularidades na empresa de palestras do ex-presidente e no financiamento do Instituto Lula.

Contendo meus engulhos estomacais, ouvi boa parte da coletiva, enquanto pensava : quanto cinismo e jogo de cena político travestido de justiça. FHC vive de palestras desde 2003, além de ser de conhecimento público que, em plena reunião dentro do Palácio do Planalto, a poucos dias de deixar a presidência, passou o chapéu entre os mesmos empreiteiros envolvidos na Lava Jato, para montar seu instituto. E nunca foi incomodado por isso, sendo tratado como estadista e blindado pela mídia amiga.

Como agem como militantes políticos, os fatos têm pouca importância para os integrantes da força tarefa de Curitiba. Por isso, investem na versão mais adequada para prejudicar o PT, Lula e Dilma. Sabem que o tal triplex não pertence a Lula, mas seguem disseminado a suspeita de que ele é o proprietário; têm plena consciência do quão patéticas e ridículas são as acusações envolvendo um barco de lata e um pedalinho num sítio emprestado ao ex-presidente em Atibaia, mas não sentem vergonha de seguir explorando tamanha imbecilidade.

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A proteção dos barões da mídia, parceiros de primeira hora no projeto de destruir o Partido dos Trabalhadores, dispensa o minimo de cuidado, preparo e consistência técnico-jurídica na hora de levantar o dedo acusador. Ainda bem que a coletiva reservou alguns momentos para gargalhadas por parte dos que têm mais de dois neurônios. Um deles se deu quando o procurador Carlos Fernando disse que "Luis Inácio estava sendo investigado porque precisamos ser republicanos, pois ninguém está acima da lei."

Resta saber por que o republicanismo do MP, da PF e dos comandados do juiz Moro não alcança FHC, Aécio, Alckmin, Perrella e congêneres. O jeito desrespeitoso como tratam o maior líder popular da história do Brasil, e que é visto pela maioria dos brasileiros como o melhor presidente de todos os tempos, revela um corrosivo sentimento de inveja do sucesso de Lula. Por mais que manipulem informações e sejam premiados pela mídia com um efêmero estrelato, juízes, procuradores e delegados mequetrefes sabem que estão a anos luz de distância do lugar reservado à Lula na história.

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