O debate na TV Mar e os candidatos

Numa eleição fria, sem dinheiro e sem os candidatos demonstrarem interesse em realizar comícios, apenas caminhadas, os debates serão decisivos na conquista dos eleitores

O primeiro debate entre os candidatos a Prefeito de Maceió terá efeitos no desenrolar da eleição. E quem sabe que não se saiu bem comete um erro se acreditar que será menos afetado por ter sido realizado em uma TV fechada. Além o poder das redes sociais a rádio Gazeta e o gazetaweb deram ampla visibilidade.

O que ficou claro é que o prefeito Rui Palmeira (PSDB) estava preparado para o embate. Demonstrou controle na informação ao sempre comparar a sua gestão com a dos antecessores e os projetos para o futuro.

Mostrou-se diferente de quando disputou a primeira eleição. Pareceu maduro, firme ao apresentar dados, até ao escolher um vestuário formal ao usar terno e gravata, e ao questionar e responder aos dois principais adversários, de acordo com as pesquisas, Cícero Almeida (PMDB) e JHC (PSB).

Quanto a JHC, mostrou-se desconfortável ao ter que se apresentar ao público e enfrentar os adversários. Ao contrário do que tenta vender como novo, diferente, demonstrou desconforto ao ser chamado por Rui, e outros dos participantes, de João Caldas – que é o nome do seu pai, ex-prefeito de Ibateguara, ex-deputado estadual e federal.

Errou feio João Caldas – digo, João Henrique Caldas – nesse momento, inclusive na discussão com Gustavo Pessoa (PSOL), contra quem reagiu com dureza. Não há como negar a origem política da família e que ele é o herdeiro – até a sua mãe, Eudócia Caldas, já foi prefeita de Ibateguara.

Portanto, contra fatos os argumentos são difíceis. Fugir deles atacando em um debate em que os candidatos se enfrentam diretamente, pior ainda. Não há como negar a origem. Como negar que a família melhorou de vida através da política? Como negar que o chefe do clã dos Caldas é empresário de comunicação, entre outros temas que irão surgir contra o novo e diferente na política?

Já Cícero Almeida esteve dentro do esperado. Contradições, mudanças de opinião, certa demonstração de nervosismo. É claro que ninguém fica confortável tendo que tratar de temas que o acusam de irregularidades. Mas não pega o discurso de que todo gestor tem que responder a processos. Máfia do Lixo, Taturana, enfim, são questões que prejudicam qualquer candidatura. Cícero foi o Almeida de sempre.

Quanto aos demais candidatos, Fernando do Village (PMN), Gustavo Pessoa (PSOL), Paulão (PT) e Paulo Memória (PTC), todos surpreenderam positivamente. Cada um cumpriu o seu papel corretamente.

Paulão, como bom militante, no maior momento de desgaste do seu partido segue de cabeça erguida dando a cara pra bater na defesa do que acredita. Tem demonstrado conhecimento nas propostas que apresenta e valentia ao remar contra a maré negativa.

Gustavo Pessoa surge na política como algo verdadeiro e efetivamente novo. Não tem discurso de ódio, não precisa gritar para atingir o eleitorado que as suas ideias querem atingir. Uma pena que não tenha um tempo maior de propaganda eleitoral. É centrado e coerente.

Ou seja, o debate na TV Mar parece ter realmente, de alguma forma, demonstrado o que os resultados das pesquisas eleitorais têm apontado: Rui na frente. Numa eleição fria, sem dinheiro e sem os candidatos demonstrarem interesse em realizar comícios, apenas caminhadas, os debates serão decisivos na conquista dos eleitores.

Que venham os próximos para que a personalidade dos postulantes seja ainda mais conhecida. É que quase sempre o belo quer ser o novo. É assim que tenta se apresentar. E o velho a gente conhece bem.

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