O dia seguinte ao impeachment

Não nos deixemos enganar pela turma que sempre se locupletou às custas do erário. Passando o impeachment, fecharão as portas para quaisquer mudanças. A Lava Jato será encerrada e teremos um arrocho enorme, com perdas de direitos, principalmente trabalhistas, como nunca se viu na história deste país

Não nos deixemos enganar pela turma que sempre se locupletou às custas do erário. Passando o impeachment, fecharão as portas para quaisquer mudanças. A Lava Jato será encerrada e teremos um arrocho enorme, com perdas de direitos, principalmente trabalhistas, como nunca se viu na história deste país
Não nos deixemos enganar pela turma que sempre se locupletou às custas do erário. Passando o impeachment, fecharão as portas para quaisquer mudanças. A Lava Jato será encerrada e teremos um arrocho enorme, com perdas de direitos, principalmente trabalhistas, como nunca se viu na história deste país (Foto: Robson Sávio Reis Souza)

Não precisa ter bola de cristal para adivinhar. Por isso, vamos mostrar, bem didaticamente e em dez passos, como seria o day after ao impeachment, se isso ocorrer:

1. Se aprovado o impedimento da presidente Dilma, imediatamente, os oligopólios midiáticos, em uníssono, bradarão aos quatro ventos por uma trégua. Falarão que o novo presidente precisa trabalhar em paz para superar a crise e reequilibrar a economia destruída pelo "governo mais corrupto da história".

2. Os pseudojornalistas que pautam a mídia, verdadeiros deformadores da opinião pública, serviçais da casa grande, escreverão em grandes editoriais que a economia não resistirá a uma nova perturbação da ordem. Que todos devem se acalmar até 2018, dando uma trégua ao presidente Temer. Comentaristas de economia, "globais", dirão que o país precisa de paz para trabalhar com vistas a restabelecer a confiança internacional e salvar a economia.

3. Os homens da lei e da ordem, policiais e amplos setores do sistema de justiça, notadamente a justiça criminal, entrarão em cena para sufocar, em nome da tal lei e ordem, qualquer manifestação contrária ao governo ilegítimo.

4. Como presidente do TSE, o insuspeito ministro Gilmar Mendes não colocará em análise o processo contra a chapa Dilma-Temer, que poderia levar a perda do mandato do vice. Dirá que a justiça eleitoral deverá dar uma chance ao novo presidente e, portanto, não pode desestabilizar o novo governo. E conclamará, ironicamente: "o país não aguenta outra queda de presidente".

5. Líderes religiosos entrarão em cena para pedir que o povo fique calmo; que prevaleça a paz (mesmo sendo a paz dos túmulos) e que todos devem rezar para o bem do país e, quiçá, do novo presidente.

6. Certamente, haverá um ministro da justiça "fortíssimo", que controlará com mão de ferro a polícia federal. Provavelmente, o titular da pasta será um ex-ministro da defesa ou da justiça ou ex-presidente do STF.

7. Esse homem-forte, na pasta da justiça, atuará para sufocar a lava-jato. E, pactuado com Rodrigo Janot e Sérgio Moro, atuará para o abrandamento das ações de investigação de corrupção, com a desculpa esfarrapada que o país precisa de um novo tempo de paz e prosperidade. (A bem da verdade, o que apareceu até agora não representa 10% da corrupção que alavancou a eleição de boa parte dos congressistas, governadores, deputados estaduais...). Assim, a lava jato se tornará a grande moeda política no Congresso: em troca da sua flexibilização, os parlamentares suspeitos e investigados que votaram a favor do impeachment apoiarão, incondicionalmente, o novo governo.

8. Com o apoio da velhaca mídia, que também tem calças curtas quando o tema é corrupção e que pautará algo para desviar a atenção do povo, a lava-jato sairá das manchetes. Talvez, entrará para as páginas policiais, continuando a saga seletiva de caça às bruxas.

9. Tudo bem orquestrado, a maioria da população, que assiste as disputas políticas em curso sem se envolver e em "berço esplêndido", será convencida que o melhor caminho é aceitar o novo presidente. E que o novo governo derrotará a corrupção, porque a "turma do PT" foi expurgada, como se esse partido fosse o único partido corrupto no país.

10. E muitos esquecerão que Temer, boa parte do PMDB, do PSDB, do DEM e outros partidos (cujos quadros são corruptos até o último dedo mindinho do pé) têm como objetivo justamente neutralizar a lava-jato.

Uma parte dos que apoiam o impeachment está totalmente ludibriada: pensam que o impedimento será a primeira ação antes da cassação da chapa Dilma-Temer no TSE, o que levaria o vice-presidente a perder o cargo, na sequência. Mas, não sejamos otários. Não nos deixemos enganar pela turma que sempre se locupletou às custas do erário. Passando o impeachment, fecharão as portas para quaisquer mudanças. A lava jato será encerrada e teremos um arrocho enorme, com perdas de direitos, principalmente trabalhistas, como nunca se viu na história deste país.

E, adivinhem quem serão aqueles a pagarem a conta? Certamente, os mais pobres.

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