O discurso de Dilma

No discurso, a coragem e a altivez da presidente, com seus argumentos consistentes e irrefutáveis, todos impiedosamente massacrados por um rolo compressor maquinado nos porões da reunião do dia 10 de março, entre peemedebistas traidores e tucanos inconformados com quatro derrotas seguidas

Siga o Brasil 247 no Google News Assine a Newsletter 247

Começou falando de seu passado guerrilheiro: "Na luta contra a ditadura, recebi no meu corpo as marcas da tortura.". E lembra a guerreira do presente: ".diante das acusações que contra mim são dirigidas neste processo, não posso deixar de sentir, na boca, novamente, o gosto áspero e amargo da injustiça e do arbítrio. E por isso, como no passado, resisto... Não esperem de mim o obsequioso silêncio dos covardes.".
Segue falando de sua luta por uma sociedade sem fome, e sem miséria; por um Brasil soberano e socialmente justo. "Disso tenho orgulho. Quem acredita luta".

Nas redes sociais, nas discussões do dia a dia, fica muito perceptível a maioria dos brasileiros desconectada de uma compreensão histórica de nosso país. É como se a política fosse estanque, sem uma ligação com o passado.

O discurso da presidenta joga um potente facho de luz para se enxergar na sua saída, o maquiavelismo descarado da elite política e econômica nacionais, a mesma que 'suicidou' Getúlio, golpeou Jango e quase derruba Juscelino: "No passado da América Latina e do Brasil, sempre que interesses de setores da elite econômica e política foram feridos pelas urnas, conspirações eram tramadas resultando em golpes de estado". A presidente se referia a Zelaya em Honduras, Lugo no Paraguai, Chavez na Venezuela. Todos eleitos pelo voto popular e derrubados dentro do mesmo requinte da falácia e da hipocrisia.

No meio do discurso desmascara a farsa: "Invoca-se a Constituição para que o mundo das aparências encubra hipocritamente o mundo dos fatos. ". E denuncia com veemência que "o autor da representação junto ao Tribunal de Contas da União que motivou as acusações discutidas nesse processo, foi reconhecido como suspeito pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal".

Acusa ainda o descaso e a profunda insensibilidade social do governo interino: "A ameaça mais assustadora desse processo de impeachment sem crime de responsabilidade é congelar por inacreditáveis 20 anos todas as despesas com saúde, educação, saneamento, habitação. É impedir que, por 20 anos, mais crianças e jovens tenham acesso às escolas; que, por 20 anos, as pessoas possam ter melhor atendimento à saúde; que, por 20 anos, as famílias possam sonhar com casa própria".

O Brasil inteiro conhecia os motivos que detonaram o processo de sua derrubada, mas ela fez questão de jogar na cara de seus algozes, que além do sentimento de vingança do corrupto Eduardo Cunha, " ...outra poderosa força política a elas se agregou: a força política dos que queriam evitar a continuidade da "sangria" de setores da classe política brasileira, motivada pelas investigações sobre a corrupção e o desvio de dinheiro público".

E ainda sobrou tempo para mandar um recado sutil a Temer e seus comparsas: "Entre os meus defeitos não está a deslealdade e a covardia".

No discurso, a coragem e a altivez da presidente, com seus argumentos consistentes e irrefutáveis, todos impiedosamente massacrados por um rolo compressor maquinado nos porões da reunião do dia 10 de março, entre peemedebistas traidores e tucanos inconformados com quatro derrotas seguidas .

E aí, não deu outra. No placar final, 54 milhões de votos democráticos, derrotados por 64 votos negociados

O registro da história há de coincidir com a opinião da imprensa mundial, configurada na charge ferina do conservador THE NEW YORK TIMES e na crítica contundente do liberal LE MONDE, que apontaram a sanha de corruptos em busca do poder e expuseram com cristalina nitidez a tendenciosidade pornográfica da mídia nativa, que respaldou, abençoou e aplaudiu o golpe desferido na presidente, eleita pela vontade democrática de 54 milhões de brasileiros.

Participe da campanha de assinaturas solidárias do Brasil 247. Saiba mais.

Comentários

Os comentários aqui postados expressam a opinião dos seus autores, responsáveis por seu teor, e não do 247