O espantalho do Brasil

A casa-grande nunca deixou de tratar o Brasil como uma grande fazenda. Bolsonaro encarna esse espírito e demonstra, todos os dias, que não se importa com as vidas, eminentemente de pobres, consumidas diariamente pelo coronavírus

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Um choque de crises coloca o Brasil nu. Infelizmente, a inação social que não impede Bolsonaro, de fato, custará muito caro. Indiferente à voracidade do vírus e da ostensiva e calculada omissão de Bolsonaro, a histórica disparidade social se evidencia tão impressionantemente quanto a sinuosa linha que separa as cores dos rios Negro e Solimões. A classe dominante, 20%, se julga protegida da pandemia e cumpre um isolamento com segurança e conforto. Bem diferente de 60% da população, mais de 120 milhões de brasileiros para quem as condições são opostas, no transporte, serviço sanitário, trabalho, educação, renda, lazer, cultura, habitabilidade, que são, todos ao mesmo tempo, problemas estruturais a serem resolvidos.

Soma-se a isso, uma sociedade às cegas, conduzida por um governante já provado inepto, temerário e absolutamente a serviço da classe dominante. Apesar de satisfazer a parcela que ganha com a crise, Bolsonaro é um prejuízo porque provoca desconfiança internacional, quanto à estabilidade democrática do Brasil. Investidor estrangeiro não tem interesse em lugar onde o presidente e o seu filho declaram abertamente, sem sanção alguma, até agora, que haverá uma ruptura democrática no País. Esse capital quer estar onde o devido repeito às instituições democráticas sejam observados, a mão de obra seja barata e haja atrativos fiscais. Bolsonaro é o espantalho que impede os brasileiros de entrarem em outros países e afugenta a entrada de investimentos no Brasil. A comunidade internacional está estarrecida como o presidente conduz a política de combate ao coronavírus.

O Brasil não tem um presidente, mas um ostensivo e voluntarioso vetor de transmissão de um vírus contra o qual o combate passou ao segundo plano. A sociedade está concentrada em não se cansar de se estarrecer com Bolsonaro, que é a encarnação do desastre e da dizimação. O Brasil alcançou os 30 mil mortos desejados pelo presidente, que defendeu uma guerra civil, durante uma entrevista. Fosse um outro governo, talvez estivéssemos falando dos resultados de seus esforços no enfrentamento à pandemia, como a destinação de recursos para a classe trabalhadora, para as micro, pequenas, médias e grandes empresas. Mas não, somos obrigados, incrédulos, a tomar conhecimento de que dezenas de milhões de brasileiros estão, no exato momento desta breve leitura, sem saber com o que vão comer, ao londo deste dia.

Para o campo da esquerda, Bolsonaro não é novidade. Ela denuncia suas posturas políticas desde antes da sua estapafúrdia, porém fatal candidatura à Presidência. Bolsonaro cresceu à sombra da silente e interessada omissão da imprensa comercial, voz da classe dominante. Ela apoiou abertamente a eleição do caos e, agora, não sabe o que fazer com ele. A mídia deu espaço e holofote para cerca de 30% de desinformados ou interessados que seguem Bolsonaro. Deveria ter a dignidade de reconhecer o seu papel e desconstruir o espantalho que assola o Brasil. Porém, ela não o fará porque essa não é a ética da voz do seu dono. Para sustentar a pauta econômica, ela finge não enxergar e não sentir o cheiro de um presidente que elegeu a nação como sua inimiga e que não vai descansar enquanto não destruí-la. Essa é a ideologia da classe dominante, que vê o Brasil como nada além de um entreposto comercial, com farta riqueza e mão de obra barata.

As propostas enviadas pelo governo são, via de regra, prejudiciais para a classe trabalhadora. A lógica é atender os interesses de pouco mais de 20%. Dentro dessa parcela, há os que o apoiam e os que o toleram, para sustentar Paulo Guedes à frente de toda a destruição da capacidade de o Brasil conseguir voltar a planejar criar empresas estratégicas, como Petrobras, Banco do Brasil, Caixa, Eletrobras. Depois de entregar aos interesse do desenvolvimento de outros povos, não sobrará nada para a nação reconstruir sua soberania. O Brasil tem um presidente que adota meditas que prejudicam o País e os brasileiros. A imprensa não mostra porque os seus donos têm interesse nesse processo de entrega do País. Essa é a classe dominante e é para ela que Bolsonaro trabalha.

A casa-grande nunca deixou de tratar o Brasil como uma grande fazenda. Bolsonaro encarna esse espírito e demonstra, todos os dias, que não se importa com as vidas, eminentemente de pobres, consumidas diariamente pelo coronavírus. Há algo de muito errado quando o combate à pandemia e as satisfações que o governo devem ao Brasil são ofuscadas pela vaidade egoísta e destrutiva de um presidente que a coloca acima de tudo e de todos. Chegamos num ponto que, mesmo sem Bolsonaro, quaisquer medidas racionais, lógicas e humanitárias tomadas, agora, serão diminutas diante do que a capacidade da negligência genocida do presidente já causou. É urgente o impedimento de Bolsonaro, sob pena de aprofundar ainda mais a crise. Fora, Bolsonaro.

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