"O governante tem que ser humano" (Duque de Urbino - 1450)

O horror que se abateu sobre Manaus derramou-se por sobre nós brasileiros, todos. Dificilmente se poderá relatar algo tão doído na nossa história

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O horror que se abateu sobre Manaus derramou-se por sobre nós brasileiros, todos. Dificilmente se poderá relatar algo tão doído na nossa história. Dor, raiva, revolta contra nossos governantes. Nunca esperávamos ver tanta desumanidade, tanta incompetência, tanta irresponsabilidade. Nos envergonha e nos enxovalha diante do mundo, que nos olha com piedade, mas incrédulo. Não há dúvidas que um golpe como esse tem um responsável nítido: o Presidente da República, que não articulou nada, não tomou nenhuma providência, ficou inerte, nada comandou, como é de seu dever. E o que mais causa indignação é sua reação mesquinha, curta, medíocre, pequena, própria de um ser menor, quanto mais de um governante, a dizer que cumpriu sua parte e que o isolamento mata mais do que Covid.

O que nos consola é a ação hercúlea, humanitária, solidária daquela gente de Manaus, os profissionais de saúde à frente.

Bolsonaro não é humano no sentido na exigência da República.

Os americanos provaram que o seu presidente igualmente não é humano e o jogaram para fora. Bolsonaro e Trump têm demonstrado desumanidade a toda hora, em diversas ações e atitudes. Especialmente na verborragia. Aliás, a linguagem de ambos é pobre, rasteira, medíocre.

E ambos mentem.

Trump separa filhos de imigrantes de seus pais, constrói muro para separar mexicanos e diz que o México pagará a conta, foi displicente na pandemia; Bolsonaro chegou à irresponsabilidade na pandemia, dirige agressões a adversários, faz xingamentos contra mulheres, negros e tantas outras estrepolias.

Mas ambos foram eleitos, tem que ter seus mandatos respeitados, tem que ser engolidos até o fim. Lá engoliram o Trump até derrotá-lo nas eleições. A hora de Bolsonaro vai chegar. A sua incompetência, seu despreparo e, acima de tudo, sua desumanidade irão derrotá-lo nas eleições. Basta não errarmos tanto e traçarmos uma estratégia coerente. E estarmos ao lado do povo, defendendo seus direitos e puxando por suas aspirações.

Já erramos muito na estratégia. Quando adiaram as diretas de 1985 para 1989, perdemos a chance de derrotar a ditadura, os que a sustentaram e suas políticas. Quiseram assumir o poder pelo Colégio Eleitoral e não pelo voto direto. Conseguiram. Deram tempo para fabricar o Collor. Quando fizemos o impeachment do Collor, deixamos de derrotá-lo e suas políticas neoliberais nas eleições e aí os donos do Brasil tiveram tempo de fabricar o Plano Real e o Fernando Henrique. Conseguiram fazer o que o Collor nâo havia conseguido: implantar políticas neoliberais radicais de desmonte do Estado e retirada de direitos. 

Agora, o mais importante é derrotar Bolsonaro e sua turma e todos os seus parceiros dessas políticas desumanas. Pois de pouco adiantará afastar Bolsonaro e deixar soltos os que apoiam sua política econômica que sufoca nosso povo e compromete a nação. Irão até posar de antibolsonaristas, de democratas. Bolsonaro já ultrapassou a metade, está em contagem regressiva.    .

A República se assenta na soberania popular, na investidura pelo voto. Cassar um mandato é romper a investidura popular. É preciso causas muito profundas, muito sérias. Senão, vamos justificar os que falaram em pedaladas, um golpe deslavado. Queremos o respeito ao voto como coisa sagrada do nosso povo que vai nos consagrar no ano que vem.

Já há muitos motivos, muita raiva acumulada para cassar Bolsonaro. Mas o que precisamos é derrotá-lo, ele, toda a sua turma e todos os que o fabricaram e o ajudam a levar adiante as políticas antinacionais e desumanas que estão a sufocar nosso povo. 

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