O impeachment do Papai Noel

E no meio de toda essa farofa natalina me veio uma dúvida. Se o papai Noel cair, quem assume é o Aécio, o Michel ou o Cunha? Bom! Seja lá qual dos três for, continuaremos com a certeza de que papai Noel nunca colocará os pés na favela

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Segundo a lenda, Papai Noel é um bom velhinho, muito rico, de barriguinha saliente e que costuma trazer presentes para as crianças bem comportadas, nas noites de natal. A tradição de fazer a felicidade dos pimpolhos pode estar baseada na história de vida de São Nicolau, arcebispo de Mira na Turquia, no século IV, que costumava ajudar anonimamente quem estivesse em dificuldades financeiras. O bondoso Nicolau colocava um saco de moedas de ouro nas costas e o depositava na chaminé das casas dos necessitados. E fazia tudo isso sozinho, sem auxilio de renas ou trenós. Talvez por todo esse seu altruísmo, foi considerado santo pela igreja católica, depois que muitos milagres lhe foram atribuídos.

Mas como toda imitação nunca fica exatamente como a versão original, porque a essência da criação é diferente, Papai Noel criou as suas regras para distribuir os seus presentes. Talvez, por não ter a mesma grana que São Nicolau ou quem sabe por não existir de fato, em carne e osso como ele. O fato é que o velho Noel instituiu a meritocracia tão cantada em verso, prosa e conversa fiada por alguns membros da elite tucanocrata brasileira, como requisito básico para ser agraciado na noite de natal. Noel não queria mais sustentar “vagabundos”, distribuindo “peixes” para todos, sem que esses tenham feito por onde merecê-los.  Principalmente os mais pobres e necessitados. A esses, no máximo ele agora agraciava com uma varinha de pescar.

Talvez essa nova política de “distribuição de presentes”, justifique o fato dele não ser muito chegado a visitar as favelas e as comunidades carentes. Uma vez questionado sobre essa sua suposta rejeição, ele tentou se justificar dizendo que nas casas da favela não tinha chaminé e que isso tirava o glamour do seu ritual. E também disse que as crianças carentes tinham maus hábitos, não comiam na hora certa e não sabiam se comportar como as crianças das casas dos jardins. Alertado de que algumas delas não comiam na hora certa pelo fato de não terem comida suficiente para fazerem todas as refeições diárias diferentemente das crianças das casas dos jardins e que o comportamento de algumas delas era fruto do meio em que foram criadas, o bom velhinho retrucou dizendo que isso era desculpa de gente pregui&ccedi l;osa que estava acostumada a receber a bolsa auxilio do comunista e populista São Nicolau.

O fato é que se papai Noel forjou a sua existência inspirado na história de vida de São Nicolau e foi “eleito” o seu sucessor na missão de dar um pouco de alegria aos que possuem menos recursos, ele não vem fazendo um bom governo há muito tempo. E por que ninguém ainda pensou na possibilidade de se instaurar um processo de impeachment contra ele? Não teria ele durante todos esses anos dado pedaladas seletivas e conduzido o seu trenó para os lugares mais agradáveis aos seus olhos? Por que a carta escrita por um vice-presidente magoadinho por que nunca teve a sua amizade de onça reconhecida e premiada por sua chefa, repercute mais do que a carta escrita pelo Pedrinho, menino pobre da comunidade, que pediu para papai Noel uma bicicleta de presente e não foi atendido? Papai Noel também não deveria governar para todos?  Ou será que o bom velhinho se filiou ao PSDB?

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Por mim já temos provas mais do que suficientes para pôr um fim ao governo dos elfos e renas. O problema é que os sempre esquecidos na gestão do bom velhinho não têm força para protestar. Se decidirem protestar em grupo batendo panelas em suas lajes, ou ficam sem o utensílio para cozinhar ou ficam sem a laje. Se resolverem organizar uma manifestação a beira mar, correm o risco de serem confundidos com um arrastão e de acabarem sendo abatidos por capatazes da polícia alckmista. Sem contar que seriam reprovados pela minoria privilegiada residente no local que lhes esfregariam na cara o carnê de um IPTU com valor altíssimo e lhes diriam: “Papai Noel é bom, mas é nosso!”.

E no meio de toda essa farofa natalina me veio uma dúvida. Se o papai Noel cair, quem assume é o Aécio, o Michel ou o Cunha? Bom! Seja lá qual dos três for, continuaremos com a certeza de que papai Noel nunca colocará os pés na favela. Nem que a renas tussam!

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Hou! Hou! Hou!

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