O Inverno está chegando

Em resumo, nada do que a Autoridade Palestina fizer, ou deixar de fazer vai mudar o cenário e eles já se deram conta disso. O governo israelense quer que o problema palestino desapareça. Que seja ignorado a qualquer custo.

O Inverno está chegando
O Inverno está chegando

Dois jovens soldados acabam de ser enterrados. Cenas da despedida da família e dos amigos são de rachar o coração. Por que isso acontece, é a pergunta que precisa ser respondida.

Os dois soldados foram mortos surpreendidos pelo o que Israel chama de terroristas palestinos do Hamas. Estavam nos territórios ocupados. Lá existem cerca de 600 mil colonos que ocupam terras palestinas e precisam de segurança. É o exército que provem esta segurança.
Semana passada, em outro episódio de violência, uma mãe grávida perdeu seu bebe que precisou ser retirado depois que ela foi baleada em uma parada de ônibus.

Estas foram as vítimas mais recentes do nosso lado. Os palestinos contam as suas no que é um círculo de violência sem fim.
Aqui as coisas funcionam da seguinte maneira: o governo reclama que a Autoridade Palestina não ajuda a manter a segurança, e por segurança entenda-se a dos colonos que já passam de 600 mil ocupando terras palestinas. Querem que os palestinos vivam e deixem viver, como se nada mais fosse importante.

Quando a situação está calma, o governo planeja mais construções nas terras palestinas e reclama que a Autoridade Palestina não quer a paz.

A liberação de construções faz o caldo ferver e logo surgem episódios de violência. Então o governo reclama que a Autoridade Palestina não quer a paz.

Em resumo, nada do que a Autoridade Palestina fizer, ou deixar de fazer vai mudar o cenário e eles já se deram conta disso. O governo israelense quer que o problema palestino desapareça. Que seja ignorado a qualquer custo.

Isso faz com que o Hamas tire proveito da situação. Foi uma célula deles que cometeu os últimos atendados. Fazem isso, não para provocar Israel, mas para desacreditar a Autoridade Palestina perante a população, mostrando que somente eles são capazes de manterem a resistência frente a ocupação e que somente através da força os palestinos podem chegar a um estado independente. O problema no caso é que para o Hamas a Palestina substitui o Estado de Israel.

O Hamas acha que não há com quem conversar em Israel e mostram os fatos como eles se apresentam hoje em dia. Em Gaza o território liderado por eles é uma espécie de Prisão a céu aberto. Tudo o que entra, ou sai, passa pelo crivo de Israel. Aqui pode-se escolher quem veio primeiro ao mundo, se o ovo, ou a galinha. Israel vai dizer que precisa manter esta política de restrição para evitar a violência. O Hamas vai dizer que precisa da violência para se libertar das restrições.

Voltando para a Autoridade Palestina, eles estão diante de dois grandes problemas: precisam enfrentar Israel de um lado e o Hamas de outro. Em meio a isso tudo, uma população dividida entra aqueles que querem levar uma vida normal, viver em paz e buscar seu estado pacificamente, e aqueles que sofrem com a ocupação e querem lutar pelo seu estado por todos os meios possíveis.

Do lado de cá da fronteira, onde existe uma Israel de fato, a população já quase não se preocupa mais com a questão palestina e parece que são os problemas do dia a dia que realmente irritam os israelenses.

Está uma gritaria geral por conta do aumento de preços da luz, dá água, do pão, do leite etc. Já começaram as manifestações contra o governo que prometem se repetir nos próximos dias.

Como curiosidade, os manifestantes estão usando coletes amarelos como os franceses. Os mesmos coletes que utilizam parte dos manifestantes antissemitas na França.

O governo está usando o que mais gosta: das ameaças à segurança do país. Estas ameaças costumam chegar sempre ao nível de sobrevivência nacional. Para isso revelou a existência de 3 túneis construídos pelo Hizbolah, um deles já tendo atravessado a fronteira do Líbano para Israel.

Os túneis estão sendo utilizados para evitar novas eleições, uma espécie de necessidade de união nacional em torno do perigo a nossa existência. Uma desculpa risível que não convence ninguém, mas que serve ao primeiro ministro para tentar se manter no poder em meio aos escândalos de corrupção que vão se somando contra ele.

Enquanto isso nos aproximamos do inverno e uma coisa é certa: não existe guerra nesta estação. Por enquanto, é vida que segue.

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