O juiz agora é réu

"Os últimos acontecimentos dão conta dessa prática nefasta que comprometeu o sistema judiciário de alto a baixo. Os diálogos entre o juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol, tornados públicos pelo site The Intercept, desmoralizam a ideia de justiça"

O juiz federal Sérgio Moro participa de apresentação de um conjunto de medidas contra a impunidade e pela efetividade da Justiça, na sede Associação dos Juízes Federais do Brasil (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil)
O juiz federal Sérgio Moro participa de apresentação de um conjunto de medidas contra a impunidade e pela efetividade da Justiça, na sede Associação dos Juízes Federais do Brasil (Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil) (Foto: Foto: Agência Brasil)

O procurador-geral da Suíça, Michael Lauber, e outros dois procuradores foram afastados das investigações relacionadas com a corrupção na Fifa, informou o jornalista Jamil Chade, em matéria publicada no Estadão.

Os procuradores foram afastados por reuniões não registradas e troca de SMS entre procuradores e pessoas envolvidas no processo. Segundo a matéria, o caso teve início quando a imprensa revelou encontros não declarados entre Lauber e o presidente da Fifa, Gianni Infantino.

Ironicamente, Lauber é também responsável pelas investigações sobre a Lava Jato na Suíça. A prática, também não por acaso, tem correspondência com seus parceiros de operação no Brasil, com quem, talvez, tenha aprendido os maus feitos.

Os últimos acontecimentos dão conta dessa prática nefasta que comprometeu o sistema judiciário de alto a baixo. Os diálogos entre o juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dallagnol, tornados públicos pelo site The Intercept, desmoralizam a ideia de justiça.

Acertos de quem julga com quem promove a acusação, como se vê, não tem justificativa nem registro em qualquer parte do mundo. Em nosso caso, torna-se mais grave ainda quando tal prática teve como objetivo afastar o presidente Lula das eleições. E, além disso, ainda tornar o juiz acusador em Ministro da Justiça.

Na Suíça, os envolvidos na corrupção da Justiça foram sumariamente afastados dos processos em que atuavam. Aqui, o juiz e o procurador flagrados em delito judicial continuam à frente da Lava Jato, ou foram promovidos, enquanto o réu prejudicado continua preso.

Tão grave quanto isso é o Conselho do Ministério Público arquivar o pedido de investigação sobre as práticas dos procuradores. Também sem precedentes é a força tarefa da Lava Jato divulgar nota informando que deletou o conteúdo dos celulares. Ou seja, praticaram o crime de destruir provas.

A decisão adotada pelo STF em relação ao julgamento do Habeas Corpus de Lula teve duas consequências.

Por um lado, manteve ainda preso alguém claramente alvo de um um julgamento fraudulento.   Por outro, mostrou que, agora, quem está sentado no banco dos réus é o juiz acusador.

Lula Livre, já!

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