O laboratório "explotó"

"Os povos, a América Latina e o Brasil, com Lula a frente, estão deixando claro que não aceitarão a recolonização selvagem que o imperialismo pretende impor à região", escreve o jornalista Fernando Rosa. Para ele, cabe às lideranças populares, nacionalistas e patrióticas definirem seu campo, com alianças amplas, regionais, globais – além dos limites eleitorais

Chile, manifestações
Chile, manifestações (Foto: Esteban Felix, Sputnik)

A mobilização popular em vários países sul-americanos nos últimos meses sinaliza que estamos às vésperas de importantes eventos sociais. Em 2016, apontamos para a eclosão de grandes convulsões ao redor do mundo, particularmente na Europa e na América Latina. Também afirmamos, no artigo “O fim do mundo unipolar“, que delas surgirá o novo, com a libertação de Nações e o progresso social.  

É o caso do Chile, por exemplo, que explodiu na última semana contra o aumento das tarifas de transporte público. Foi a gota d’água, que se somou aos baixos salários, a falência da previdência (obra de Paulo Guedes & Chicago Boys), à precariedade dos serviços de educação e saúde. Mas, mais do que isso, expressou a insatisfação da sociedade chilena com as políticas neoliberais que sufocam o país.  

A prova disso é que mesmo após o presidente Sebastián Piñera ter revogado a decisão de aumentar a tarifa, na noite de sexta-feira, os distúrbios seguiram noite adentro, e no final de semana. Nem o toque de recolher foi capaz de impedir saques, incêndios de veículos, edifícios e estações, confrontos com os policiais e o Exército. Além disso, a mobilização, com greve geral marcada, já se espalhou pelas cidades do interior do país.  

O laboratório do neoliberalismo na América Latina “explotó”, como dizem os chilenos, chegou ao limite da exploração, do assalto às riquezas e direitos dos trabalhadores e do povo. Vendido como exemplo de sucesso econômico, o Chile é o retrato da falência da politica ditada pelo sistema financeiro e pelo FMI. As manifestações no Chile foram antecedidas pela revolta no Equador e, certamente, se repetirão, em forma de voto na urna, na Argentina e na Bolívia.  

Aqui, ainda em estado de ebulição subterrânea, o povo paga a conta da destruição da economia causada pela operação Lava Jato. A serviço dos interesses estrangeiros, Sérgio Moro, Rodrigo Janot e Deltan Dallagnol destruíram a indústria nacional e abriram o mercado para as empresas estrangeiras. Um processo brutal de privatização, tendo como alvo principal a Petrobras, é o passo seguinte do assalto, em andamento com o leilão do pré-sal em novembro.  

Diante da crescente resistência dos povos, os chefes mundiais do neoliberalismo perceberam o cenário de conflitos e tentam se antecipar às crises anunciadas. Em agosto, a Business Roundtable, que reúne 181 CEOs das maiores empresas do mundo, revisou posição da maximização a qualquer custo dos lucros dos acionistas. Imediatamente, no Brasil, setores econômicos e políticos, vinculados ao “centro”, passaram a cinicamente defender o combate à “desigualdade”.  

O impasse está criado, portanto, e como tal exigirá uma saída econômica, política e social, cujo perfil dependerá da correlação das forças na disputa. Os povos, a América Latina e o Brasil, com Lula a frente, estão deixando claro que não aceitarão a recolonização selvagem que o imperialismo pretende impor à região. Os traidores da Pátria já escolheram seu lado, cabe às lideranças populares, nacionalistas e patrióticas definirem seu campo, com alianças amplas, regionais, globais – além dos limites eleitorais.

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