O martelo da bruxa...

Sid tibe terra levis Meurer – os fascistas irão prestar contas com a história

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Há tempos insistimos que a roda da vida anda quadrada. Não por acaso nossas instituições acompanham esta quadratura.

Na senda do atraso, a operação lava jato deixa um não legado punitivista exangue ao contrato social, espelhando o porvir insalubre que o regime das angústias fascistas veio sacramentar pós golpe de 2016.

A vaza jato deixou tão evidente essa situação que não nos atrevemos mais dizer, suposto que não se imagina quem questione tais fatos – bem esclarecida nossa imaginação se as diatribes colmatadas por aplicativo que prometia segurança com criptografia de ponta a ponta forem recepcionadas por leitores com mais de um neurônio...

Dir-se-ia: a vaza jato expõe e demonstra a podridão lavajatina, desenhando seu amálgama na sombra de seu divórcio com o estado democrático de direito.

É consequência da desventura política da lava jato o modelo punitivista vertical, parido na república de curitiba, com evolução no STJ e, lamentável, em nossa Corte Constitucional – para nada falar do TRF da 4ª Região em homenagem a sua história grandiosa, até anteontem – bom observar e registrar que há exceções grandiosas nas três Cortes de Justiça.

Um destes magistrados punitivistas é o ministro fachin, do Supremo.

Não foi ele juiz de carreira. Advogou – e isso nos entristece, pois que o Advogado, ao acender a Corte Suprema, deveria levar consigo todos os livros que o ajudaram a lá aportar. De duas uma: o Ministro fachin não leu os livros certos ou lhes agarrou desapego quando sentou na poltrona Suprema... 

De toda sorte e contrário senso de sua marca punitivista registrada, o ministro fachin prolatou a decisão que beneficiou o herdeiro de uma das grandes casas paranistas, no caso da mala com os 500 mil dinheiros entregues pela JBS...

Quando decidiu a favor do deputado que recebeu o dinheiro em espécie, em um shopping center da cidade de São Paulo (cujo maior pecado é não chamar Corinthians), fachin não recebeu senão algumas críticas leves, alusivas apenas a ânsia libertária fora de contexto. Não houve, todavia, quem lhe questionasse a seletividade judicante em favor de uma família abastada de curitiba, já que sua partitura de uma nota só sempre remetia a música de Richard Wagner....

Passou o tempo e fachin seguiu dando a jurisdição punitivista que dele aguarda e confia a extrema direita. Nesse sentido, por exemplo, fachin veio negando pleitos de prisão domiciliar ao Deputado Federal Nelson Meurer, reconhecido portador de comorbidades tópicas que o incluem no grupo de risco para a contaminação pelo vírus pandêmico Covid-19.

Domingo próximo passado (mais conhecido como ontem) Meurer veio a falecer pela contaminação anunciada...

Noves fora e a morte de Meurer à parte (na crítica que pretendemos aqui estabelecer e tão somente, bem entendido!), não podemos desconhecer nosso desapreço pela jurisdição que entrega o ministro Fachin.

Para que não pareça vazio nosso desgosto de sua jurisdição, apontados a ausência de reflexos dogmáticos significativos, alusivos à salvaguarda dos marcos civilizatórios que o Supremo protegeu ao guardar a Constituição.

Como cidadão não lhe conhecemos o necessário, mas há uma conduta sua que não nos desperta qualquer apreço: Ele, fachin, pediu para substituir colega morto em acidente, na relatoria do caso mais politizado de nossa geração.

Não tinha ainda deixado a forma da bunda na cadeira e já pugnava voar mais alto...

A par disso, o ministro Fachin não nos mira os olhos ao defender suas posições. Isso para nós outros, latinistas, é deplorável e fala a desfavor do articulista, suposto que equivale a lamentar o som das próprias palavras, feito os falsos profetas de nosso tempo...

Ele é enfadonho a ponto de parecer levar o criador na barriga (talvez coubesse) e esse enfado, todavia, não dialoga com a carga democrática do estado de direito...

Além do que e principalmente, nos desgosta sua disposição servil, sempre colado aos interesses das casas abastadas da corte, conforme se viu em sua única decisão liminar garantista prolatada no seio da Lava Jato.

Desde ontem, quando soubemos da morte de Nelson Meurer, passamos a ter no Ministro fachin deletério cultural nosso, suposto que não nos conformamos com punitivista seletivo. Nem com insensível moral que esquece o afago de ontem, para justificar a mordida diária...

Nos apressemos, todavia, esclarecer situação que pensamos importantíssima para o desate do tema:  Não havia qualquer obstáculo dogmático a ser contornado na concessão do muito bem lançado pleito de prisão domiciliar pugnando pelo valoroso Michel Saliba, grandioso Advogado de Meurer – antes o contrário; pranteavam decisões paradigmáticas neste sentido, além de haver uma Recomendação expressa do CNJ...

De toda sorte e ainda que houvesse algum senão (ad argumentandum tantum) bastava o Ministro fachin usar do expediente posto no caso da família abastada do paraná, cujo primogênito fora flagrado recebendo uma mala com quinhentos dinheiros da JBS – afinal o precedente era dele...

Mas não. Lavou as mãos o ministro fachin, modulando pilatos, optando pela covardia e colhendo a morte de Meurer...

Tristes trópicos. Aqui juiz deixa preso o desafortunado que não lhe desperta a simpatia certa, condenando-o a morrer. Anteontem foi o jovem das dez gramas de maconha, ontem Nélson Meurer. Que o amanhã não nos caia feito neve, suposto que o inverno de nossa desesperança se anuncia politicamente severo, uma vez que suas flores caídas não guardam sementes.

Aldir Blanc e Moraes Moreira teriam feito uma música disso. Tim maia adoraria cantá-la. Elis Regina, então, nem se fala... O Ministro fachin não teria gostado da música.

Sid tibe terra levis Meurer – os fascistas irão prestar contas com a história.

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