O ministro da Educação e o fascismo intelectualizado

 Eu gostaria da opinião dos pobres de direita que apoiaram esse governo, sobre a declaração do ministro da educação, o colombiano Ricardo Vélez Rodriguez, que disse as universidades devem ser reservadas a uma elite intelectual. Vocês fazem parte dessa elite? Acredito que devem fazer. Afinal, ninguém apoiaria uma ideologia que o excluísse


Incredulidade. Essa é a palavra que define o meu e o sentimento de outros milhões de cidadãos brasileiros, que observam atônitos o rumo que o país está tomando pelas mãos do atual governo. E o que aumenta a incredulidade dos mais sensatos, é que tudo isso foi avisado bem antes de estar acontecendo. O presidente eleito dedicou todos os seus 28 ociosos anos de vida pública, a uma retórica discriminatória, preconceituosa, violenta, autocrática, conservadora e anti inclusiva.

Mesmo assim, um país cuja a maioria da população é pobre, dá-se o direito de eleger alguém que nutre verdadeiro ódio e profunda aversão pelas minorias. É burrice que se fala, né? Mas, às vezes ela usa a égide da democracia para justificar suas escolhas. Eu gostaria da opinião dos pobres de direita que apoiaram esse governo, sobre a declaração do ministro da educação, o colombiano Ricardo Vélez Rodriguez, que disse as universidades devem ser reservadas a uma elite intelectual. Vocês fazem parte dessa elite? Acredito que devem fazer. Afinal, ninguém apoiaria uma ideologia que o excluísse.

A afirmação do ministro fecha portas. O que é um dos principais objetivos desse governo. A demonização da esquerda e dos governos do PT, por parte da extrema direita, passa, principalmente, pelo ranço que eles têm das políticas afirmativas e inclusivas criadas na era dos governos petistas. Não desceu goela abaixo, o fato de pobres, pretos, mulheres e outras minorias, terem recuperado a autoestima e ocupado o seu espaço na sociedade. Eles precisavam ter o seu país de volta. Aquele país, onde alguns nasceram para servir e outros para serem servidos.

O modus operandi escravocrata, no qual pretos e pobres eram proibidos de frequentar as escolas, está voltando a vigorar. Mas, não adianta apenas  escrever artigos, fazer postagens indignadas nas redes sociais ou morrer de raiva sentado no sofá. É preciso cerrar os punhos e ir a luta contra as ideias nefastas e fascistas dessa plêiade de raposas velhas oligarcas, que querem dominar as ações e o pensamento das minorias. Como já havia dito o presidente eleito, quando ainda era candidato: “Ou as minorias se rendem ou desaparecem”. Não nos renderemos e nem desapareceremos. Lutaremos!

Tentando justificar a sua fala excludente, o ministro da educação citou como exemplo o cara que cursou a faculdade de Direito e acabou tornando-se motorista de Uber. Segundo o ministro: “Nada contra o Uber, mas esse cidadão poderia ter evitado perder seis anos estudando legislação”. Eu já acho que o ministro poderia ter evitado passar vergonha, fazendo tal comparação. Aliás, eu também acho que os cargos públicos deveriam ser reservados apenas a pessoas que trabalhassem para o bem de toda a coletividade. De que adianta o ministro ter cursado faculdade de teologia e filosofia, se ele acabará tornando-se um fascista?

Tomas as medidas sugeridas ou já tomadas pelo atual governo, evidencia uma corrida contra o tempo. Os 13 anos de governo do PT, fizeram com que a direita ficasse para trás. Encurtou a distância entre as classes sociais (ainda que muito pouco) e proporcionou o maior avanço social já visto na história do país. Não esperemos que eles deixem barato, as Universidades que Lula construiu, os projetos de Fernando Haddad enquanto ministro da educação, a presença de pobres e pretos nas salas de aula antes destinadas aos filhos da elite, a voz que ecoou do guetos denunciando a opressão e todo ativismo praticado contra ideologias preconceituosas e seletivas.

Voltando aos pobres de direita que elegeram Bolsonaro, eu torço para que um dia aprendam a ter consciência de classe e entendam de uma vez por todas, que eles não querem os menos favorecidos na sala de aula, nem na sala de visitas. Às minorias, eles reservam uma cadeira cativa no porões da exclusão e aplicam a alienação como disciplina básica e fundamental. Não espantem-se , se acaso eles pensarem em revogar a escravidão. Não será um ato falho. Será uma ato contínuo, de quem habituou-se à desigualdade, à injustiça social e a impor-se através da cor da pele, da condição econômica e da meritocracia hereditária que as capitanias modernas os atribui.

Nada contra o ministro, mas acho que ele poderia ajudar a criar mais oportunidades, para que cidadãos formados em determinada área, não tenham que trabalhar em outra por falta de opção.  E não desestimular, através de uma ideologia sórdida e perversa, o desejo dos mais pobres de adquirir conhecimento. O próximo passo desse governo, será acabar com as cotas sociais e raciais, para a alegria de uma elite batedora de panelas e adoradora do pato amarelo.

A nossa bandeira jamais será vermelha. As nossas Universidades jamais serão de pobres e pretos. A nossa elite jamais será desafiada. A nossa sociedade jamais será igual.

A senzala é logo ali.

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