O morde e assopra de Ciro

A mensagem de Ciro é clara: o processo judicial é justo e todos devem aceitar passivamente as eleições sem Lula em caso de condenação. Afinal a justiça é imparcial e não houve perseguição na primeira ou segunda instância. Nesse caso (condenação), existiria uma outra opção para esse eleitorado sem candidato: ele mesmo

A mensagem de Ciro é clara: o processo judicial é justo e todos devem aceitar passivamente as eleições sem Lula em caso de condenação. Afinal a justiça é imparcial e não houve perseguição na primeira ou segunda instância. Nesse caso (condenação), existiria uma outra opção para esse eleitorado sem candidato: ele mesmo
A mensagem de Ciro é clara: o processo judicial é justo e todos devem aceitar passivamente as eleições sem Lula em caso de condenação. Afinal a justiça é imparcial e não houve perseguição na primeira ou segunda instância. Nesse caso (condenação), existiria uma outra opção para esse eleitorado sem candidato: ele mesmo (Foto: Guilherme Coutinho)

"Lula está pensando que o povo é imbecil?". Há apenas 4 meses, essas aspas de Ciro Gomes estampavam a coluna de Lauro Jardim (O Globo), dando sequência a uma série de ofensivas públicas a Lula após os depoimentos de Palocci. Em dezembro, o pedetista se negou a assinar o manifesto em favor de Lula disputar as eleições, consolidando sua posição na esquerda antipetista. Mas Ciro sentiu nas pesquisas eleitorais o peso de atacar frontalmente o ex-Presidente e resolveu mudar o tom ao se posicionar, nas redes sociais, sobre o julgamento no TRF4. Para Ciro, Lula é inocente, mas cogitar lawfare é insultar a inteligência do brasileiro. Ciro mordeu e assoprou para beneficiar a si mesmo.

Inicialmente, Ciro diz que acredita pessoalmente na inocência de Lula e que "torce" que os desembargadores "não vislumbrem clara sua culpa". Ciro que, há poucos meses, declarava que a candidatura de Lula era um desserviço ao país, deixou claro o tom personalíssimo de seu julgamento, não questionando a lisura do processo ou possíveis interferências eleitoreiras nos julgamentos. Mas ele foi muito além em seu discurso. Nas linhas e nas entrelinhas.

Ciro não perdeu a chance de atacar o discurso petista, mesmo enquanto aparentemente defendia a figura de Lula. Segundo seu texto, imaginar o Poder Judiciário como "parte orgânica de uma conspiração política, ofende a inteligência média do país". Continua dizendo que se isso (perseguição a Lula) acontecesse, justificaria uma "insurgência revolucionária", antes de concluir: "Não creio, definitivamente nisto". Ciro, dessa forma, ridicularizou a possibilidade de Lula sofrer perseguição política. Cogitar isso, como faz a militância petista, seria burrice.

O crédito que Ciro Gomes dá ao modus operandi de nossa justiça é tamanho, que ele voltou a destacar a confiabilidade de nossas instituições judiciais: "a Justiça brasileira ainda deve merecer o respeito institucional da nação. O oposto é a baderna, a anarquia e, evidentemente, a violência". E disse que se é verdade que nenhum tucano foi condenado em 5 anos de Lava-jato, não é irrelevante a prisão de baluartes do PMDB. Novamente mordeu e assoprou. A mensagem de Ciro é clara: o processo judicial é justo e todos devem aceitar passivamente as eleições sem Lula em caso de condenação. Afinal a justiça é imparcial e não houve perseguição na primeira ou segunda instância. Nesse caso (condenação), existiria uma outra opção para esse eleitorado sem candidato: ele mesmo.

Ciro simulou um sensível apoio à democracia, sem, contudo, criticar as instituições que a suprimem desde o golpe de 2016. Tentou, a partir de um texto genérico, morder e assoprar para não perder capital político em nenhum lado do muro. A maior preocupação em respeitar a decisão – e não em seu mérito – justifica-se no fato que Ciro imagina que possa herdar alguns votos de Lula no caso de seu impedimento. Portanto é melhor não desacreditar uma vindoura sentença que pode se provar benéfica a sua candidatura. O resto é arrogância e oportunismo.

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