O Padre e os “nóias” governistas

Fazer o bem no Brasil da era Bolsonaro, pode ser um grande problema para o verdadeiro altruísta; os monstros saíram do armário com a tranquilidade de quem é bem aceito e impune

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Gostaria muito de escrever uma crônica alegre, para cima, levantar o astral dos meus poucos leitores para a beleza da vida, trazer a minha verve gaiata e cearense para essas poucas linhas; mas apesar de sempre pensar naqueles que me leem, sou transparente como água cristalina; e a minh’alma do colonizador lusitano, melancólica e grave submerge diante das notícias que recheiam alguns dos meios de comunicação desse país. Sei que essa cantinela anda recorrente por aqui, mas fazer o quê? 

Nunca fui afeita às religiões, mas em contrapartida sempre senti a espiritualidade como algo que transcende os templos o que, para mim, tem muito mais a ver com uma organização cósmica universal, do que a reunião de pessoas em torno de certos dogmas.  Entretanto mesmo passando longe dos templos, reconheço e admiro o trabalho de alguns líderes religiosos, que fazem a diferença na condução da fé de quem os procuram. 

Dentre eles, posso citar Leonardo Boff, de quem tenho muitas obras na minha modesta biblioteca; o meu recente amigo Dom Orvandil, do canal Cartas Proféticas, lúcido e sincero, nos emociona com suas palavras biblicamente contundentes; a pastora Eliad, da Igreja Metodista de São Paulo, quem eu conheci e me deu a alegria de compreender o que é ser uma pastora sensata, em conversa no meu canal, Vermelho Pimenta; Monja Coen, que é uma monja “gente como a gente” e que muito me inspira e me motiva nas batalhas diárias, além do Babalorixá Saul de Medeiros, que vem fazendo um trabalho responsável na orientação da fé no seu terreiro. 

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Todavia um sacerdote, há tempos, detém a minha atenção. Desde a época em que abrigava crianças órfãs e portadoras de HIV, na Casa Vida, fundada por ele, no início dos anos 1990. Nesse mesmo período fui mãe. E todas as notícias relacionadas às crianças mereciam de minha parte uma cuidadosa atenção – era mãe de primeira viagem – e o movimento de acolhimento àqueles pequenos órfãos, me tocava profundamente. O país vivia sob a égide da ignorância em relação à AIDS e do preconceito com os soropositivos.  Lancelotti estendia a mão às crianças doentes, marginalizadas pelo obscurantismo e alheamento da sociedade. Atualmente, (há mais de uma década), seus olhos misericordiosos e trabalho incansável estão atentos às pessoas em situação de rua, em São Paulo. 

Fazer o bem no Brasil da era Bolsonaro, pode ser um grande problema para o verdadeiro altruísta; os monstros saíram do armário com a tranquilidade de quem é bem aceito e impune. Assistimos, não sem surpresa, o Padre ser ameaçado de morte pelos verdadeiros “nóias”, os “nóias governistas”; representantes do ódio que sequestra cotidianamente a esperança dos brasileiros. Para esses sujeitos não basta odiar, tocar fogo, oferecer comida envenenada e cuspir nos desvalidos, cabe odiar também a quem lhes dá guarida e proteção. Em mais um ato corajoso foi às redes sociais fazer a denúncia publicamente e à delegacia, um boletim de ocorrência. Assim, solidarizo-me com o Padre Júlio Lancelotti e espero avidamente que mais padres, pastores, monges e babalorixás rezem, orem, e batam seus tambores por esse país.

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