O país das fobias

Uma sociedade só deixa de ser reacionária se a transformação fizer parte do dia a dia. Para transformar é preciso conhecer e para conhecer é preciso estudar, ir à escola e se informar. Nada disso está sendo estimulado pelo governo atual, muito pelo contrário

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Quando o presidente da República diz que "homem quer ter filho homem e filha mulher", já imaginamos as consequências nas pessoas comuns que não sabem muito bem o que pensar a esse respeito e reproduzem o que ouviram a vida toda. Acabam dando razão a isso e a toda a onda de fobias várias que acometem o Brasil.

Temos leis até bem progressistas, criadas em momentos democráticos deste país, mas o conhecimento e a aplicação delas acaba ficando bem aquém do que seria necessário. Aí, o que prevalece é o descumprimento destas leis através de atos violentos de fobias tais como feminicídios, transfobias, agressões a gays e um bullying generalizado nas escolas e na sociedade em geral. 

Queria abrir um parênteses aqui para analisar o termo fobia. Nos livros ficamos sabendo que "fobia é um tipo de perturbação da ansiedade caracterizado por medo ou aversão persistente a um objeto ou uma situação". Ou seja, beira a patologia e o que acontece aqui no Brasil é, na maioria dos casos, um comportamento social baseado no preconceito e não só na doença. 

Temos uma classe média estabelecida em princípios retrógrados e deploráveis e a maior parte desses princípios acaba vazando para quem vem atrás e também quer ser classe média. A falta de escola, de educação, de princípios acaba eliminando o futuro dessas pessoas. Vivem orientadas pela falta de orientação, por uma espécie de instinto de sobrevivência equivocado onde acabam estabelecendo regras violentas para a eliminação de quem não se encaixa nos padrões vigentes. 

É muito mais um preconceito e uma atitude opressora do que realmente uma fobia. Ninguém tem medo de gay e das mulheres, a não ser um medo psicológico de perder o poder que acham que têm. Na realidade tudo parte daí. O medo de perder o poder. As mulheres ameaçam os homens com seu crescimento na sociedade, suas conquistas e suas reivindicações. Os gays, os trans e até mesmo os negros acabam ameaçando também estes mandamentos, os de quem manda na sociedade, os princípios religiosos e os ensinamentos sexuais herdados. É tudo uma grande massa falida que insiste em determinar nosso comportamento. 

Uma sociedade só deixa de ser reacionária se a transformação fizer parte do dia a dia. Para transformar é preciso conhecer e para conhecer é preciso estudar, ir à escola e se informar. Nada disso está sendo estimulado pelo governo atual, muito pelo contrário.

E, finalmente, como não há punição eficaz contra as fobias elas vêm sendo praticadas na maior. Homens matam mulheres como há muito tempo não acontecia. Gays são agredidos, sejam homens ou mulheres, andando nas ruas. Casais homoafetivos são humilhados e expulsos dos táxis parecendo seres repulsivos e negros continuam sendo tolerados, na melhor das hipóteses, apenas tolerados por uma sociedade branca e preconceituosa que se acha muito mais do que é.

Não sei onde vamos parar se alguma coisa a médio e longo prazo não for feita. Aplicar as leis que já existem seria muito bom, um ótimo começo mas para isso é necessário vontade política de transformação, produto raro na praça.

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