O parlamentarismo e a elite equivocada

Estão incomodados porque sem candidatos viáveis (os de sempre estão afundando em desprestígio decorrente de denúncias) e vendo seus títeres artificialmente forjados afundarem em mediocridade e "nonsense", a elite, desconhecendo olimpicamente o fato de que o povo brasileiro já rejeitou em duas oportunidades o parlamentarismo, tenta relançá-lo

Foto externa do Congresso Nacional 
Foto externa do Congresso Nacional  (Foto: Décio Lima)

A palavra elite em sua origem caracterizava produtos de qualidade excepcional, posteriormente, a partir de Gaetano Mosca e sua doutrina da classe política, se transformou em conceito político e sociológico.

Elite agora de um modo geral é entendida como um grupo detentor de grande poder e dominante na sociedade. Na visão dos segmentos mais conservadores, a elite seria o estamento social responsável por detectar, encaminhar e atender (se assim o decidirem) as necessidades do povo. Trata-se do cerne do pensamento reacionário: há uma elite que sabe tudo, tudo tem e tudo pode e há o povo, a massa que precisa ser orientada, dirigida porque não sabe o que quer, não sabe votar, não sabe dizer quais são as suas prioridades e, portanto, é irresponsável.

Trata-se evidentemente de uma visão de mundo eivada de arrogância e preconceito, muito distante do que legaram os pensadores fundamentais da civilização como Cristo, Buda, Gandhi e outros tantos que há milênios pregam a liberdade, a igualdade e a fraternidade. É também uma postura incompatível com a ideia de democracia e, por isso, constituem uma elite equivocada.

Estão equivocados, primeiramente sob a ótica teleológica, na medida em que sempre que a sua vontade é contrariada se ressentem e partem para a imposição de soluções criativas na linha da democracia "relativa".

Em segundo lugar, se equivocam por entender que a sua responsabilidade social se resume à dimensão econômica, isto é gerar emprego, pagar impostos etc. etc. Não se percebem como integrantes de uma comunidade (a não ser a comunidade "socialite"), mas costumam se comportar como "consultores" sobre qualquer tema, e, como tal, sabem qual é o melhor futuro para a "polis".

A elite equivocada não admite ameaça aos seus privilégios, que percebem quase como um direito divino. Seus negócios devem ser subsidiados (e se contrariados ameaçam deixar o país, afinal são "cidadãos do mundo"). Seus interesses pessoais e familiares são prioritários e por isso o espaço público deve ser privatizado, o Estado deve ser minimalista (no tamanho exato que permita apenas salvaguardar a sua mesquinharia míope).

E quando a política eventualmente se orienta para o novo (e para o povo), se a questão social começa a merecer prioridade e, em decorrência, não mais privilegia os poderosos, eles atacam, mais uma vez equivocadamente, o poder constituído e procuram recuperar o mando "perdido" a qualquer custo.

Foi assim com Getúlio, com Jango e foi assim no vergonhoso processo de "impeachment" da Presidenta Dilma e tem sido assim com o interminável massacre jurídico e midiático do Ex-presidente Lula. Precisam ser "exterminados", simplesmente porque são líderes que ousaram implantar políticas de inclusão social e minimização da miséria em todas as dimensões.

Nos últimos dias, a elite equivocada, ao perceber a possibilidade do retorno de um governo verdadeiramente republicano, com as eleições de 2018, começa a defender o sistema parlamentarista de governo. Temem o "jararaca" e o "Coração Valente".

Estão incomodados porque sem candidatos viáveis (os de sempre estão afundando em desprestígio decorrente de denúncias) e vendo seus títeres artificialmente forjados afundarem em mediocridade e "nonsense", a elite, desconhecendo olimpicamente o fato de que o povo brasileiro já rejeitou em duas oportunidades o parlamentarismo, tenta relançá-lo.

Tudo muito parecido com o que ocorreu em 1961. Com a renúncia de Jânio Quadros, políticos e militares "teleguiados" pela elite equivocada impuseram um parlamentarismo híbrido como condição para a posse de João Goulart (então vice-presidente). Durou pouco. Mas insistente a elite equivocada tentou retomar a ideia em 1993, e de novo o povo a rejeitou em plebiscito.

E agora retomam o desiderato, acreditando que o povo tem memória curta. A sugestão partiu de Michel Temer (rejeitado por mais de 90% dos brasileiros), é firmemente apoiada pelo PMDB e embalado pelo PSDB em programa laudatório na TV.

Mas a nossa gente já sabe os projetos elitistas não tem nada de "Ponte Para o Futuro", é antes uma viagem ao passado.

É a nova fase do golpe.

Conheça a TV 247

Mais de Blog

blog

O esvaziamento da Petrobrás

Sob alegação de tornar o mercado mais competitivo, ativos da estatal estão sendo negociados. Parece haver um esvaziamento deliberado da empresa, sem apontar uma estratégia que justifique tal objetivo

Ao vivo na TV 247 Youtube 247