O pensamento utópico insiste em um salvador: agora Marina

Utópicos agora inventaram Marina Silva, apelidada de 'terceira via', como se a vida tivesse apenas duas direções, ida e volta

Se o pensamento mágico, teorizado pelo sociólogo Francês Lévy-Bruhl, é uma relíquia da mentalidade primitiva no sentido de sonhar uma recompensa oriunda de um ritual; o pensamento utópico continua sendo primitivo, querendo abocanhar a recompensa, só que sem ritual.

Utópicos agora inventaram Marina Silva, apelidada de 'terceira via', como se a vida tivesse apenas duas direções, ida e volta. Continuam buscando na figura do presidente da república um salvador. Querem o síndico milagreiro, o operoso de plantão.

Outorgam 4 anos a um presidente para testar. Se gostarem reelegem. Não há fio ideológico, raiz partidária, fidelidade política ou mesmo coerência pessoal própria de um eleitor minimamente politizado.

Marx, citado por Habermas, Teoria e práxis, p. 70, fala nos 'comunistas teoricamente esclarecidos' que deveriam continuar o processo de esclarecimento dos trabalhadores. É o avesso desses aí. Aqui não há ideologia, teoria ou esclarecimento. Só 'debate de TV'.

Tudo parece se resumir à simpatia. Mas isto não é só com Marina. O inverso pode estar se dando com Dilma e sua indefectível cara amarrada. Também se deu com Lula quando se buscou caricaturizá-lo [preconceituosamente] por sua língua presa e falta de dedo. No mundo do preconceito os desejos empáticos são mais importantes do que programas de governo e análises sérias.

Com este pensamento utópico, o processo de fidelização se torna muito mais difícil do que o de conquista por primeira vez. Aí pode estar o sucesso marqueteiro de Marina, sua abrupta subida em intenção de votos. Algo mais ou menos como 'vamos ver no que dá'.

Certamente, a própria equipe de Marina sabe que esse eleitorado é composto de dândis ideológicos. Não há qualquer estabilização em Marina não por culpa dela, mas porque ela jamais teve tempo hábil de sedimentar um arco ideológico ou teórico mínimo na política. Como também não tem um partido a lhe dar essa sustentação.

FHC com toda a intelectualidade não foi um fidelizador para efeito sucessório, não emplacou ninguém depois. Lula foi, emplacou Dilma. Mas Dilma dificilmente sê-lo-á. A grande frustração do Psdb passou a se chamar Aécio, atropelado por uma fumaça.

Talvez a grande mea culpa, até involuntária, tivesse que ser do próprio eleitor. Sua condição famélica no plano histórico da educação o fez refém de imagens construídas mentirosamente por marqueteiros.

Os debates não mostram mais Dilma, Aécio e Marina como eles são de verdade. Mostram um subproduto de uma escória intelectual especializada em mentir para um público fidelizado em Ana Maria Braga, Ratinho, Datena e Faustão.

Faz lembrar o saudoso Chacrinha que dizia vir para confundir.

Se o eleitor quer um teatrinho com final feliz – aí a utopia-, não serão propostas e programas que vencerão. Mas o mais simpático; o mais piegas com maior número de vezes que pegar um bebê no colo para a TV; o mais mundano comendo maior número de sanduíches de mortadela em rodoviárias.

Agora, assessores de Marina assustados com a possibilidade da vitória virtual, sabendo que não têm partido nem base parlamentar, disseram que não precisam do Congresso para governar. Vão utilizar a tática black bloc – as ruas. Mas esta infâmia política que poria o país em grave risco, é motivo para um outro texto.

Do blog Observatório Geral

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