O primeiro pecado de Jesus

(Foto: Divulgação)
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E o Flamengo não resistiu ao Liverpool. O tão esperado bicampeonato mundial não veio, deixando um gostinho amargo na boca dos rubro-negros. Curiosamente, o principal responsável pelo Flamengo ter chegado ao patamar mais alto no futebol brasileiro, foi também o responsável pela derrota do time na final do mundial.

O técnico Jorge Jesus, que desde que chegou ao Brasil vem colecionando recordes e resgatando o DNA ofensivo do nosso futebol, não esteve num dia muito bom. O time vinha fazendo um bom jogo, teve mais posse de bola do que os ingleses durante boa parte do jogo e já tinha criado boas oportunidades para abrir o placar.

O Liverpool teve dificuldades para impor o seu jogo, seu trio ofensivo era bem marcado pelos defensores rubro-negros e não conseguiam demonstrar o futebol que fez o time ser visto como um dos melhores do mundo. O Flamengo mostrava que não estava ali por acaso. Jogava com personalidade, e, em muitos momentos da partida, conseguiu impor o jogo que o caracterizou como a sensação do futebol brasileiro nos últimos anos.

O Jogo estava equilibrado, até que Jesus se viu num deserto de ideias e cedeu a tentação de tirar os seus dois principais jogadores de criação de jogadas. Arrascaeta e Éverton Ribeiro, deram lugar a Vitinho e Diego, respectivamente. A partir daí, o time se perdeu em campo. Diego, mais uma vez, fez uma partida digna dos tempos em que ele era o símbolo do modo banana, como o time jogava na temporada passada.

Aliás, eu não consigo entender essa apologia que alguns comentarista gostam de fazer ao futebol de Diego. Por causa de um chute pra frente contra o River, que resultou na falha da zaga argentina, que, consequentemente, foi bem aproveitada pelo artilheiro Gabigol, os elogios caíram novamente em seu colo. Na semifinal contra o Al Hilal, time bem inferior a River e a Liverpool, novamente ele entrou, e, na visão dos defensores de seu futebol, mudou o jogo.

Talvez, Jesus tenha acredito que Diego fosse capaz de fazer mais um milagre. Mas, para espanto de todos, Jesus estava errado. Diego, nunca foi decisivo na carreira. Não seria agora, que ela já está quase se encerrando. Vitinho até tentou alguma coisa. Foi perigoso pelo lado direito, mas não conseguiu ser decisivo. Para piorar, Jesus colocou o garoto Lincoln no lugar de Gérson, que mesmo um pouco cansado, ou, até mesmo, sem uma das pernas, poderia produzir mais do que o seu substituto produziu.

Lincoln, inclusive, teve em seus pés a bola do jogo, já no segundo tempo da prorrogação. Quando numa das tentativas de Vitinho pela direita, a bola sobrou limpa para ele, quase na pequena área, e ele chutou por cima do gol. Acertando um pobre camelo, que passeava distraído pelo deserto do Saara. O Liverpool soube aproveitar os erros do Mister, que fez o Flamengo perder a posse de bola e o meio de campo, e num contra-ataque mortal, o brasileiro Roberto Firmino fez o gol do título inglês.

Bruno Henrique e Gabigol não tinham mais a companhia das duas cabeças pensantes do time. A bola já não chegava limpa para eles. Arrascaeta e Éverton Ribeiro, jamais poderiam ter saído naquele momento do jogo, em que o time estava equilibrado e assustava ao Liverpool. Um pecado que Jesus não poderia ter cometido. Logo ele, o redentor do futebol rubro-negro. O cara que libertou o time e a torcida, do futebol pobre e previsível de seu antecessor Abel Braga.

Após o apito do árbitro, fiquei com a sensação de que foi o Flamengo quem perdeu para o Liverpool. E não o time inglês que ganhou do rubro-negro. Dava para ter ganho essa partida. O bicho papão não é tão malvado quanto se diz. Perdemos num detalhe, que durante os últimos cinco meses, fez toda a diferença. A capacidade do nosso Mister, de enxergar o jogo. Jesus, pela primeira vez, errou. Seu pecado, mesmo tendo sido mortal para as pretensões do Flamengo no jogo, precisa do nosso perdão. Ele ainda tem crédito.

Saudações rubro-negras!

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