O que podem falar Duda e Valério em suas delações

"Duas possíveis novas (!) delações rondam e assustam o mundo político. A primeira delas é a de Duda Mendonça, personagem que emergiu das águas revoltas da CPI dos Correios, em 2005, ficou desaparecido por algum tempo e ressurge agora no tsunami da Lava-Jato. O outro, não menos antigo, é o empresário Marcos Valério, que mais uma vez se oferece para depor numa delação premiada, para falar ainda de coisas que teriam ocorrido na época do mensalão, com algumas pitadas da atualidade", diz Carlos Lindenberg; colunista do 247 afirma que Valério pode estar tentando emplacar a delação para que receba em troca da transferência da prisão de segurança máxima 

"Duas possíveis novas (!) delações rondam e assustam o mundo político. A primeira delas é a de Duda Mendonça, personagem que emergiu das águas revoltas da CPI dos Correios, em 2005, ficou desaparecido por algum tempo e ressurge agora no tsunami da Lava-Jato. O outro, não menos antigo, é o empresário Marcos Valério, que mais uma vez se oferece para depor numa delação premiada, para falar ainda de coisas que teriam ocorrido na época do mensalão, com algumas pitadas da atualidade", diz Carlos Lindenberg; colunista do 247 afirma que Valério pode estar tentando emplacar a delação para que receba em troca da transferência da prisão de segurança máxima 
"Duas possíveis novas (!) delações rondam e assustam o mundo político. A primeira delas é a de Duda Mendonça, personagem que emergiu das águas revoltas da CPI dos Correios, em 2005, ficou desaparecido por algum tempo e ressurge agora no tsunami da Lava-Jato. O outro, não menos antigo, é o empresário Marcos Valério, que mais uma vez se oferece para depor numa delação premiada, para falar ainda de coisas que teriam ocorrido na época do mensalão, com algumas pitadas da atualidade", diz Carlos Lindenberg; colunista do 247 afirma que Valério pode estar tentando emplacar a delação para que receba em troca da transferência da prisão de segurança máxima  (Foto: Carlos Lindenberg)

Duas possíveis novas (!) delações rondam e assustam o mundo político. A primeira delas é a de Duda Mendonça, personagem que emergiu das águas revoltas da CPI dos Correios, em 2005, ficou desaparecido por algum tempo e ressurge agora no tsunami da Lava-Jato para falar certamente de Lula, José Dirceu et caterva , no momento em que o grupo tarefa de Curitiba começa a enredar o senador mineiro Aécio Neves e o pessoal mais próximo a ele. O outro, não menos antigo, é o empresário Marcos Valério, que mais uma vez se oferece para depor numa delação premiada, para falar ainda de coisas que teriam ocorrido na época do mensalão, com algumas pitadas da atualidade.

A delação de Duda foi feita à Polícia Federal e subiu para as mãos do ministro Edson Fachin, que cuida do processo da Lava Jato no Supremo, e que poderá homologar ou não o que Duda ameaça tornar público, depois de tantos anos de imersão. E já começa criando um conflito com o Ministério Púbico Federal que considera ilegal, por ser inconstitucional, delação feita diretamente à Polícia, sem a participação do MPF. Este também parece ser o caso de Marcos Valério, que estaria negociando uma delação premiada com a Polícia Federal, em que promete falar o que ninguém sabe ainda, desde que o tirem da Penitenciária de Segurança Máxima Nelson Hungria, em Contagem, município vizinho de Belo Horizonte, e o levem para uma Associação de Proteção e Assistência ao Condenado – APAC – um modelo novo e interessante de prisão para os que já tiveram suas penas definidas pela Justiça.

Não é a primeira vez que Marcos Valério se dispõe a falar em troca de benefícios. Antes mesmo de ser condenado pelo mensalão, ele chegou a dar algumas entrevistas prometendo revelar informações capazes de oferecer ao Ministério Público pistas valiosas para descobertas de novos crimes e envolvimento de mais gente no processo que corria no Supremo Tribunal Federal. As pistas divulgadas pelos jornais chegaram a chamar a atenção do então Procurador Geral da República, Roberto Gurgel, que mandou chamar Marcos Valério para uma conversa com seus assistentes. Ao final, Gurgel concluiu que as revelações não eram tão relevantes assim e dispensou Valério da troca de favores, em que ele ofereceria fatos e personagens e em troca receberia benefícios previstos na lei da colaboração premiada – essa mesma tão em uso pela Lava Jato, capaz de deixar um peixe graúdo como Marcelo Odebrecht meses na prisão até que ele resolvesse abrir o bico. Ou o pivô de toda essa história, Alberto Youssef, que hoje vive em casa tendo a incomodá-lo apenas uma tornozeleira eletrônica e alguns milhares de dólares a menos, depois de “entregar” todo mundo envolvido no chamado “Petrolão”.

Pois Marcos Valério, principal personagem do mensalão, voltou a acenar para o Ministério Público e a Polícia Federal com promessa de revelações novas de um assunto antigo. E aí está o nó da questão: quem viu as dezesseis pastas em que estão os 53 apensos descritos por Marcos Valério acha que lá dentro não tem mais nada que possa justificar a troca da Penitenciária Nelson Hungria para uma APAC nos arredores de Belo Horizonte. A maioria dos supostos delitos já estaria prescrita e o que sobrou não vale a troca. Essa pelo menos é a impressão dos promotores estaduais e federais que estiveram com Valério diversas vezes.

De qualquer maneira, como Marcos Valério está prometendo falar, pela primeira vez, de assuntos que envolvem, por exemplo, o extinto Banco Rural, de Belo Horizonte, cuja presidente, Kátia Rabelo, passou largo tempo na Penitenciária Feminina Estevão Pinto, em Belo Horizonte, e hoje também está em casa com tornozeleira, condenada que foi a 15 anos e cinco meses de prisão e depois de pagar nove das 12 parcelas da multa de R$2,4 milhões imposta pela justiça. Em Belo Horizonte e em Brasília não é pequena a expectativa dessa possível delação premiada de Marcos Valério. Ele promete – por enquanto apenas promete – revelar segredos escamoteados por políticos mineiros no caso do Banco Rural e citar nomes que usufruem de foro privilegiado. Daí porque sua provável delação deverá ir, também, diretamente para o Supremo, se confirmada a informação de que ele revelará falcatruas perpetradas por políticos mineiros no processo do mensalão, forçando, quem sabe, a abertura de novo processo.

Marcos Valério, por sinal, foi ouvido sexta-feira no Fórum Lafayete, em Belo Horizonte, quando tentou adiar a oitiva alegando que está negociando a delação premiada com a Polícia Federal. Junto com Cristiano Paz e Ramon Hollerbach, Valério foi ouvido sobre o chamado “mensalão tucano”, que teriam promovido em Belo Horizonte para a reeleição do então governador Eduardo Azeredo.

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