O que quer dizer “quem decide se um povo vai viver democracia ou ditadura são as Forças Armadas”?

O receituário da extrema direita não é inédito. Se a democracia for como presidente pensa como é, não se trata por evidente – e nem de perto – de democracia, porque o mandatário há muito faz força para se afastar dela

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No emaranhado em que nos metemos, em que as distopias políticas mantêm parte do público dopado, mas, ao que parece, tende a piorar, porque volta e meia alguém diz algo ainda pior, razão por que se não dispensa – e não se pode dispensar – a produção de escritos críticos para tentar romper o círculo vicioso a que estamos submetidos.  

Cuidado: se você pensou que não estamos lascados, enganou-se... Recentemente, o presidente da República, em habitual equívoco, disse que “quem decide se um povo vai viver democracia ou ditadura são as Forças Armadas” (Cruz-credo!)

Olhem para este ponto de vista cada vez menor do “necropensador”. A fala do presidente, como é notória, limita a noção de democracia. E o imenso buraco que ele abre, diminui ou elimina as outras instituições que representam o conceito de democracia. Aqui reside o ponto central a ser pensado. 

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Esse receituário da extrema direita não é inédito. Se a democracia for como presidente pensa como é, não se trata por evidente – e nem de perto – de democracia, porque o mandatário há muito faz força para se afastar dela. 

O problema é que, de tanto em tanto, vai-se circulando conceitos autoritários, a banalização em massa acontece, os quadros mentais paranoicos aumentam, logo, na fila, por certo, há o fechamento de regime. A lição é antiga. 

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Ora, se a palavra é o “lugar do ser” (Lacan), e “o inconsciente é estruturado como linguagem”, não é difícil entender que o objeto da pulsão do presidente é a ditadura. Enfrentar a realidade, hoje, é, sobretudo, enfrentar os discursos de autoridade.

Esse olhar de democracia, de Jair, não é Democracia, mas sim “bizarrocracia”. Não; não é o mesmo que “vulgocracia”, que pouco se usa, mas está nos dicionários (“vulgo” = “plebe”, “povo”). Afinal, basta perceber que, para o mandatário, povo não é o protagonista jurídico-político (via correição). No conjunto da obra, Bolsonaro é um inimigo do povo. Por isto, parece que “bizarrocracia” é um bom nome para o que saiu da boca do presidente que governa este país, se cabe o verbo.

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