O que significa a nova vitória do Syriza na Grécia

O resultado demonstra que uma parte dos gregos está cansada das tensões e incertezas. Votou claramente pela manutenção no euro, como tinha feito no referendo de julho, mas preferiu as difíceis negociações de Syria ao retrocesso da direita ou à aventura de voltar ao dracma

Alexis Tsipras, head of the anti-bailout Syriza party, speaks during a financial conference in Athens on Tuesday, Dec. 2, 2014.  Tsipras said that Greece’s battered economy could not recover unless the money owed to other Eurozone country’s was cut signif
Alexis Tsipras, head of the anti-bailout Syriza party, speaks during a financial conference in Athens on Tuesday, Dec. 2, 2014. Tsipras said that Greece’s battered economy could not recover unless the money owed to other Eurozone country’s was cut signif (Foto: Emir Sader)
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(originalmente publicado na Rede Brasil Atual)

Pela terceira vez em 8 meses o Syriza triunfa nas eleições gregas. Agora com um cenário diferente da primeira, em janeiro, e do referendo de julho, porque naquele momento o Syriza prometia a saída da austeridade e agora teve que ir às urnas depois de não ter cumprido essa promessa.

Era uma interrogação saber como os gregos reagiriam a essa nova situação, mas a liderança de Tsipras se mostrou suficientemente forte para conseguir a revalidação do seu mandato. Significa que a maioria dos gregos o acompanhou nas difíceis negociações, preferindo as novas medidas à temerosa saída do euro. A própria votação irrisória do setor que saiu do Syriza – menos de 3%, não conseguindo entrar no Congresso –, que pregava o retorno ao dracma, confirma a rejeição dessa alternativa.

O resultado demonstra que uma parte dos gregos está cansada das tensões e incertezas. Votou claramente pela manutenção no euro, como tinha feito no referendo de julho, mas preferiu as difíceis negociações de Syria ao retrocesso da direita ou à aventura de voltar ao dracma.

As visões impressionistas dadas pela mídia internacional de uma ruptura profunda em Syriza, não se confirmaram. Como foi dito acima, a cisão desse partido nem sequer chegou aos 3% de votos para entrar ao Parlamento. O próprio ex-ministro da economia, Yanis Varoufakis, que esteve à frente das duras negociações com a União Europeia e que foi desenvolvendo duras críticas à virada do governo, revelou seu voto no Syriza, única forca popular de esquerda com capacidade de evitar o retorno da direita.

O adversário de Syriza foi novamente a direita tradicional – Nova Democracia. A votação do Syriza foi percentualmente similar à que teve em janeiro, mas foi sintomático que naquele momento a participação popular no pleito foi muito maior e a elevação da abstenção revela que um setor do eleitorado se desinteressou do processo político eleitoral.

Nenhum outro partido se fortaleceu com o desgaste do Syriza a partir das negociações frustradas com a União Europeia. O próprio Partido Comunista, que não apoiava o Syriza nem sequer quando este pregava a ruptura da austeridade, manteve a mesma votação de antes. O Pasok, velho partido socialista, manteve sua decadência, com votação mínima.

O Syriza tentará manter a mesma aliança com o grupo nacionalista de direita, com o qual tem em comum a crítica da austeridade. Com isso, ganharão o bônus de 50 cadeiras no Congresso, o que permitirá ao governo novamente presidido por Tsipras, manter a maioria de que dispunha no Parlamento.

No final da campanha, a nova esquerda europeia, liderada por Pablo Iglesias, do Podemos, junto a grupos da França, de Portugal, da Itália, da Alemanha, esteve presente na campanha de Syriza, demonstrando como esse partido ainda goza da confiança desses grupos.

O novo governo vai ter que administrar o terceiro resgate negociado com a União Europeia, buscando preservar os direitos trabalhistas e obter recursos para uma eventual retomada do crescimento econômico.  O Syriza revalidou sua liderança, apesar das concessões que fez, que significaram, até aqui, a não ruptura com a austeridade.

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