O segundo sol

Os executivos da 'vénus platinada" erraram na análise; foram acionar forças, tanto de direita quanto de esquerda, e que, como se bem sabe, estão absolutamente fora de controle

Rede golpe de televisão
Rede golpe de televisão (Foto: Ângelo Cavalcante)

Mas não me digam que o queridinho de vocês agora é o Dória? Isso é sério? Mas não era o Joaquim Barbosa? Depois não era o Sérgio Moro? Até vi Luciano Huck nessa ciranda! Xiii... A globo e seu cordão seguem desesperados à cata de um "salvador", mais um, para cuidar da sujeira deixada pelos mesmíssimos na sala-de-estar. Confundiram copa com o banheiro e cá estamos todos nós, pessimamente odorizados com os excessos degradantes da casa grande. O tempo não é favorável e é abertamente escasso; a agonia social só aumenta e o desfecho disso... Nem Nostradamus se arriscaria!

Os executivos da 'vénus platinada" erraram na análise; foram acionar forças, tanto de direita quanto de esquerda, e que, como se bem sabe, estão absolutamente fora de controle. O ambiente já criado, tem como um dos pontos mais nevrálgicos a retirada golpista e criminosa de Dilma Roussef da presidência do país mas o que se processa atualmente, de tão amplo, alargado e profundo ganha outras proporções e dimensões. O Brasil entra em cena! Com todas as suas contradições seculares e cristalizadas emerge um "outro Brasil" mais marginal ainda, mais perverso e de força descomunal. Feridas se abrem, dores são revistas e um imbricado de passado, presente e ausência de futuro se mescla em uma baila caótica e de difícil compreensão.

É aquela máxima do "aprendiz de feiticeiro"! Essa pletora de burgueses cretinos do sul/sudeste foi evocar as piores e mais negativas energias do mundo social e político e essa sombra satânica toma conta de todo o país. E agora? Agora é... Agora! Nada além do "agora", aliás, uma das nossas tragédias. Estamos sem qualquer horizonte!

Vamos para uma metáfora importante para tentar explicar alguma coisa do que penso! Conseguem imaginar as leis da gravitação universal? Isaac Newton, sobretudo, bem explica! É que essa distribuição espacial de astros das mais diversas grandezas; suas distâncias e equidistâncias da Terra; suas respectivas dinâmicas e velocidades; os movimentos que se processam nessa mecânica celestial; tudo isso é equilíbrio milimétrico, quase artesanal e sem o qual, qualquer forma de vida não poderia acontecer nesse sofrido planetinha onde vivemos.

Vejam bem... Não vivemos só porque habitamos em um corpo que pulsa, porque temos acesso a oxigênio, água ou vegetação ainda disponível neste mundinho; é preciso que existam também, condições externas; uma distribuição muito bem disposta e equilibrada de forças universais ou nosso planeta se solta, se desprende, vira uma "pedrinha" vagante no espaço, sem gravidade possível, estabilidade e... Não vivemos! Dá pra entender isso? Por isso a vida é universal! Sem essa estabilidade universal... Não existo eu, você e nenhum de nós. Sacou?

Então... Existe da mesma forma uma lei da gravitação política onde astros aparecem e impõem uma espécie de equilíbrio; um ordenamento tal que confere alguma sorte de estabilidade para toda a vida social e societária do país. O Partido dos Trabalhadores (PT) é um desses grandes astros, como também o são o DEM, o PSDB e o PMDB.

Isso quer dizer que o PT não pode sair da constelação? Nada disso! Pode sim... Mas a mudança deve obedecer a leis, determinações legais e jurídicas para que sua saída não traumatize o país e seus processos. A democracia é essa força leve, sutil e educada que faz revoluções sem trincar uma taça de cristal.

Da mesma forma que estrelas nascem e morrem na vastidão do universo sem nos darmos conta, partidos podem e devem entrar e sair do poder; a ausência do trauma, a legitimidade e a obediência só pode advir do império afetuoso da democracia ou nos descambamos em riscos notórios.

Bom... Tiraram criminosa e abruptamente um gigante de nossa confusa constelação política; evidentemente, equilíbrios fundamentais foram rompidos; como a energia de um átomo que se desprende e que sai fissurando outros átomos e outros e outros, o mesmo se processa com a sociedade civil e a economia e que, bem sabemos, foram frontalmente atingidas. Mais do mesmo com as instituições, as organizações sociais, os processos de vivência e convivência social e estamos, acreditem, vivendo sem gravidade, de ponta-cabeça e sem tocar no chão. O sol deixou de nascer onde nascia; a lua não aparece nas noites e a gravidade na Terra aumentou; tudo é mais pesado e viver por aqui é drama.

Me lembrei da deliciosa canção de Nando Reis que nos inspira afirmando do "segundo sol para realinhar as órbitas dos planeta...". Bem isso... Necessitamos urgentemente de realinhar essas órbitas políticas. Tomara que o segundo sol venha logo; oxalá venha do meio do povo, das lutas sociais, das resistências de nossa gente, das melhores e mais encantadoras e vibrantes utopias de nosso povo trabalhador e que, por favor, que consigamos dar fim, de uma vez por todas, para esta dramática e pervertida sociedade de classes. Tomara e tomara que não venha do cinismo da elites paulistanas que apostaram firme no cretinismo de certo João Dória e que crê que a exigente arte do grafite (vejam bem!), é pichação! Dá pra acreditar nisso?

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