O significado da prisão do senador Delcídio – II

Tudo o que vem ocorrendo é inusitado na política brasileira, especialmente após a implantação da lei da delação premiada. É ela que vem abrindo as portas para o surgimento das vísceras da relação entre políticos, o Estado e as empresas financiadoras de campanhas eleitorais

A operação Lava Jato e os seus desdobramentos ninguém sabe no que vai dar. O que vai mudar, também não dá pra saber. Mas estamos passando por um imenso processo de transformação.

E não importa se o senador Delcídio do Amaral é do PT e transitou antes no PSDB. Muito menos se conseguia articular bem com todas as siglas, incluindo as de oposição.

Tudo o que vem ocorrendo é novo, recente e inusitado na política brasileira, especialmente após a implantação da lei da delação premiada. É ela que vem abrindo as portas para o surgimento das vísceras da relação entre políticos, o Estado e as empresas financiadoras de campanhas eleitorais.

O que antes era sabido, agora está claro para a população. Sempre foi raro nas eleições, por exemplo, faltar dinheiro para os principais candidatos. E isso ocorreu no plano nacional, estadual e até, em muitos casos, nos maiores municípios, aqui e em outros estados.

E é claro que o modelo de financiamento de campanha ruiu. O dinheiro da Petrobras para os acertos políticos foi estancado, o que ocorria, como se sabe, pelo menos desde o governo Fernando Henrique Cardoso, período em que Delcídio do Amaral e Nestor Cerveró começaram na Petrobras.

Esses recursos, antes e recentemente, foram destinados ao PT de Lula, PMDB de Michel Temer, PSDB de Aécio e FHC, PSB de Eduardo Campos, a candidatos a deputado federal, entre outros, através de empresas beneficiadas em negócios governamentais. Tanto o dinheiro sujo, caixa dois, propina, enfim, quanto o legalizado como doação de campanha.

A população não aceita mais a corrupção, nem as justificativas vãs de determinados políticos e partidos, incluindo os de oposição. É preciso uma nova engenharia política, uma reinvenção, o fim dos privilégios que colocam os políticos acima das pessoas comuns.

Caso contrário, os políticos e a política ficarão ainda mais desmoralizados. Porque agora também estão reféns e temerosos das ações do MPF, STF e PF. E quem perde com isso somos todos nós.

É que só dá para transformar a realidade através da política, daqueles que escolhemos e julgamos com o nosso voto. Jamais essa transformação virá através de juízes e procuradores, embora sejam parte do processo.

Por fim, vale lembrar que a corrupção não está limitada ao governo federal. Ela ocorre nos estados, nos municípios, nas assembleias, câmaras de vereadores e na iniciativa privada.

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