O sinal está fechado pra nós, que somos velhos

A estética atual nos apresenta uma harmonia desagradável no campo da política e no geral. Não é uma condição indissolúvel a esfera política da essência geral

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Ao que parece, com a ascensão do bolsonarismo e a decadência da esquerda e da direita tradicionais, a tendência é que o Brasil viva um longo período de hibernação civilizatória, comum em sua trajetória de expropriação e escravidão. 

O bolsonarismo raiz, como estamos experimentando, ainda é uma novidade no campo da ciência política, que ainda precisa se debruçar sobre sua estrutura e desdobramentos. 

A história é cíclica e uma alteração na sua rota é completamente compreensível e até saudável, considerando alguns aspectos. O Brasil já passou pelos ciclos econômicos do pau-brasil, cana-de-açúcar, algodão, ouro, café, da borracha.  

Após a revolução industrial ter explodido nos principais países, o Brasil entrou nessa era com pequenas indústrias de bem e consumos, até construir empresas do porte da Siderúrgica Nacional, Vale do Rio Doce e a Petrobrás. A literatura, música popular, culinária e a dança, também passam por processos de acordo com os hábitos e costumes de cada época. 

Na nossa história recente passamos por retrocessos, como o período do regime militar, que implantou uma ditadura sanguinária e persecutória, onde a tesoura da censura agia de forma deliberada contra o pensamento livre. 

A estética atual nos apresenta uma harmonia desagradável no campo da política e no geral. Não é uma condição indissolúvel a esfera política da essência geral. Na ditadura, por exemplo, quanto mais censuravam os artistas, mais eles produziam, mais acrescentavam, e de maneira definitiva para a cultura.  

A questão é que a nova ordem política e social, que veio sob as bênçãos de uma pandemia, parece ter entrado em nossa casa, sentado em nossa mesa, sem que notássemos sua presença nauseabunda e repugnante.  

Agora que está alojada em nosso quarto, mudou nossa mobília de lugar, rasgou nossos livros e jogou fora nossas roupas, arrumou suas armas nas gavetas e pendurou suas fardas e suas togas nos cabides. 

Pensamos em reagir, mas olhamos para nossos filhos e eles cresceram sentados na frente de um computador, não assistiram desenhos do Hanna-Barbera, não jogaram bola na rua e hoje fazem ‘arminha’ com as mãos e odeiam a esquerda. O sinal está fechado para nós, que somos velhos! 

E agora, José? Essa geração está indo no caminho das urnas com o legado das redes de Fake News, são os filhos do bolsa família que não conseguimos politizar, negamo-lhes acesso ao pensamento crítico e independente.  

Essa geração sem luta e ideologia, ignorada quando devia ter sido priorizada, somada aos que dependem de benefícios paternalistas e populistas, formam a legião sem rosto que está sendo preparada para apagar a luz por um longo período. 

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