O sofrimento político e a dignidade de dona Lindu

Os mitos e heróis derretem ao vivo e a cores, enquanto o discurso de Lula se fortalece, reafirmando sua inocência, a vitória da verdade e a denúncia de uma farsa montada em benefício de interesses econômicos internacionais na riqueza e na neocolonização do Brasil; que a dignidade, o realismo e a coragem de dona Lindu não nos faltem para resistir!

Os últimos anos não têm sido fáceis para os brasileiros que não se satisfazem de linchamentos. É difícil esquecer as primeiras impressões sobre 2013, ninguém poderá esquecer o aumento de 0,20 centavos na passagem. Os discursos faziam convergir os mais diversos personagens, rompiam a normalidade, apesar da aparente proporção – algo não passava bem! Era possível suspeitar do sentido.

De lá para cá, muitas dores se impuseram às percepções mais atentas, àqueles que desconfiam das soluções objetivas, fáceis e simplificadoras.

É... não tem sido fácil ser um pouco de dona Lindu!

Mãe do maior líder político que o Brasil já teve, dona Lindu conquista-nos pela boa medida entre o senso de realidade, a dignidade e a coragem. Coragem de empurrar seus filhos para frente, coragem de fazer transpor os obstáculos, coragem de fazer grandes os miseráveis...

"Teima meu filho, teima"!

Sim, muitas vezes é preciso teimar, ser paciente, aguardar que o tempo e os sujeitos se exponham. É preciso confiar na intuição, no caminho que busca a verdade. Mesmo que tomados por medos, pela falta de horizonte, mergulhados no nevoeiro – vamos construindo um caminho. Certos de que para os desumanos e sádicos não há limites – num jogo desigual de forças. Precisamos seguir, estamos vivos e a vida se faz vivendo e superando.

Não se trata de "limpar" o mundo, não se trata de heróis e mitos. Trata-se de ter a devida consideração por quem sempre deixou claro que os comuns, os que acordam antes do sol nascer, os que não têm perspectivas, os que não comem, os que sobrevivem e os que não sobreviveram eram a prioridade e já não são mais. Também não se pode desconectar essa realidade de seus fatos fundadores, o descobrimento de uma terra com gente, a escravidão que nega humanidade aos negros e o individualismo elitista que nunca permitem a igualdade de direitos e respeito à diversidade.

O Brasil é sórdido com os pobres, o Brasil oficial gosta de gente abaixo. O Brasil oficial não se ressente da miséria, faz dela a base para seu bem estar, seja pela mão de obra servil e barata, seja pela manutenção de uma superioridade traduzida na meritocracia. Por isso, o filho de dona Lindu conquista importância. "Em terra de cego, quem tem um olho é rei". No meio do abandono e da falta de oportunidade em que vive a maior parte da população, dar um passo é revolucionário – a força ofensiva que se volta contra Lula dá provas disto.

O rancor do Brasil oficial não suportaria um representante das camadas populares dominando a cena política. Mesmo que a era Lula tenha beneficiado amplamente à maioria, não se aceita um lugar ao sol para o Brasil real. Por isso, o empenho em destruir o que Lula representa. É a luta de classes descrita e desenhada para que não esqueçamos. Eles nunca nos aceitarão!
Lula não é herói, Lula não é mito, Lula não é perfeito, Lula é esperança! Quando Lula fala, quando Lula é ouvido, o mundo se abre para o que parecia impossível, há um futuro e nós podemos! Lula é próximo, viveu a experiência que aproxima, viveu aquilo que não pode ser narrado, sabe os cheiros e gostos da maior parte da população brasileira. Lula compreende a miséria, viu a escuridão da pobreza, foi carente em muitos aspectos, mas não de uma mãe incrível, não de amor, não de lições de dignidade. Ele divide conosco o que colhe de melhor no seu caminho de muita vida.

Lula divide sua mãe com cada pessoa sensível à grandeza de dona Lindu. Dona Lindu sensibiliza, tem um pouco de Lindu nos milhares de irmãos conquistados por Lula. Lula não nos salva, ele nos dá a mão e divide a sua estrela, impulsionando a todos que se irmanam por um mundo justo e solidário. Por isso, ele coleciona inimigos, não inimigos contra a pessoa, mas inimigos contra tudo que representa.

Não são poucas as histórias de ousadia no Brasil que foram tristemente dizimadas, é o caso da Confederação de Tamoios, da Revolta da Balaiada e da Guerra de Canudos. Ou seja, o poder hegemônico não sede um milímetro dos seus domínios, com a violência de sempre. O ex-juiz Sérgio Moro é um legítimo representante da falta de caráter que acompanha as elites brasileiras desde a origem. Nesse caso, destruir quem subverta a ordem do subjugo das classes médias e baixas, é ponto central. Lula é o inimigo principal desde a redemocratização – imagine se ele faz o povo acreditar que a vida pode ser diferente, que outro mundo é possível!

Dissipando o nevoeiro do medo e da insegurança, o The Intercept passa a desempenhar um papel decisivo – o rei está nu, como em poucos momentos da história nacional, permitindo distinguir as forças em disputa. Os mitos e heróis derretem ao vivo e a cores, enquanto o discurso de Lula se fortalece, reafirmando sua inocência, a vitória da verdade e a denúncia de uma farsa montada em benefício de interesses econômicos internacionais na riqueza e na neocolonização do Brasil.
Que a dignidade, o realismo e a coragem de dona Lindu não nos faltem para resistir!

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