O Teatro dos Horrores

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Durante as últimas semanas, a triste e adoecida nação acompanha a novela: “Vai liberar total ou parcial?” “Já liberou?” “Será que libera?” Enquanto o país aguarda a decisão do decano e agora apaixonado, ministro do Supremo Tribunal Federal, quem se refestela em terras brasileiras são os Coronas; o vírus, até ontem tínhamos no país 29.314  mortes; e o empresário da rede  de academias de ginástica, limpinha e cheirosa, que financia as fakenews. A população assombrada pela doença enterra seus entes queridos que estão sendo dizimados pelo descaso e sadismo de um governo de indiferentes. A meta do então deputado Bolsonaro e agora presidente ilegítimo do país, “matar uns 30.000”, está perto de ser cumprida. 

A esperança dos seres pensantes era de que a veiculação da reunião ministerial, guardada a sete chaves pelo projeto mal desenhado de ditador, fosse autorizada para o conhecimento de todos os brasileiros e caísse como uma bomba por essas terras. E assim foi feito. O ministro arrebatado abre as cortinas do Teatro de horrores e constatamos, sem surpresa, que as personagens desse enredo, são piores, bem piores do que o mais imoral dos homens. 

Cena 1

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No palco, o rosário de palavrões dito pelo então presidente não só confirmou o que já sabíamos, o nível rastaquera do chefe da nação e da milícia; o que dos males, foi o menor, acredite. O pior ainda está por vir na cena seguinte. O critério básico para fazer parte do cenário ministerial é o fato de que eles devem fazer oposição à pasta que representam. Assim, o ministro do meio ambiente defende que: 

_O governo deveria aproveitar a pandemia, passar a boiada e mudar regras ambientais!

Isto é, facilitar o lado dos latifundiários em detrimento aos verdadeiros donos da terra, os indígenas. O ministro da (des) educação, no ímpeto de bajular mais o presidente do que o seu antecessor, desembesta: 

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_Botava esses vagabundos todos na cadeia, começando no STF"!  Odeio  os termos “povos indígenas” e “povo cigano”. (Desenhando, odeia as minorias).  

Cena 2

(Os ministros sanguessugas reunidos, sentados, admiram a verve escatológica do seu chefe).  O sacripanta da economia resmoneia:

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_O Banco do Brasil é um caso pronto de privatização. É um caso pronto e a gente não tá dando esse passo. O senhor já notou que o BNDES  e a Caixa, que são nossos, públicos, a gente faz o que a gente quer. Banco do Brasil, a gente não consegue fazer nada e tem um liberal lá. Então, tem que vender essa porra logo”! (Ou seja, vender o patrimônio do povo brasileiro).

O ministro da justiça, antes irmão xifópago do presidente, conforme dito por sua “conja”, fala mais fino do que o normal e encontra-se aprisionado à sua pequenez, sob o olhar gélido e odioso do seu capitão; enquanto a ministra da goiabeira, da família e dos direitos humanos, histrionicamente, conclama pela prisão de prefeitos e governadores que estão fazendo um papel mais honroso do que o governo federal diante da pandemia. 

O ministro relâmpago da saúde fala o de praxe e ouve, boquiaberto, as apresentações dos outros personagens. Pensa: _Onde eu vim parar? (Assistindo a tudo, como personagem para lá de secundário, encontra-se o milico vice-presidente do Brasil, alheio aos movimentos e aos discursos, vez por outra levantava os olhos, com um meio sorriso no rosto, parece se divertir com o seu aparelho celular).

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Com o encerramento do espetáculo, a plateia canarinho atônita, começa um novo questionamento:

_Ele cai? Não cai? 

(Fecham-se as cortinas e renovam-se as esperanças)

Fim

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