O tom de Bolsonaro aprofunda divisão e os efeitos da posição uniforme dos Governadores do NE

No Nordeste, todos os nove governadores deixaram escapar em seus discursos de posse que há uma agenda de interesses dos estados a serem levadas à pauta de negociação com o presidente como prioridade distante do querer de Bolsonaro

O tom de Bolsonaro aprofunda divisão e os efeitos da posição uniforme dos Governadores do NE
O tom de Bolsonaro aprofunda divisão e os efeitos da posição uniforme dos Governadores do NE

O saldo das posses do presidente Jair Bolsonaro e, paralelamente, dos Governadores, em especial do Nordeste – todos os 9 ausentes da festa em Brasília – permite uma projeção de dias difíceis porque o tom e a agenda nacional dispõem de natureza conflitante com o que quer e se posiciona o Nordeste.

Bolsonaro transformou a posse num libelo ideológico sem igual reforçando a sua postura radical em confronto com a outra banda do universo brasileiro que votou em Haddad, Ciro Gomes, etc, especialmente o PT vermelho, sem apresentar as medidas e meios de como retomar o desenvolvimento.

O conjunto de fatos registrados nos discursos de Bolsonaro – sem ignorar o excesso de péssimo tratamento dispensado à Imprensa -, sinaliza para o o aguçamento ideológico sem tréguas a intuir muitos conflitos pela agenda política nos vários Ministérios buscando impor novo tom de desmonte de muitas das conquistas sociais.

Diante dos fatos concretos expostos, o segundo dia do ano chega expondo a alta expectativa sobre as dúvidas e perspectivas ruins nesse confronto de ideais entre Bolsonaro e os 9 governadores.

CONTRAPONTO

No Nordeste, todos os nove governadores deixaram escapar em seus discursos de posse que há uma agenda de interesses dos estados a serem levadas à pauta de negociação com o presidente como prioridade distante do querer de Bolsonaro.

O governador do Maranhão, Flávio Dino, impôs no discurso e ações de governo medidas na contramão de Bolsonaro defendendo os direitos humanos e a exclusão da "Escola sem partido", como acentuou o presidente no trato da educação.

Na Paraíba, o governador João Azevêdo cobrou um novo Pacto Federativo, o repasse dos royalties do petróleo, melhor cálculo e distribuição do FUNDEB, bem como transparência no repasse do FPE, cuja ação está no Supremo Tribunal Federal. Ele quer agenda dos Governadores do Nordeste muito em breve.

No Piauí, o governador Wellington Dias chegou a bradar a força de Lula durante parte de seu discurso expondo as políticas de inclusão em contraponto real ao que dizia o presidente em Brasília anunciando restrições ideológicas.

Em Pernambuco, o governador Paulo Câmara alfinetou Bolsonaro ao lembrar que "o amor ao Brasil não é monopólio de nenhum brasileiro, seja civil ou militar". E completou:

– A forma de expressar este sentimento depende de cada um. Morrer em um campo de batalha é uma forma de amar o Brasil. Ocupar as ruas em defesa da democracia também é", afirmou para completar:

– Precisamos de paz, porém não a paz do silêncio imposto pela força. Queremos a paz viva, do debate, do contraditório, da liberdade de opinião. A paz da democracia".

Em síntese, há a necessidade de abertura urgente de diálogo entre as partes porque a exigência de soluções bate à porta de todos os Estados e cidadãos.

REAÇÃO DE BOLSONARO

Ao final do dia de posse, alguns auxiliares de Bolsonaro reagiram considerando a tática não inteligente pela ausência completa deles na posse do presidente.

Mais do que isso, consideram o tom duro dos Governadores e assim vão exigir mais do Governo para resolver muitos problemas do Nordeste.

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