O traidor Temer e sua trôpega caminhada para a morte

O traidor Temer se afasta de todos para se unir a poucos. Como Judas, o usurpador brasileiro dá as mãos aos piores e nega os compromissos menos piores, estes, no entanto, consagrados por todo o complexo processo que fez a Presidenta Dilma governante do Brasil

Brasília - O vice-presidente da República, Michel Temer, durante entrevista coletiva no Palácio Itamaraty (Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Brasília - O vice-presidente da República, Michel Temer, durante entrevista coletiva no Palácio Itamaraty (Marcelo Camargo/Agência Brasil) (Foto: Dom Orvandil)

Querida Professora Sandra Bordignon, Santa Maria, RS

Há poucos dias escrevi aqui à tua irmã, à minha inesquecível amiga Sara.

Vocês impressionam por encarnarem a vitória da luta dos seus pais aí em Santa Maria.

Os projetos atuais que desenvolves como pedagoga da Universidade Federal de Chapecó em Santa Catarina, destinados à construção da cidadania com pessoas que assumem a emancipação libertária contra as injustiças sociais, perpetradas pelas exclusões racistas, econômicas e políticas, são o testemunho do acerto do engajamento de teus pais e de nossa geração. Certamente teu mestrado, cuja dissertação defenderás em agosto, trabalhará as questões que agendam tua consciência sensível aos direitos humanos, que são sempre atropelados historicamente nos mais pobres.

Ver teus grupos de haitianos e tuas fotos no Facebook é nos deixarmos impactar por uma mulher resolvida na harmonia entre feminilidade, casamento, intelectualidade, fé e luta política. Tu me enches de esperança e da certeza de acertar o rumo de uma vida justa que nos fez amigos, camaradas de sonhos e de lutas por "um outro mundo possível".

Porém, temos que ainda dolorosamente enfrentar as trevas do nosso cotidiano brasileiro.

As sombras conjunturais se chamam traição a lá Michel Temer.

Já descrevi aqui o conceito de traição e de traidor a partir do grande trabalho apresentado na Universidade Sorbonne de Paris pelo teólogo Oscar Cullmann.

Ligando o conceito de traição com desencontros, decepções e rupturas de projetos que duas ou mais pessoas compactuaram entre si, estendo o raciocínio diretamente à traição praticada por Michel Temer, usurpador golpista da presidência da República.

Desde Judas a traição se define por dimensões internas e externas de graves consequências, redundando em mortes trágicas para os dois lados.

O pai da traição não avaliou corretamente as alianças que fez ao juntar-se aos piores setores, historicamente sujos pelos danos e destruições causados aos setores mais explorados da Palestina dos tempos de Jesus, sendo levado de roldão à morte por suas próprias mãos e à depredação eterna como traidor e ladrão. Judas também não previu que sua tática de junção aos traidores ocultos fatalmente envidaria em baixas do lado do traído, destruído por juízos espúrios e penas absolutamente injustas, jogando o inocente nas garras de uma pena de morte, acusado de crimes que não praticou.

Michel Temer caminha célere e a claramente pelas mãos da traição no Brasil de 2016.

Trai a chapa pela qual ele e a Presidenta Dilma se elegeram em 2014. Mas fere profundamente o programa elaborado pelos dois, pelo Conselho Político e pelos partidos que os respaldaram em convenções soberanas. Atinge ferinamente a todos os leitores que os sufragaram nas urnas, como apunhala a própria justiça eleitoral que os diplomou, homologando institucionalmente o compromisso assumido perante a Nação e o mundo.

O traidor Temer se afasta de todos para se unir a poucos.

Como Judas, o usurpador brasileiro dá as mãos aos piores e nega os compromissos menos piores, estes, no entanto, consagrados por todo o complexo processo que fez a Presidenta Dilma governante do Brasil.

A traição consiste essencialmente em negar a vida na sua expressão máxima, optando pelos descaminhos da morte.

Temer nega a vida da democracia no Brasil ao pisar nos nossos votos e no programa de direitos e inclusão social que o País elegeu.

Temer traí o Brasil quando pisa na nossa soberania colocando no Ministério das Relações Exteriores um entreguista e servil dos interesses poderosos internacionais, opondo-se a toda a nossa trajetória de caráter nacionalista e de relações com o objetivo de edificar novos eixos políticos e comerciais do Brasil com a América Latina, com a África, com a Índia, com a China, com a Rússia e com a Coréia.

Pisa em nosso futuro e na nossa juventude quando sinaliza entregar o pré-sal e a Amazônia para as corporações controladoras da energia e das armas no mundo.

Apunhala os direitos humanos ao empurrar contra os movimentos sociais os aparelhos repressivos do Estado como as polícias, as promotorias públicas e juízes na perseguição e até prisão de lideranças, definindo-as como participantes de organizações criminosas e terroristas como o MST, os sindicatos e as entidades estudantis. Mais grave ainda quando retira direitos de quem mais merece justiça que são os nossos trabalhadores, com a clara intenção de fragilizar a luta contra a dominação social.

E lá vai o traidor no afã de destruir todos os bens da Pátria e do povo. Liste-se no seu atropelo a Petrobras, as aviações aéreas, os bancos públicos, o SUS, as universidades, tudo.

Como Judas, Temer urdiu a traição beijando a Presidenta traída e de dentro do governo. Sim, desde onde deveria aprender e a dialogar é que iniciou a virada de costas para a democracia. De lá acolheu a senha dos segmentos mais desprezíveis com quem fez aliança e uniu mediocridades.

O final é de fácil previsão. Muitas pessoas serão prejudicadas, destruídas com desemprego, com perdas de direitos e até da vida. Tanto que já há cálculos de que este governo golpista custará bilhões de reais ao Brasil, tanto economicamente como em vidas que se perderão. Serão como "Cristos" crucificados, recebendo vereditos iníquos nascidos nas caladas da noite da traição e, depois, escarnecidos e mortos nos gólgotas sociais.

Mas, como sói a acontecer com os traidores, sempre ávidos de poder e inflados das certezas de sucesso de suas propostas mesquinhas, Temer amargará em breve o fel de sua própria morte política. Isso se nota na mídia que também já teme ser respingada pela sujeira e, por isso, inicia o processo de jogá-lo ao mar.

Temer, não sem ser alertado exaustivamente para que não caísse no canto da sereia traidora, morrerá duas mortes: a natural e a da história. Até mesmo o seu filho, o tal Michelzinho, que já tem dois milhões de reais em imóveis, quando souber o que seu pai fez de mal ao Brasil o matará em seu coração. E a dama "bonita, recatada e do lar", como se referiu a golpista revista Veja à Marcela, esposa do amigo de Eduardo Cunha, como avaliará seu marido depois da morte dele?

Claro que as pessoas de boa vontade não gostariam de tratar um homem público como traidor. Porém, não entender que Michel Temer é traidor, e dos piores pelos males que sua traição faz a milhões, seria muita desonestidade, romantismo, angelismo, má fé ou sermos traidores como ele.

Pena, não merecemos ser desgovernados por traidores e malversadores do poder. Pena!

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