OAS, Friboi e o talk-show populista de Dória

m pouco mais de três meses na Prefeitura de São Paulo, Dória já arrecadou o montante de 286 milhões de reais em "doações" advindas de empresas. Mas como se diz, empresa não doa. Empresa investe. E todo investimento pressupõe retorno

Prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), durante entrevista à Reuters 04/04/2017 2017. REUTERS/Nacho Doce
Prefeito de São Paulo, João Doria (PSDB), durante entrevista à Reuters 04/04/2017 2017. REUTERS/Nacho Doce (Foto: Guilherme Coutinho)

Onde o lucro é o objetivo, não existe caridade. Se tem uma coisa que deveria ter ficado claro para o brasileiro, após operações como a Lava Jato e Carne Fraca, é que cada centavo investido por empresas privadas é cobrado de alguma forma no futuro. Com juros. Em pouco mais de três meses na Prefeitura de São Paulo, Dória já arrecadou o montante de 286 milhões de reais em "doações" advindas de empresas. Mas como se diz, empresa não doa. Empresa investe. E todo investimento pressupõe retorno.

Se teve algo realmente positivo nas operações da Polícia Federal e na Força-Tarefa de Curitiba, foi evidenciar como é pútrida a relação entre o Governo e Capital no país. Políticos e instituições negociaram o Brasil por dinheiro, financiaram um golpe de estado e afundaram um país na lama. Essa conexão deveria ter ficado clara, tempos antes: a construtora OAS e a JBS (Friboi e Seara) foram as maiores doadoras declaradas para partidos políticos nas campanhas presidenciais de 2014. A dívida levará décadas para ser quitada.

Dória representa o público e o privado. É prefeito, mas antes já era empresário e presidente do grupo Lide, uma associação de líderes empresariais. Como político se orgulha em dizer que é calouro. Mas como um político experiente, Dória deve saber que a reciprocidade entre os lados, é fato necessário para um bom negócio. Se no primeiro quadrimestre as doações já atingiram esses montantes, imagino o valor após quatro anos de mandato.

João Dória é populista. Se derreteu em elogios a Eike Batista, quando o entrevistou em seu talk-show, e depois fingiu não o conhecer. Se fantasia pelas ruas da capital política e critica Lula sempre que pode. Mas ainda não explicou os termos desses contratos verbais e quem está pagando esse almoço entre prefeitura e empresas privadas. Tememos sempre que esse ônus saia do bolso do contribuinte. Pois como todo liberal adora dizer, nada é de graça.

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