Ocupação de escolas em Goiás: viva a educação participativa

Sentimo a esperança de que nascem novas lideranças para virar esse quadro político, econômico e social manipulado e massacrado neste Estado e em nosso País. Viva a ocupação! Parabéns estudantes!

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Caros estudantes do ensino público estadual de Goiás

A direção da Ibrapaz visitou nesta manhã os alunos e as alunas do Instituto Educacional de Goiás, que ocuparam esta instituição, como o fazem em mais 5 escolas em Goiânia e chegam notícias de ocupações na cidade de Anápolis.

A impressão que a coordenação passa impressiona e dá lições à sociedade.

1. O grupo coordenador é totalmente autônomo e independente de influências externas à escola. Demonstra a maravilhosa sabedoria de quem realmente conhece os objetivos de sua luta. Também afirma imensa disposição de aprender e crescer com a participação na construção de alternativas ao ensino autoritário e neoliberal tecnicista do governo Marconi Perillo e de sua secretária da deseducação.
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2. Para tranquilidade dos pais e familiares dos alunos e das alunas, o uso de drogas, de bebidas alcoólicas, de fumo e de sexismo é totalmente proibido. Nesse quesito a coordenação afirma-se como disciplinada e rigorosa, como modo ético de fazer a luta, diferente do que faz a direita.

3. Impressiona a disposição dos ocupantes: no momento de nosso encontro faziam campanha de arrecadação de inchadas e material de limpeza para capinar o pátio da escola, aliás, com forte aspecto de abandono, como vimos pessoalmente. Isso, aliás, é típico de políticas neoliberais, que não investem na educação, bem ao estilo do governo Marconi.

4. A disposição dos ocupantes é a de resistir até render este governo neoliberal, conservador e golpista, como aconteceu com o rendição do governador arrogante e autoritário de São Paulo, que, apesar da militarização policialesca no enfrentamento dos estudantes de lá, caiu de quatro para crianças e adolescentes organizados e sérios. Aqui estes jovens prometem fazer festa de natal e da passagem de ano na resistência e na luta.

Mas, afinal,o que querem os e as estudantes com essas ocupações?

Eles e elas não agem por copismo e mimetismo, mas por conhecimento do conteúdo de suas reivindicações.

Lutam contra a terceirização da educação. Ocorre que esse governador, conhecido por suas truculências e autoritarismo, além de outras suspeitas, afirmadas como certas pela oposição na Assembleia Legislativa, impôs a perversão na saúde e, agora, na educação das alopradas e privatistas OS (Organizações Sociais, que de sociais nada têm).

Essas entidades são privadas e propriedades dos amigos do governador. Elas terceirizam a mão de obra na saúde e Marconi agora tenta impô-las à educação.

Assim, o Estado exime-se das responsabilidades com os trabalhadores e os exclue da CLT. As perdas de direitos são trágicas.

Os resultados aparecem em forma de baixa qualidade de mão de obra, com pessoas despreparadas e com as preparadas a degradação salarial, já que no mercado perverso cada empresa paga para os seus trabalhadores o que bem entender. Na crise, com a grande oferta de trabalho, graças ao desemprego, os salários baixam e a motivação para a qualidade cai.

Com a terceirização da saúde e da educação vem a marginalização da segurança.

Por incrível que pareça, como soí a acontecer em governos neoliberais como os de Goiás, de São Paulo, do Paraná, do Rio Grande do Sul, do Mato Grosso e de Santa Catarina, com a terceirização vem a militarização das escolas. Contra isso também se dá a ocupação.

Policiais já foram à frente do Instituto de Educação de Goiás chantagear e ameaçar os ocupantes, sem consegui-los intimidar.

Impressionante, policiais, homens e mulheres fardados, que têm filhos em escolas públicas, não conseguem quebrar o conteúdo injusto de um comando manipulado por quem sempre governa para as elites.

Vi na coordenação da ocupação muita inspiração para crescer. Querem palestras, filmes educativos e incentivam os e as ocupantes a serem caprichosos no uso do espaço material público, preservando-o carinhosamente. São absolutamente conscientes da cidadania e da participação política estudantil.

Contaram-nos que o ensino se centraliza em disciplinas tecnicistas e pouco sobre cidadania que os politize e os responsabilize para participar das transformações sociais. Seu ensino é autoritário, conservador e viciado à sala de aula. Pouco visa a sociedade, acentuando o mercado como prioridade.

Saímos desse encontro felizes por sentirmos a esperança de que nascem novas lideranças para virar esse quadro político, econômico e social manipulado e massacrado neste Estado e em nosso País.

Viva a ocupação! Parabéns estudantes!

Tenho orgulho de vocês!

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