Os bolsominions vão a guerra

No maior estilo "Exército de Brancaleone", Bolsonaro ensaia uma preparação para a guerra. Uma guerra que não nos pertence, contra um país vizinho que nunca nos ofereceu o menor risco e que visa defender os interesses comerciais dos EUA

Os bolsominions vão a guerra
Os bolsominions vão a guerra (Foto: Adriano Machado - Reuters)

Bem que o título desse artigo poderia dar nome a algum episódio, da série de humor mais tosca e non sense, que já esteve em cartaz na vida real da política brasileira. Nem o grupo Monty Python, um dos ícones do humor britânico, seria capaz de produzir sketches tão cômicas e de conteúdo tão absurdo, quanto as situações já protagonizadas pelos membros do atual grupo de comédia que governa o país.

A impressão que temos, é que foi instituída a sátira como forma de governo. A cada aparição de um membro do atual governo na mídia, ficamos com a sensação de estarmos sendo governados por personagens do gênero Trash, onde tal estética cinematográfica encaixa-se perfeitamente com a retórica utilizada em seus discursos. Tudo é muito caricato, mal produzido, mal ensaiado, mal editado, e, claro, muito perigoso também. A entrevista do Queiroz ao SBT, foi um exemplo de como rodar um curta metragem com baixo orçamento, poucos argumentos, com um ator principiante e com um título pouco convincente. O vendedor de carros usados. Nem Zé do Caixão, teria produzido algo tão surreal.

No maior estilo "Exército de Brancaleone", Bolsonaro ensaia uma preparação para a guerra. Uma guerra que não nos pertence, contra um país vizinho que nunca nos ofereceu o menor risco e que visa defender os interesses comerciais dos EUA. O verdadeiro patrão do nosso Napoleão dos trópicos. Talvez, Bolsonaro acredite que possa tornar-se uma referência histórica na América latina. Uma espécie de Simon Bolívar às avessas. Aquele que irá devolver os países sul americanos, ao domínio europeu e submetê-los a ambição norte americana. Ao invés de libertador, como Bolívar, ele ficaria conhecido como um dos entregadores da América.

A empolgação de seus eleitores e aliados, com a possibilidade de invadir a Venezuela e depor Nicolas Maduro, é tão débil e febril quanto a sua capacidade de declarar guerra contra quem quer que seja. Será que eles acham que se vence uma guerra enviando fake news pelo zap zap? Será que pretendem usar um arsenal de mamadeiras de piroca, para abater os socialistas venezuelanos? O certo, é que Alexandre, o Frota, já apresentou-se como voluntário para o combate. Não podemos negar, que trata-se de um grande soldado. O cara já provou que é pau para toda obra e para diversas finalidades.

Além de Frota, tem passado pela time line do meu perfil no Facebook, uma infinidade de combatentes dispostos a defender o seu país. Devem ser norte americanos naturalizados brasileiros, quem sabe? O que me provoca espanto, não é a coragem, mas sim, a cara de pau desses legionários bolsonaristas, que borram-se todos quando dão de cara com um tiroteio na linha amarela, mas dizem-se preparados para encarar os mísseis russos que abastecem o arsenal de guerra dos venezuelanos. Gente que nunca passou nem perto da cracolândia paulista, por medo de ter seu celular roubado, e que, de repente, está disposta a atravessar a fronteira e a morrer, se preciso for, pela pátria do Tio Sam.

Eu fiquei imaginando um cântico de guerra, que pudesse ser entoado por essa turma da pesada para intimidar o exército de Maduro. "Tropa de laranjas, qual é sua missão? Entregar o petróleo nas mãos do nosso patrão". Não é lá muito original, mas faz todo sentido. É lamentável constatar, que de tanto fazerem o gesto de arminha com as mãos, os bolsominions estejam acreditando que há poder poder bélico em seus polegares e indicadores. Talvez, a profetisa Damares tenha recebido do seu jesus da goiabeira, uma visão na qual ela viu Maduro caindo do galho e rendendo-se ao capitalismo libertador da sua nova era alucinante.

Quem sabe, os minions estejam confiando no super ministro da justiça , acreditando que ele tenha alguma carta na manga contra o presidente venezuelano? Uma conversa de Whatsapp talvez, onde Lula esteja dando dicas a Maduro, de como derrotar o exército brasileiro na fronteira, invadir o Brasil e libertá-lo da prisão. Ou, ainda, estejam valendo-se da experiência espacial do ministro da ciência e tecnologia, que graças ao seu bom relacionamento com o governo da lua, possa surpreender as tropas de Maduro num ataque espacial inter galáctico, que a equipe de "Jornada nas Estrelas" não foi capaz de produzir.

Tudo isso, sob as instruções do estrategista Olavo de Carvalho, que reescreveu "A arte da guerra", no modo terra plana e conta com a ajuda dos astros para guiar o exército bolsominion, de acordo com o movimento do zodíaco. Seria trágico, se já não fosse trágico mesmo. Ainda bem, que os nossos comandantes militares ainda não perderam o bom senso e a responsabilidade cívica. Nossas instituições militares são sérias e não se aventurariam numa missão desarvorada e sem nenhum propósito, como esta. Pelo menos, assim espero. O General Mourão, o mais lúcido desse governo - Quem diria, hein? - rogai por nós!

Quanto ao presidente e aos bolsominions que o seguem, não tenho o mesmo otimismo. Seriam loucos o suficiente, para enfiar o país numa guerra de interesses comerciais, que não nos favorece em nada. E, ainda que nos favorecesse, seria imprudente e irresponsável embarcar nesse tanque furado. Enquanto Lula, "o maior ladrão do país", é indicado ao Nobel da paz, Bolsonaro, o ícone da honestidade e do "Deus acima de todos", quer promover uma guerra, para que os alienados que o apoiam morram, enquanto ele repousa à sombra do seu laranjal. Insano e salvo.

"A guerra é um lugar onde jovens que não se conhecem e não se odeiam, se matam entre si, por decisão de velhos que se conhecem, se odeiam, mas não se matam." - Erich Hartmann.

 

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