Os dias terão 72 horas

É tempo de reumanização, é tempo de mudarmos o tempo e cada dia poder se vivido com uma velocidade tal que cada dia tenha 72 horas para que possamos contemplar a grandeza desse planeta e as magníficas possibilidades que emergem do exercício válido da nossa humanidade, por isso vamos precisar de todo mundo, para banir do mundo a opressão.

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O mundo vive o medo do desconhecido. 

Todas as certezas foram reduzidas a pó, os sonhos e os desejos, mais ou menos nobres, mudarão definitivamente após recuperarmos a nossa humanidade e redescobrir-nos insignificantes, frente a eventos disruptivos como esse da pandemia do covid19 o qual escancara a nossa finitude e nos oferece a oportunidade de nos recompormos enquanto filhos e irmãos.

Penso que a pandemia poderá ter o efeito de restaurar o senso de civilidade e a interação humana válida, perdidos na lógica do individualismo e do consumo irracional. A vida não pode ser apenas consumir e acumular, a vida não é isso, é muito mais.

A nossa sociedade de consumidores acabou nos transformando em mercadorias. Deixamos de sermos indivíduos que sonham e amam, deixamos de ser uma sociedade de produtores, baseada na segurança e na estabilidade, para ser uma sociedade de consumidores, que atende aos desejos e ao imediatismo, sem solidariedade, empatia ou amor, uma sociedade individualista na qual as certezas e convicções bastam a justificar a destruição de vidas.

Evidentemente há quem apresente essa ideia com mais competência, Bauman, por exemplo, no seu “Vida para consumo” trata de como todas as pessoas são “estimuladas e forçadas a promover uma mercadoria atraente e desejável”, elas próprias são a mercadoria.Fato é que os jovens em especial, expõem suas qualidades e opiniões nas redes para atrair atenção e seguidores, esforçando-se para comprovar suas qualificações e ingressar em grupos e espaços considerados e valorizados; como nos é – acidamente –apresentado na série antológica da TV britânica Black Mirror  que trata de temas obscuros e satíricos que examinam a sociedade moderna, particularmente a respeito das consequências imprevistas das novas tecnologias, a crueldade, a ausência de humanidade e de empatia nas relações humanas.

Atualmente, segundo Bauman, o consumidor, antes de ser sujeito, é primeiramente uma mercadoria. Se antes, na sociedade de produtores, o produto do trabalho era transformado em mercadoria, na sociedade de consumidores, são as próprias pessoas transformadas em mercadoria; compra-se e vende-se “símbolos” na construção da identidade. 

Em razão da pandemia da covid19 e da imposição do isolamento social ao qual estamos obrigados em respeito à vida, nossa e dos outros, podemos recuperar a nossa humanidade e afastar a barbárie da face do planeta.

Mas vale a pena lembrar o que escreveu Inês Castilho: para afastar a barbárie exterior, temos que matar a nossa barbárie interior, pois a primeira se alimenta da segunda.  Noutras palavras, se a raiz da barbárie está no coração do homem é fundamental que a sociedade coloque o ser humano como protagonista desse planeta e não subordinado à lógica vigente do consumo, da acumulação e do individualismo exacerbado. 

É tempo de reumanização, é tempo de mudarmos o tempo e cada dia poder se vivido com uma velocidade tal que cada dia tenha 72 horas para que possamos contemplar a grandeza desse planeta e as magníficas possibilidades que emergem do exercício válido da nossa humanidade, por isso vamos precisar de todo mundo, para banir do mundo a opressão.
 

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