Os monopólios como agentes de controle na superfície da guerra de informações

A sociedade regula produtos que criam vícios, nós temos leis para prevenir a discriminação e a manipulação de eleição; no entanto, nenhuma dessas regulações e leis foram ainda aplicadas ao Facebook e ao Google. Chegou a hora

A sociedade regula produtos que criam vícios, nós temos leis para prevenir a discriminação e a manipulação de eleição; no entanto, nenhuma dessas regulações e leis foram ainda aplicadas ao Facebook e ao Google. Chegou a hora
A sociedade regula produtos que criam vícios, nós temos leis para prevenir a discriminação e a manipulação de eleição; no entanto, nenhuma dessas regulações e leis foram ainda aplicadas ao Facebook e ao Google. Chegou a hora (Foto: Silvana Santolia)

Apenas observar como o Google está próximo do monopólio para busca, a ambição desse de ser o dono e controlar a infraestrutura física de nossas vidas é o próximo passo. Este já se apossou de nossos dados e com isso das nossas identidades. O que isso significará, quando este se mover para dentro de outras áreas de nossas vidas? 

 

A internet está entre as poucas coisas que os humanos vêm construindo que eles não compreendem. É o maior experimento envolvendo anarquia na história. Centenas de milhões de pessoas estão a cada minuto criando e consumindo uma incontável quantidade de conteúdo digital em um mundo virtual que não está verdadeiramente nos limites legais pelas leis terrestres. A internet como um estado anárquico fora da lei? Um massivo experimento humano sem checagens, balanços e um potencial incalculável de consequências? Que tipo de vira-lata digital condenado diria uma coisa dessas? Um passo à frente, Eric Schmidt – Google’s chairman. Essas são as primeiras linhas do livro, A Nova Era Digital, que ele escreveu com Jared Cohen. 

As gigantes americanas da tecnologia Apple, Alphabet (dona do Google), Microsoft, Amazon e Facebook são as cinco maiores empresas do mundo em valor de mercado. Mas esse domínio crescente alimenta preocupações sobre concorrência e privacidade.

Estima-se que neste ano o Google irá concentrar 40% das receitas globais da publicidade digital, enquanto investidores festejam essa ascensão, há também apreensão sobre a concentração de poder nas mãos dessas gigantes tecnológicas. Em relação aos órgãos europeus de regulação, os EUA estão muito atrasados quando se trata de reprimir o comportamento autocompetitivo, mas de acordo com o analista de antitruste Jonathan Kanter, as atitudes estão se modificando, as pessoas estão se perguntando se os princípios e ferramentas utilizadas anteriormente estão em concordância com as normas de ética e de conduta certas, para se continuar a emprega-las.

Nós não entendemos isso, por não estar nos limites terrestres. Isso está nas mãos de duas massivas e empoderadas corporações. É um experimento deles e não nosso. A tecnologia que estava supostamente para nos libertar, também pode ter ajudado levar Trump ao poder, ou ter acobertado ajuda no balanço de votos para o Brexit. Isso tem criado uma vasta rede de propaganda que vem invadindo como um câncer através de toda a internet. Esta é a tecnologia que vem possibilitando as curtidas da Analítica Cambridge para criar mensagens políticas unicamente talhadas para vocês. Eles compreendem suas respostas emocionais e como engatilhá-las. Eles conhecem suas curtidas, descurtidas, onde vocês vivem, o que vocês comem, o que os faz rirem, o que os faz chorarem.

E o que mais?  A pesquisadora Rebeca Mackinnon vem demostrando como regimes autoritários remodelam a internet para seus próprios propósitos. É isto que vai acontecer com o Vale do Silício e o Trump? Como aponta Martin Moore, diretor do Centro para Estudos da Mídia Comunicação e Poder do King’s College em Londres, que escreve sobre a extensão do impacto de grandes empresas de tecnologia sob nossa esfera cívica e política, a ordem dos resultados de busca realmente influenciam as pessoas; “há estatisticamente em larga escala significante pesquisa no impacto do resultado de buscas em visões políticas, na maneira sob a qual você vê os resultados e os tipos de resultados que você vê na página, necessariamente  têm impacto nas suas perspectivas”.  O presidente eleito reclama que o chefe executivo da Apple, Tim Cook, ligou para parabenizá-lo, logo após a vitória dele nas eleições. “E será indubitável, ser a pressão sobre eles para que colaborem,” diz Moore.

A investigação sobre a suposta interferência russa durante as últimas eleições presidenciais americanas de 2016, teve início com um pedido da administração do ex-presidente Obama por suspeita de que Moscou pudesse ter influenciado a eleição em favor de Trump.

Altos funcionários russos, incluindo o presidente Vladimir Putin e o chanceler Sergey Lavroy declararam repetidamente que a Rússia não interferiu nem interfere nos assuntos internos de Estados estrangeiros.

O jornalismo está caindo em face de tal mudança e somente irá fracassar mais adiante. Novas plataformas colocaram uma bomba embaixo do modelo financeiro – propagandas – os recursos estão encolhendo, o tráfego aumentando a dependência deles, os editores não têm acesso, sem visão do geral, dentro das quais essas plataformas estão fazendo em suas sedes, seus laboratórios. E agora eles estão se movimentando por atrás do mundo digital para o físico. As próximas fronteiras são os planos de saúde, os transportes, e a energia. Apenas observar como o Google está próximo do monopólio para busca, a ambição desse de ser o dono e controlar a infraestrutura física de nossas vidas é o próximo passo. Este já se apossou de nossos dados e com isso das nossas identidades. O que isso significará, quando este se mover para dentro de outras áreas de nossas vidas? 

 

Há uma investigação em curso sobre a empresa dona da Google, a Alphabet, por suposto tratamento preferencial aos seus próprios serviços de compras nos resultados de pesquisa. Em sua defesa, a

Amazon prometeu à Comissão Europeia, que deixaria de executar contratos considerados anticompetitivos em relação à que outras editoras de livros eletrônicos costumam praticar.  Comentado [sss1]:  

Atualmente, a batalha por atenção não é uma luta justa. Cada um dos competidores explora as mesmas técnicas, mas o Facebook e o Google têm vantagens proibitivas – a personalização e os smartphones. Ao contrário da mídia mais velha, o Facebook e o Google conhecem essencialmente tudo sobre seus usuários, rastreando eles em todos os lugares da web e frequentemente além dela.

Ao tornar cada experiência livre e fácil, o Facebook e Google se tornaram guardiões do portal na internet, dando à eles níveis de controle e lucratividade previamente desconhecida na mídia. Nesse sentido, eles podem explorar dados para customizar cada experiência do usuário e desviar lucros provenientes de conteúdos criados. Graças aos smartphones, a batalha por atenção agora tem lugar na única plataforma que está acessível a todos os momentos. 

O Facebook e Google rentabilizam o conteúdo através da publicidade que é destinada, de forma mais precisa do que jamais foi possível antes. Entretanto, nesse caos que vêm associado ao uso da internet, alguns veem a vulnerabilidade de ataques de hackers, um mundo obscuro de consumismo, desigualdade e violência. As plataformas criam “bolhas de filtro” ao redor dos usuários, com as quais confirmam a pré-existência de convicções e crenças, criando frequentemente a ilusão de que todo mundo compartilha as mesmas visões; elas fazem isso porque é lucrativo. O lado ruim das “bolhas de filtro” é que as convicções e crenças ficam mais rígidas e extremas, e seus usuários ficam menos abertos a ideias novas e até mesmo para fatos. Se não fosse para o modelo publicitário empresarial, o Facebook poderia escolher conteúdos que informassem, inspirassem, ou enriquecessem seus usuários. Ao invés, a experiência de usuário do Facebook é dominada por atrações para temer e enfurecer. Isso já seria ruim o suficiente, mas a realidade é ainda pior.

Qualquer anunciante pode acessar qualquer usuário do Facebook,  em cima de sistemas sem supervisão, automatizados. Cinco milhões de anunciantes fazem isso todo mês. Os russos tiraram vantagem disso primeiro ao semear a discórdia entre americanos e então, interferir nas eleições de 2016. Outros atores ruins exploraram o Facebook em outras áreas. Uma empresa prospectou grupos de protestos e comercializou aquela data com o departamento de polícia.

Instituições financeiras foram investigadas por usarem as ferramentas de anúncio do Facebook para a discriminação de bases racistas. O Facebook não é o único problema. A Google (Alphabet) fornece ‘Chromebooks’ para escolas de educação básica com o objetivo de capturar a atenção, e talvez até mesmo informações comportamentais sobre as crianças. Ao mesmo tempo, a Alphabet (YouTube Kids) é um site preenchido com conteúdo inapropriado que cria vícios nas crianças, ainda bastante jovens para resistir.

Enquanto, a otimização dos lucros é geralmente apropriada, o Facebook e o Google (Alphabet) têm causado prejuízos que requerem sérias discussões e remediações.

O Facebook e o Alphabet afirmam que elas não são empresas de mídia portanto, não são responsáveis pelo que terceiros fazem em suas plataformas. Enquanto, essa posição pode parecer razoável vindo de empresas iniciantes, ela não é apropriada para empresas que controlam sete das 10 mais importantes plataformas na internet e exibem um comportamento de monopólio.

O Google serve para pesquisas, conhecimento, é onde vamos quando queremos descobrir sobre as coisas. Digite: mulçumanos são e o Google sugere que você deva perguntar: “mulçumanos são maus?” e o que descobrimos: sim, eles são. Este é o resultado do topo que mostra mais seis de outros. Sem digitar coisa alguma, simplesmente colocando o cursor na caixa de busca, o Google oferece duas novas buscas e você vai para a primeira, “Islã é mau para a sociedade”. Na próxima listagem de sugestões, é oferecido: “Islã deve ser destruído”. 

Ao fazer uma experiência de busca no Google, por “mulheres são” há uma distância e aparece ‘Mulheres são cruéis,” diz o site para o qual você é direcionado.

 

 

Segundo Julia Powles, pesquisadora de Cambridge em tecnologia e lei diz: “Mas quando vocês se movem para dentro do reino físico, e essas concepções se tornam parte de instrumentos sendo utilizados, quando vocês navegam em volta de suas cidades ou influenciam como    as        pessoas             são      empregadas, isso       realmente        tem consequências perniciosas”.

Um prisioneiro de guerra está prestes a publicar um artigo olhando para o DeepMind de um relacionamento com a NHS. “Um ano atrás, 2 milhões de registros londrinos da NHS saúde foram entregues para o DeepMind; e havia completo silencio dos políticos, dos reguladores, de qualquer um, em posição de poder. Esta é uma empresa sem nenhuma experiência com plano de saúde.

Jonathan Albright, professor assistente de comunicações da Elon University da Carolina do Norte, publicou a primeira pesquisa detalhada de como websites da direita espalharam suas mensagens,research on how rightwing websites had spread theirmessage. “Eu peguei a lista desses sites de fake news que estavam circulando, tinha uma lista inicial dos 306 deles e usei um instrumento – um como o Google usa – para arrastar eles para os links e então, eu mapeei eles. Daí, olhei para onde os links foram – para o YouTube e o Facebook, e entre cada um deles, milhões deles… eu simplesmente não pude acreditar no que eu estava vendo”.

“Eles haviam criado uma rede que está sangrando através da nossa rede. Isso não é uma conspiração, não existe uma pessoa que criou isso. Este é um vasto sistema de centenas de diferentes sites que estão usando todos, os mesmos truques que todos os websites usam. Eles estão enviando milhões de links para outros sites, e juntamente a isso, tem criado um vasto sistema de satélites de notícias e propagandas da direita, que cercou completamente o sistema de mídia tradicional.

 

Um mapa espacial do ecosistema de notícias falsas de direita. Jonathan Albright, professor assistente de comunicações na Universidade de Elon, Carolina do Norte, "raspou" 300 falsos sites de notícias (as formas escuras neste mapa) para revelar os hiperlinks de 1,3 m que os conectam e os vinculam ao ecossistema de notícias principal. Aqui, Albright mostra que é um "vasto sistema de satélites de notícias e propaganda de direita que cercou completamente o sistema de mídia principal". Fotografia: Jonathan Albright

Charlie Beckett, professor na escola de mídia e comunicação da  LSE, diz que: “Estamos discutindo há algum tempo, que a pluralidade dos meios de comunicação é boa. A diversidade é boa. Criticar os principais meios de comunicação é bom. Mas agora… ficou severamente fora de controle. O que a pesquisa de Jonathan Albright mostrou é que este não é um subproduto da internet. E nem sequer está sendo feito por razões comerciais. É motivado por ideologia, por pessoas que estão deliberadamente tentando desestabilizar a internet.

O Facebook sob ordens do governo dos EUA e de Israel, vem apagando perfis que são considerados inapropriados sob a alegação que veem causando “incitação”. Recentemente, membros do Facebook se reuniram com ministra da Justiça de Israel Ayelet Shaked, tida como uma das mais autoritárias e extremistas pró-assentamento do governo, ditando regras para exclusão de perfis de ativistas palestinos, sob ameaça de que se não fossem voluntariamente cumpridas as exigências, as autoridades apelariam para a justiça e para a legislação em vigor, a qual colocaria a rede social sob o risco de ter que pagar multas altas ou até mesmo de ser bloqueado no país.

Parece que o pedido foi atendido, conforme se gabou o governo de Israel, ao anunciar e documentar o acordo dos últimos quatro meses, Tel Aviv teria apresentado a poderosa rede social, algo em torno de 158 solicitações para remover conteúdo considerado “incitação”. De acordo, com declaração da própria ministra, a gigante da mídia digital social teria aceitado 95% das solicitações, provando assim a submissão ao Estado de Israel, que passa a ter um controle ilimitado sobre um importante foro de comunicação para os palestinos, praticando uma severa censura para majoritária parte deles, “96% dos palestinos declaram usar o Facebook principalmente para acompanhar as notícias”.

A sociedade regula produtos que criam vícios, nós temos leis para prevenir a discriminação e a manipulação de eleição; no entanto, nenhuma dessas regulações e leis foram ainda aplicadas ao Facebook e ao Google. Chegou a hora.

 

Referências  https://www.theguardian.com/commentisfree/2017/nov/11/facebookgoogle-public-health-democracyhttp://www.bbc.com/portuguese/geral-40205922http://www.ebc.com.br/tecnologia/2016/06/como-os-algoritimosdefinem-o-que-voce-ve-no-facebook-e-no-googlehttps://br.sputniknews.com/russia/201705198426714-russia-podecriar-comissao-investigar/

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