Os "nãos" se agitam, mas a primavera avança

Foi só Lula falar em revogar a famigerada reforma trabalhista que os "nãos" começaram a se agitar

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(Foto: Ricardo Stuckert)


Foi só Lula falar em revogar a famigerada reforma trabalhista, aquela mesma que jogou a vida e os sonhos do trabalhador brasileiro no lixo, enriquecendo ainda mais os senhores da casa grande, que os "nãos" começaram a se agitar. A grita foi (ainda reverbera e vai piorar) geral, principalmente entre os senhores e senhoras que nunca tiveram sua carteira de trabalho assinada, jamais acordaram de madrugada para tomar um ônibus lotado nem tiveram um filho morto nos braços por falta de atendimento médico. 

Essa gente que já assume posição contra a candidatura Lula é herdeira da cultura escravagista que se mantém no Brasil desde sempre. É ela que se apropria do patrimônio público, destrói a natureza, grila as terras da União, envenena nossa comida, mata nossas crianças, e dorme tranquila. Raramente, disse Chomsky, vi um país onde a elite tem tanto desprezo pelos pobres como no Brasil. Neste sentido, não se poderia esperar desta burguesia qualquer outro posicionamento que não este, ou seja, o pronto ataque a toda e qualquer tentativa de inserção dos mais pobres, por meio de políticas sociais, no orçamento do país. Para tanto, os mais ricos devem pagar impostos compatíveis com suas obscenas fortunas. Por isso, os "nãos" se agitam, a estupidez acata e os chacais vão ficando cada vez mais ousados, ferozes, violentos e perigosos. 

Ora, se a ideia fosse eleger um político que mantivesse toda essa sorte de descaso para com os menos favorecidos, não se defenderia a candidatura Lula; tendo em vista que há outras opções mais à direita e até à extrema direita, que se sentiriam muito à vontade em tocar o bonde do jeitinho que está, pois, a miséria não lhes causa a menor comoção, uma vez que são insensíveis à dor do outro. Não são eles, que hoje governam alguns estados e prefeituras e são responsáveis por implementar em suas cidades, por exemplo, a vergonhosa "arquitetura antipobre", num claro projeto de eugenia e criminalização da pobreza? 

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Como, perguntamos, pode-se governar um país como o Brasil pautando-se pelo rentismo, que só gera exclusão social, aporofobia, perseguição e a miséria do próximo? Alguns defendem que sim. São os mesmos que, vacinados, se declaram antivacinas. São corruptos, mas pregam contra a corrupção. São fascistas, mas se declaram cristãos. Na verdade, não querem governar senão para os seus. Nunca estiveram com os pobres, os humilhados do parque, das ruas, dos lixões, dos becos, favelas. Não querem saber dos "bichos" de Manuel Bandeira. Não sabem que cheiro tem o povo (houve um que preferia o cheiro dos cavalos). Ignoram suas mãos estendidas, seus filhos mortos, como num quadro de Portinari, e famintos, como num texto de Graciliano Ramos.

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O cerco está se fechando. Um arquivo vivo ainda conta com a proteção do aparato estatal. Estaria ele em alguma embaixada, comendo e bebendo do melhor, às custas do contribuinte? Dizem que a Rússia deportará um terrorista muito em breve. Quando o FBI concluir as investigações sobre a invasão ao Capitólio, outro será exposto. No desenrolar dos acontecimentos, já há quem fale em deixar o país, caso Lula seja eleito no primeiro turno. Dizem as más línguas que o destino seria Dubai. Será? Sigam o dinheiro, senhoras e senhores! Há rato demais pra pouco barco. Dizem haver desespero nos porões da República. Os "nãos" se agitam. São muitos. Mas não conseguirão deter a chegada da primavera, que avança a passos largos.

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