Os tiranos são duros na queda

Em 2019, o governador paulista, João Dória, rompido com Jair Bolsonaro, "a quem apoiou em 2018, lançou-se, extraoficialmente, candidato à eleição presidencial" de 2022, destaca Alex Solnik, do Jornalistas pela Democracia. Em 1937, "o chefe do Estado Maior do Exército, general Goes Monteiro, anunciou "a descoberta de um plano comunista para derrubar Getúlio, o Plano Cohen", acrescenta. "Ontem ou hoje, os tiranos são duros na queda"

(Foto: Amanda Perobelli/Reuters)

Por Alex Solnik, do Jornalistas pela Democracia

Em 1937, rompido com o presidente Getúlio Vargas, a quem apoiara em 1930, o governador paulista, Armando Salles de Oliveira lançou-se candidato à eleição presidencial marcada para 3 de janeiro de 1938.

Em 2019, o governador paulista, João Dória, rompido com o presidente Jair Bolsonaro, a quem apoiou em 2018 lançou-se, extraoficialmente, candidato à eleição presidencial marcada para 15 de outubro de 2022.

Apoiado pela elite econômica paulista, que se cansara dos arroubos autoritários de Getúlio e de suas promessas de restauração da democracia, Armando Salles de Oliveira cercou-se em sua campanha de ex-aliados de Getúlio, como o general Flores da Cunha, governador do Rio Grande do Sul.

Apoiado pela elite econômica paulista, que se cansou dos arroubos autoritários de Bolsonaro e de sua decidida disposição de destruir as instituições democráticas, João Dória cerca-se, em sua campanha, de ex-bolsonaristas, tais como o suplente de senador Paulo Marinho, o ex-ministro Gustavo Bebbiano e o deputado federal Alexandre Frota.

Armando Salles de Oliveira era festejado, em julho de 1937, como próximo presidente da República, tal o entusiasmo com que era recebido pela população, enquanto o candidato de Getúlio, José Américo de Almeida, não decolava.

No dia 30 de setembro de 1937, o chefe do Estado Maior do Exército, general Goes Monteiro, anunciou no programa A Voz do Brasil a descoberta de um plano comunista para derrubar Getúlio, o Plano Cohen.

No dia 10 de novembro de 1937, reagindo à ameaça comunista – na realidade uma fake-news, como se saberia dez anos depois, produzida a pedido do general Goes Monteiro - Getúlio mandou cercar com tropas os prédios da Câmara e do Senado, fechou os partidos políticos e cancelou as eleições de 3 de janeiro de 1938.

Não estou querendo dizer que a história vai se repetir em 2022.

Só quero dizer que, ontem ou hoje, os tiranos são duros na queda.

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