Ou Bolsonaro se entende com os deputados ou fecha o Congresso

O jornalista Alex Solnik, que também é membro dos "Jornalistas pela Democracia", afirma que "os deputados já devem ter percebido que o presidente está pouco se lixando para os partidos, inclusive para o seu – se é que tem algum -  porque não está nem aí para a democracia.  Tenta impor um estilo autoritário, como se o país fosse um quartel"; "Ou se entende com o Congresso ou o fecha com um cabo e um soldado – se tiver apoio militar para isso", completa 

Ou Bolsonaro se entende com os deputados ou fecha o Congresso
Ou Bolsonaro se entende com os deputados ou fecha o Congresso

Por Alex Solnik, do Jornalistas pela Democracia - Nos últimos 60 anos, três presidentes da República, sem entrar no mérito de cada gestão e dos motivos, viveram em guerra declarada com a Câmara dos Deputados: Jânio, Collor e Dilma.

O primeiro renunciou ou foi renunciado e os dois seguintes foram derrubados pelos deputados.

Bolsonaro está indo pelo mesmo caminho.

A pouca ou nenhuma relevância que deu aos deputados na formação dos ministérios está sendo respondida a conta gotas.

A primeira resposta foi derrotar decreto do governo que ampliava sigilo de documentos, assinado pelo vice Mourão – uma das pedras de toque da administração, interessada em esconder o passado e o presente logo de saída.

A segunda poderá ser derrubar a reforma da Previdência.  

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Ainda que novatos, os deputados já devem ter percebido que o presidente está pouco se lixando para os partidos, inclusive para o seu – se é que tem algum -  porque não está nem aí para a democracia.  Tenta impor um estilo autoritário, como se o país fosse um quartel. Quer dar a ordem unida pelo twitter e comandar deputados como se fossem subalternos e não membros de um poder independente.

Até por instinto de sobrevivência, os parlamentares, cujos empregos dependem dos partidos, não vão se imolar numa reforma antipopular em nome de um presidente que não tem a menor condição de conduzir o país e que claramente os despreza.

O capitão tenta se apoiar cada vez mais na ala militar do governo, que também não tem partido, como ele. Ainda mais agora que estourou o escândalo das laranjas ele vai procurar se afastar de políticos.

Mas nenhum presidente, por mais apoio que tenha dos militares, consegue governar sem Congresso.

Ou se entende com o Congresso ou o fecha com um cabo e um soldado – se tiver apoio militar para isso. 

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