Outros roubam, mas Lula é quem deve ser preso

Não é apenas o governo Temer, no entanto, que não vê perseguição a Lula. Também a mídia e o Supremo Tribunal Federal, por motivos óbvios, não enxergam a escandalosa perseguição ao ex-presidente, que é vista inclusive do exterior

11/01/2017- Salvador- BA, Brasil- Lula participa do 29 Encontro Estadual do MST da Bahia. Foto: Felipe Araujo
11/01/2017- Salvador- BA, Brasil- Lula participa do 29 Encontro Estadual do MST da Bahia. Foto: Felipe Araujo (Foto: Ribamar Fonseca)

Habituado aos holofotes, o pessoal da Lava-Jato já estava sentindo falta das câmeras e dos flashes, após um breve período distante da mídia. E voltou disposto a reocupar seus espaços, produzindo notícias que rapidamente ganharam as manchetes. Além da caçada ao empresário Eike Batista, noticia de destaque dentro e fora do país, um dos integrantes da força-tarefa, o delegado Igor Romário de Paula, da Policia Federal, decidiu também correr atrás da fama e anunciou, em entrevista no Paraná, que o ex-presidente Lula poderá ser preso dentro de 30 a 60 dias. "Não acho que a gente perdeu o timing", ele disse, ao comentar declaração de outro delegado, Mauricio Moscard, segundo o qual a PF perdeu a oportunidade de prender o líder petista. A defesa do ex-presidente, no entanto, imediatamente reagiu ao anuncio do delegado Igor, informando que vai processá-lo.

Os defensores do ex-presidente disseram em nota que "o delegado Igor de Paula deixa escancarada a natureza eminentemente política da operação no que diz respeito a Lula". E acrescentaram que "há pré-julgamento, parcialidade, vazamentos e comportamentos que violam a ética e a conduta profissional por parte de diversas autoridades envolvidas nas investigações e processos referentes ao ex-presidente". Confirmam, finalmente, o "lawfare", que é o uso da lei e de procedimentos jurídicos para fins de perseguição política. O episódio aconteceu, coincidentemente, no mesmo dia em que o governo de Temer, através do Ministério das Relações Exteriores, respondeu à interpelação do Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas, negando que o ex-presidente esteja sendo perseguido e pedindo que o caso seja desconsiderado, sob a alegação de que o líder petista responde aos processos criminais em liberdade. Ninguém, na verdade, esperava que Temer e Serra oferecessem à ONU uma resposta diferente.

Não é apenas o governo Temer, no entanto, que não vê perseguição a Lula. Também a mídia e o Supremo Tribunal Federal, por motivos óbvios, não enxergam a escandalosa perseguição ao ex-presidente, que é vista inclusive do exterior. Ainda recentemente um grupo de 12 deputados norte-americanos, do Partido Democrata, enviou carta ao embaixador brasileiro em Washington, Sergio do Amaral, condenando a perseguição a Lula e manifestando sua preocupação com os rumos da nossa democracia. "Estamos particularmente preocupados - eles disseram na carta – com a perseguição ao ex-presidente Lula da Silva, a qual viola normas de tratados internacionais, como as estipuladas no Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos (PIDCP), garantindo direitos básicos do devido processo legal de todos os indivíduos".

Mais adiante, os parlamentares americanos lembram que "desde o inicio do ano passado Lula tem sido alvo do juiz Sergio Moro, cujas ações tendenciosas e injustificadas comprometeram gravemente os direitos legais do ex-presidente". Lembraram ainda que "há meses ele tem sido objeto de uma campanha de difamação e de infundadas acusações de corrupção por grandes meios de comunicação privados, alinhados em grande parte com as elites do país". Os parlamentares destacaram também o legado de Lula com as conquistas sociais e, ao abordarem o impeachment da presidenta Dilma Roussef, disseram que o processo "foi marcado por irregularidades processuais e conduzido por políticos envolvidos em grandes escândalos de corrupção, o que constituiu em si uma grave ameaça às instituições democráticas do Brasil".

Ninguém tem dúvidas de que a caçada a Lula tem motivação política, já que até hoje não existe nenhuma acusação contra ele de ter recebido um centavo sequer de propina. E querem prendê-lo não por corrupção, mas porque ele ameaça voltar à Presidência da República pelos braços do povo, se houver eleições diretas. Em compensação, os verdadeiros ladrões, os acusados em todas as delações de recebimento de propinas milionárias, estão incólumes, pelo menos até agora, sorrindo da cara dos brasileiros que ainda acreditam na Justiça. Se a presidente do Supremo Tribunal Federal, ministra Carmen Lúcia, não homologar as delações da Odebrecht antes do término do recesso do Judiciário, expondo aos olhos da Nação as vísceras desse gigantesco esquema de corrupção que envolve a cúpula do atual governo e as principais lideranças do PSDB, então é melhor esquecer que existe Justiça em nosso país. E esperar que um dia todos, incluindo os togados que descumprirem a sua missão, enfrentem o Tribunal Divino. Desta Justiça ninguém escapa.

Muita gente responsável por todos os males que o Brasil e seu povo estão enfrentando hoje – e que estão seguros da sua impunidade – imagina que a vida se resume a esta. Vão descobrir, tarde demais, que a vida continua após a morte do corpo físico e quando chegarem do outro lado terão de prestar contas de seus atos. Lá não tem padrinhos nem pistolões. O Tribunal do outro lado também não tem ninguém de toga, mas lá existe justiça, baseada na sentença de Jesus de que "a cada um será dado segundo as suas obras". E pelas "obras" que conseguimos observar tem muita gente que precisará de muitas vidas para resgatar seus pecados. Que Deus tenha piedade de suas almas.

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