País só tem a ganhar com saída de Paulo Guedes

"Embora tenha sido apresentada em tom dramático de ameaça, a queda de Paulo Guedes, em qualquer momento que venha a ocorrer, só fará bem ao país", escreve Paulo Moreira Leite, articulista do 247; "Pelo lugar que assumiu, pelos poderes concentrados que possui, o ministro da Economia tem um papel único na articulação e condução do desastre em que o país afunda" 

País só tem a ganhar com saída de Paulo Guedes
País só tem a ganhar com saída de Paulo Guedes (Foto: Jefferson Rudy/Agência Senado)

Por Paulo Moreira Leite, para o Jornalistas pela DemocraciaExaminando a possibilidade do governo ser derrotado no objetivo de arrancar 1 trilhão de reais do povo brasileiro na reforma da Previdência, Paulo Guedes  disse: "pego um avião e vou morar lá fora. Já tenho idade para me aposentar".

Embora tenha sido apresentada em tom dramático, a queda de Paulo Guedes, em qualquer momento que venha a ocorrer, só irá fazer bem ao Brasil e aos brasileiros. Na verdade, não faz sentido falar em ameaça ou chantagem - pois, indiscutivelmente, sua saída é uma das primeiras medidas necessárias para a recuperação da economia e o resgate da dignidade dos brasileiros. Pode provocar pânico e lágrimas nos salões da nova aristocracia, mas será celebrada nas ruas.  

Numa história com uma imensa galeria de gestores ruinosos, pelas responsabilidades que assumiu, pelos poderes que concentra, Paulo Guedes ocupar um lugar único e insubstituível na produção do desastre em que o país afunda, dia após dia.

Entre tantos antecessores incapazes, corrompidos e limitados, será difícil encontrar um ministro tão desastroso e incapaz de oferecer qualquer perspectiva positiva para o crescimento, a criação de empregos, o bem-estar da maioria. Fanático do Estado mínimo, o primitivismo sem remédio de Paulo Guedes provoca gargalhadas de desprezo por parte de estudiosos sérios - como André Lara Rezende e Pérsio Arida, pais intelectuais do Plano Real - na mesma proporção que inunda as ruas do país com massas de desempregados e miseráveis, que ao contrário do ministro, não têm condição tomar "um avião e morar lá fora". Tampouco poderão pensar em se aposentar, ainda que boa parte já tenha atingido a idade, caso a reforma que Paulo Guedes apresentou ao país venha a ser aprovada. 

Como um garçom que descreve as atrações de um patrimônio construído em séculos de história, pelo sangue e o suor de uma população recompensada apenas com migalhas, Paulo Guedes oferece negócios na bandeja com a certeza de que terá direito a uma polpuda recompensa no fim da noite. Não constrói, não planeja. Vende a qualquer preço. Numa imagem lamentável, mas indicativa, já disse que até o palácio presidencial, endereço ocupado pelo voto popular, será colocado a venda.   

A essência de sua visão econômica é o egoísmo desprovido de todo escrúpulo, uma forma de ver o mundo na qual explorados, desprotegidos e indefesos devem ser esmagados como insetos que não tiveram competência nem mérito para obter coisa melhor.

Seus compromissos com a democracia fazem a ponte entre Jair Bolsonaro e Augusto Pinochet. Dos 30 países que mudaram a Previdência no caminho do modelo chileno que Guedes tenta implantar no país, 18 já iniciaram a viagem de retorno, informa estudo da Organização Internacional do Trabalho. 

Cada dia que permanecer em seu posto  Paulo Guedes estará produzindo uma idéia nociva, assinando um decreto em prejuízo da maioria, preparando uma nova armadilha que o país será obrigado a desmontar no futuro. Sua meta - assumida, sincera - é nos tornar mais dependentes, mais colonizados. Construtor de um imenso país negativo, quanto mais cedo se for, melhor.

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