Pânico no Planalto

O vereador Carlos Bolsonaro "teria pedido diretamente a alguns ministros que sejam mais proativos", escreve o colunista Hayle Gadelha. "Como assim, Filho Carlos? Os ministros também terão que empunhar rifles e repetir taoquei? É isso? Terão que ter na ponta da língua frases geniais como 'quem procura osso é cachorro'? Terão que repetir que o pai do presidente da OAB não foi morto pela ditadura militar?", questiona

Carlos e Jair Bolsonaro
Carlos e Jair Bolsonaro (Foto: Reprodução)

O Filho Carlos (vereador pelo PSC-RJ) é considerado um dos mentores da estratégia de comunicação de Bolsonaro desde a campanha eleitoral. E agora está direto no gabinete do pai no Palácio do Planalto para cobrar de ministros uma defesa mais enfática do presidente pai e de seu governo diante do que ele vê como "ataques" da imprensa.

Auxiliares do Pai dizem que, mesmo sem cargo formal no governo, Carlos continua atuando como uma espécie de consultor presidencial informal nessa área. E não tem nada a ver com o trabalho da Secretaria Especial de Comunicação Social (Secom), órgão subordinado à Secretaria de Governo (Segov), cujo titular é atualmente o general Luiz Eduardo Ramos.

Ontem (5) pela manhã, por exemplo, esteve no Palácio do Planalto, enquanto o pai estava em Sobradinho (BA) para inaugurar uma usina solar flutuante na maior represa do Rio São Francisco.

Ele teria despachado no gabinete presidencial, passando a maior parte do tempo com os assessores presidenciais Tercio Arnaud Tomaz e José Matheus Sales Gomes. Ambos foram funcionários do gabinete do vereador no Rio e hoje são responsáveis pelas mídias sociais e a comunicação pessoal do presidente.

Carlos demonstrou descontentamento com a timidez com que alguns ministros têm defendido o pai diante de críticas da mídia a declarações do pai ou a ações de governo tidas como controversas. Carlos teria pedido diretamente a alguns ministros que sejam mais proativos. Como assim, Filho Carlos? Os ministros também terão que empunhar rifles e repetir taoquei? É isso? Terão que ter na ponta da língua frases geniais como "quem procura osso é cachorro"? Terão que repetir que o pai do presidente da OAB não foi morto pela ditadura militar? Terão que defender a troca de integrantes da Comissão Especial  Sobre Mortos e Desaparecidos Políticos por não serem defensores da ditadura e até da tortura?

Que se cuidem, por exemplo, Luiz Eduardo Ramos e Jorge Oliveira (Secretaria-Geral, amigo da família), que têm tido uma atuação tímida nas redes sociais, na visão do Filho 02. Dizem que, na semana passada, fugindo ao seu estilo, Ramos chegou a defender o presidente diante de críticas da imprensa a algumas das várias declarações, digamos, controversas. "A mídia tradicional, que respeito muito e acredito ser um dos pilares para a democracia, ainda não entendeu que o presidente Bolsonaro é transparente, direto e não se preocupa com o politicamente correto"(!!!), escreveu. "O povo que o elegeu sabia disso e foi a razão de sua vitória”, completou (meu Deus!!!!). Já Onyx Lorenzoni (Casa Civil) precisaria fazer uma defesa mais fervorosa da Operação Lava-Jato e do procurador Deltan Dallagnol, chefe da força-tarefa em Curitiba - sempre na opinião de Carlos.

O general Augusto Heleno, do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), já foi alvo de críticas públicas do Filho Carlos, por causa do trabalho do GSI quando um militar brasileiro foi preso em junho na Espanha ao desembarcar com cocaína em um avião reserva da comitiva presidencial. Carlos também (assim como outros auxiliares de Bolsonaro) andaria contrariado com a omissão de Sérgio Moro, quando Bolsonaro é criticado. Eles acham que Bolsonaro faz questão de defender Moro diante das publicações dos vazamentos promovidos pelo site "The Intercept Brasil", que têm colocado em xeque a imparcialidade dele como o responsável pelos processos da Lava-Jato em Curitiba (e a recíproca não seria verdadeira...). Também o ministro Tarcísio de Freitas é visto como pouco proativo nas redes, apesar (acreditem!) de sempre ser elogiado por Bolsonaro, com raros comentários políticos em sua conta Twitter, que teria inaugurado por orientação do presidente!!!!

O Filho Carlos estaria considerando sanado (!) o excesso de protagonismo na mídia do vice-presidente Mourão... Mas teria sido o próprio Bolsonaro que orientou Mourão e os outros ministros do Palácio a manterem um perfil mais discreto. Mourão, que antes não se negava a comentar nenhum assunto, agora estaria evitando contato frequente com jornalistas.

Realmente, o Filho Carlos deve ser o terror do Planalto!!!

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