Para Patrícia Poeta, desempregado não "corre atrás"

A colunista Denise Assis, do Jornalistas pela Democracia, critica a declaração da apresentadora Patrícia Poeta, que afirmou que 'desalentados não correm atrás'. Ela diz: "essas pessoas, cansadas de receber não, vendo vagas sendo fechadas num mercado encolhido pela economia estagnada, não têm mais dinheiro para a passagem para 'correr atrás'"

Por Denise Assis, para o Jornalistas pela Democracia - A ex-apresentadora do JN, Patrícia Poeta, declarou num programa matinal da TV aberta, na semana passada, que os cerca de 13 milhões de desempregados e os mais de quatro milhões de desalentados existentes no país, são pessoas que ficam em casa se vitimizando e não “correm atrás”. Seu comentário irritou as verdadeiras vítimas do sistema econômico em vigor no país que, em casa, sem ter emprego a que se dedicarem, assistiram ao programa, que vai ao ar no meio da manhã. 

A moça – que é casada com um diretor da área de jornalismo da emissora e há um tempo foi desbancada do jornal do horário nobre, mas ganhou vaga numa atração no entretenimento -, foi desmentida pelos números divulgados hoje, pelo IBGE, que avaliaram o quesito “desocupação” para o trimestre.

Os resultados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD contínua), sobre a taxa de desocupação do país, mostram que quem esteve parada (ou estável) foi a taxa, que no 3º trimestre de 2019, permaneceu em 11,8%, com redução de apenas 0,2 ponto percentual (p.p.) frente ao 2° trimestre de 2019 (12,0%) e estabilidade em relação ao mesmo trimestre de 2018 (11,9%). 

A culpa pela vida miserável, não está nos desempregados, como demonstraram os números do IBGE. Essas pessoas, cansadas de receber não, vendo vagas sendo fechadas num mercado encolhido pela economia estagnada, não têm mais dinheiro para a passagem para “correr atrás”, não têm mais a roupa adequada para se apresentarem nas possíveis entrevistas e, sim, possivelmente estão deprimidas, não vendo saída nem sequer no empreendedorismo, que necessita do mínimo de investimento para deslanchar. Uma realidade muito distante da torre envidraçada onde trabalha esta moça. 

Considerando-se as variações estaticamente significativas em relação ao trimestre anterior, a taxa recuou em São Paulo meros 0,8 pontos percentuais, e aumentou em Rondônia, onde a desocupação cresceu em 1,5%, permanecendo estável nas demais 25 unidades da federação. Sabe o que quer dizer estável, cara Poeta? Que não mudou nem para mais nem para menos. Ou seja: é o retrato fiel da economia tocada pelo senhor Paulo Guedes, cuja receita levou o Chile à convulsão social em que se encontra hoje.

Já em relação ao mesmo trimestre de 2018, a taxa subiu em Goiás (1,9 p. p.) e Mato Grosso (1,3 p. p.). Houve quedas em três UFs: São Paulo de insignificantes -1,1 p. p., Alagoas (-1,7 p. p.) e Sergipe (-2,8 p. p.), com estabilidade nas demais 22 unidades da federação.

As maiores taxas foram observadas na Bahia (16,8%), Amapá (16,7%), e Pernambuco (15,8%) e as menores em Santa Catarina (5,8%), Mato Grosso do Sul (7,5%) e Mato Grosso (8,0%).

No 3º trimestre de 2019, a taxa composta de subutilização da força de trabalho (percentual de pessoas desocupadas, subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas e na força de trabalho potencial em relação a força de trabalho ampliada) foi de 24,0%. Maranhão (41,6%) e Piauí (41,1%) apresentam estimativas acima de 40%. Por outro lado, os estados onde foram observadas as menores taxas foram: Santa Catarina (10,6%), Mato Grosso (14,7%), Rio Grande do Sul (16,3%) e Mato Grosso do Sul (16,3%).

O número de desalentados no 3º trimestre de 2019 foi de 4,7 milhões de pessoas de 14 anos ou mais. Os maiores contingentes estavam na Bahia (781 mil) e no Maranhão (592 mil) e os menores em Roraima (17 mil) e Amapá (19 mil).

O percentual de pessoas desalentadas (em relação à população na força de trabalho ou desalentada) no 3º trimestre de 2019 foi de 4,2%. Os maiores percentuais estavam no Maranhão (18,3%) e Alagoas (16,5%) e os menores em Santa Catarina (1,1%), Rio Grande do Sul (1,3%) e Distrito Federal (1,3%).

O percentual de empregados com carteira de trabalho assinada no setor privado do país era de 73,6%. O maior percentual estava em Santa Catarina (87,7%) e o menor, no Maranhão (49,9%).

Já a proporção de empregados sem carteira de trabalho assinada no setor privado foi de 26,4%. As UFs com os maiores percentuais foram Maranhão (50,1%), Pará (49,9%) e Piauí (49,9%) e as menores taxas estavam no Rio Grande do Sul (18,1%) e Santa Catarina (12,3%).

O percentual da população ocupada do país trabalhando por conta própria era de 26,0%. Os maiores percentuais foram registrados no Amapá (36,7%), Pará (35,7%) e Amazonas (33,3%). Já os menores foram no Distrito Federal (20,7%), Mato Grosso do Sul (21,2%) e Santa Catarina (21,7%).

Em relação ao tempo de procura, no Brasil, 46,9% dos desocupados estavam de um mês a menos de um ano em busca de trabalho e 25,2% há dois anos ou mais. No Brasil, 1,8 milhão de desocupados buscavam trabalho há menos de um mês, enquanto 3,2 milhões procuravam uma ocupação há 2 anos ou mais O que faria Patrícia Poeta, se estivesse à frente de um lar, com filhos, há dois anos ou mais desempregada? Cartas para a redação.

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