Partido inviável

O que é inviável é um partido digno desse nome conspirar contra uma candidatura competitiva e bem colocada nas pesquisas, em benefício de um grupo político cercado de denúncias e escândalos por todos os lados

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Meu amigo e ex-orientando, na pós-graduação de Ciência Política, prof. Heli Ferreira, propôs que comentasse a entrevista do senador Humberto Costa declarando ser inviável a candidatura da deputada Marília Arraes à Prefeitura do recife, pela legenda do partido dos Trabalhadores. Logo ele que nunca conseguiu se eleger em nenhuma eleição para cargos majoritários a que concorreu. Ora, inviável e imoral é a manutenção dessa aliança política com a oligarquia de plantão, caso a candidatura de Marília prospere dentro do partido, como quer a maioria dos filiados do PT (e a presidente do partido, a senadora Gleisi Hoffmann).

O que é inviável é um partido digno desse nome conspirar contra uma candidatura competitiva e bem colocada nas pesquisas, em benefício de um grupo político cercado de denúncias e escândalos por todos os lados. E isto pela troca de uma aliança nacional com o PSB e a manutenção de alguns cargos no governo estadual. 

Primeiro, como já se viu, nenhuma aliança garante que os diretórios estaduais do PSB respeitem o compromisso assumido pelas direções. Segundo, a vitória ou sucesso de uma eventual candidatura do PT a nível nacional não vai depender desse compromisso local. Terceiro, renunciar a ter candidatura própria em Pernambuco é renunciar covardemente à disputa de hegemonia política e se colocar como vassalo de uma oligarquia atrasada e de reputação duvidosa.

O Partido dos Trabalhadores não pertence a Humberto Costa, a Dílson Peixoto ou a qualquer maioral do partido. Menos ainda, à viúva de Eduardo Campos e ao seu infante herdeiro. Trocar uma candidatura viável, muito bem avaliada e representativa das bases do PT, por um mero arranjo interesseiro que envolve as negociatas miúdas de seus chefes locais por cargos e mandatos- prejudicando a possibilidade do partido de voltar a exercer sua hegemonia no processo sucessório municipal é uma alta traição aos interesses da democracia e do socialismo. É um crime de lesa-partido, que vai custar caro aos pernambucanos.

Quererá Humberto Costa abrir outra vez uma luta interna no partido (dessa vez contra a presidente do PT), de consequências imprevisíveis e nefastas para o conjunto das forças democráticas?

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