Partidos, democracia e Estado

Há uma baixa taxa de institucionalização da maioria das agremiações. No Brasil, você tem frentes, federações, guarda-chuvas e biombos, menos partidos. O sistema fantasmagórico e fisiológico desses partidos conspira contra qualquer tentativa de governo sério e legitimo

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Dando sequência à tribuna de debates sobre a democracia no Brasil, aberta competentemente pelo professor Fabio Bezerra (UFRPE), gostaria de dar continuidade a essa importante discussão discutindo a relação dos partidos políticos com a democracia. Entendo que não há democracia digna desse nome, sem partidos fortes e representativos e que uma das grandes fraquezas da democracia brasileira é justamente a ausência desses partidos, apesar do número muito alto de agremiações partidárias, para um país hiper presidencialista, que vive em crise de legitimidade permanente e sobrevive comprando os partidos. 

Há uma baixa taxa de institucionalização da maioria das agremiações. No Brasil, você tem frentes, federações, guarda-chuvas e biombos, menos partidos. O sistema fantasmagórico e fisiológico desses partidos conspira contra qualquer tentativa de governo sério e legitimo. Quando se abre uma crise de governabilidade, ou o governo cai ou coopta de maneira vil os partidos. A rigor não temos um presidencialismo de coalizão. Sim de cooptação . Veja-se o caso do Partido dos Trabalhadores. Alguns se acham donos, mandatários É como se não existisse democracia interna e as instâncias organicas da agremiação devessem se submeter à vontade monocratica de algum chefe ou maioral, mesmo que seja de influência local ou regional. 

É como se existisse uma vontade coletiva, um programa, uma estrategia unificada. Só interesses e conveniência de uma certa direção. As decisões partidárias são arrastadas para o submundo dos acordos, tentativas e manobras que dificilmente seriam avalizadas pelo coletivo partidário. Mas são impostas goela abaixo, de cima para baixo pela direção, em razão de seus cálculos mesquinhos ligados a alianças espúrias com os adversários de véspera. 

Some-se a isso a visão religiosa, emotiva, irracional de alguns militantes que endeusam, idolatram o partido, como se ele fosse uma igreja, seita, clube ou troça carnavalesca. Visão que impede de se ter um olhar crítico das manobras e estratagemas empregados nas alianças políticas. 0 partido político é uma sociedade civil que nasceu para lutar pela hegemonia na vida do estado, não é uma religião.

Deve ser fiel aos seus estatutos, programa e compromissos políticos e ideológicos. Esse apoio acrítico e emocional às alianças eleitorais e políticas não contribui para aperfeiçoar o partido. Mas para desmoraliza-lo perante a opinião publica, embora possa fortalecer a posição de alguns dirigentes. 

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