Paulo Guedes e a destruição da pequena empresa

Os grandes conglomerados produtores de alimentos ocupam mais espaço (67%) e empregam menos pessoas. A agricultura familiar ocupa menos espaço (23%) e dá trabalho para mais pessoas. Então, meu caro ministro, deixa de bobagem e trate de botar a mão no bolso para salvar as pequenas empresas prejudicadas pela pandemia, caso queira realmente salvar a economia do país

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Foram inúmeras as barbaridades, descalabros e idiotices proferidas no encontro que Bolsonaro e seus amigos tiveram no bar do terceiro andar do Palácio do Planalto no dia 22 de abril. Disseram que o nome pomposo era “reunião ministerial”, mas tenho cá as minhas dúvidas.

Entre tantas barbaridades ditas, eu não saberia dizer qual receberia o título de destaque do ano, mas me chamou a atenção uma frase do ministro Paulo Guedes, além, é claro, da emblemática “tem que vender essa porra logo”, referindo-se ao Banco do Brasil.

Disse ele: “Nós vamos ganhar dinheiro usando recursos públicos para salvar grandes companhias. Agora, nós vamos perder dinheiro salvando empresas pequeninhas”.

Um pensamento macroeconômico idiota, esquecendo-se que quem toca esse país é, justamente a microeconomia, exercida exatamente pelas “empresas pequenininhas”.

A maior parte dos empregos dos brasileiros é gerada pelas micro e pequenas empresas. Para se ter uma ideia, as micro e pequenas empresas geraram em 2019 731 mil vagas formais; já as médias e grandes fecharam 88 mil postos com carteira assinada.

Produção alimentar

Na cadeia produtiva de alimentos, a diferença entre o pequeno e o grande é gritante, pois enquanto o grande produtor de alimento se preocupa com a monocultura e com os dólares das commodiities, dos produtos alimentares exportáveis, o pequeno produtor (principalmente a agricultura familiar) se preocupa em alimentar o brasileiro.

Como sabemos, estima-se que o pequeno produtor é o responsável por cerca de 70% da cesta de alimentos dos brasileiros.

É claro que, para produzir isso tudo, é preciso de gente, de mão de obra. Assim, não é a toa que, de acordo com o último Censo Agropecuário do Brasil (2017), 77% de todos os estabelecimentos agropecuários do país estão nas mãos da agricultura familiar. E mais: 67% de todo o pessoal ocupado em agropecuária no país, cerca de 10,1 milhões de pessoas na época, trabalhavam na agricultura familiar.

Os grandes conglomerados produtores de alimentos ocupam mais espaço (67%) e empregam menos pessoas. A agricultura familiar ocupa menos espaço (23%) e dá trabalho para mais pessoas.

Então, meu caro ministro, deixa de bobagem e trate de botar a mão no bolso para salvar as pequenas empresas prejudicadas pela pandemia, caso queira realmente salvar a economia do país e gerar empregos.

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